segunda-feira, 4 de julho de 2011

Mendoza: 26 Bodegas em 2 Dias


Mendoza by Night

Enfim, Mendoza. Capital da Província de mesmo nome, e centro da indústria vitivinícola argentina. Ao contrario do que muitos imaginam, Mendoza é uma cidade grande e moderna, muito agradável, e provida de uma boa infraestrutura. Chegamos ao hotel (hotel nº 4) quinta feira a noite, e após um breve jantar nos recolhemos, em preparação a intensa programação do dia seguinte.
Fomos na sexta ao Valle de Uco, região mais próxima aos Andes, e com vinhedos em maior altitude, e consequentemente, mais fria. Para começar, uma visita a Masi Tupungato. Para quem não sabe, a Masi é um dos maiores produtores italianos do Vêneto, e já há alguns anos investe na Argentina, focada na produção de cortes entre as castas tradicionais vênetas e argentinas, utilizando técnicas de apassimento. A visita foi conduzida pela simpática Collen Clayton, uma americana que representa vinícolas italianas e mora na Argentina, coisas da globalização. As instalações são das mais modernas, de modo que uma bodega de grande porte consegue operar com apenas cinco funcionários, e mais alguns temporários na época da colheita. Entre os vinhos, destaque para o Corbec, corte de 70% de corvina e 30%de malbec, produzido como um Amarone, e que em breve estará no Brasil.



Instalações e vinhedos da Masi Tupungato

A seguir, Salentein. Aí sim uma GRANDE vinícola, com toda uma infraestrutura voltada ao turismo, e uma arquitetura muito caprichada. Aqui o maior destaque fica por conta do enólogo, o recém-contratado Pepe Galante, que durante 35 anos foi o responsável pelos vinhos da Bodega Catena Zapata, e que agora assumiu a Salentein. Um dos vinhos que provamos, o Numina 2009, já traz sua assinatura e estilo.


Imponentes instalações da Salentein (vista BEEEM de longe) com os Andes ao fundo
Ali mesmo, tivemos outra minifeira, com as vinícolas Atamisque, Diamandes, Finca La Celia, Tamarí e Clos de Los Siete, além dos donos da casa. Entre os vinhos degustados, que estão na integra no post “Argentina – Notas de Degustação” , destaco, além do já citado Numina, da Salentein, o Zhik 2007, da Tamarí, o Heritage Cabernet Franc, da Finca La Celia, e o sempre bem feito Clos de Los Siete, presente com as safras 2008 e 2009.
De volta ao hotel, nada de descanso. Antes do jantar, no ótimo Siete Cocinas, mais uma minifeira, agora com Doña Paula, Krontiras, Domínio del Plata, Zuccardi, Riglos, Família Bianchi e Altos las Hormigas. Destaque para os malbecs da Krontiras, que tem a marca Doña Silvina, e são todos biodinâmicos, além do sempre campeão Q Tempranillo, da Zuccardi, o ótimo Ben Marco Expressivo, da Domínio del Plata, o elegante e agradável Colonia las Liebres Bonarda, da Alto Las Hormigas, e o campeão da noite, o Doña Paula Seleccion de Bodega Malbec.
Já o dia seguinte, guardava aquela que seria, na opinião de todo o grupo, a melhor visita da semana. Mendel. A entrada desta pequena bodega engana. Simples e acanhada, com um prédio antigo, e Mendel guarda em seus vinhedos, em Lujan de Cuyo, o segredo de sua qualidade; vinhas de malbec de mais de 80 anos, plantadas em pé franco, sem enxertia. Por dentro, a vinícola é pequena, mas muito moderna e organizada. Já os vinhos, obra do jovem e talentoso enólogo Santiago Mayorga, são de cair o queixo. O pior deles já é muito bom! Começamos com um Semillon 2011, ainda turvo, não filtrado, muito complexo e equilibrado, com grande potencial. A seguir, o Lunta 2009, malbec de entrada da linha, com uma qualidade equivalente e de muitos vinhos tops por aí. Por fim, uma sequência de quatro vinhos impressionantes, para dizer o mínimo, Mendel Malbec 2008, Mendel Unus 2008, Mendel Unus 2006, e Mendel Malbec Finca Remota 2008. Difícil cravar qual deles foi o melhor. Por fim, fica como destaque a guarda da vinícola, feita pelo Bruno, um cão negro do tamanho de um bezerro, e manso como um gato, que esteve presente em nossa recepção e despedida.

Mendel, vinhos maiúsculos
Dali, seguimos para a última visita da viagem, a Finca Decero, bodega muito bonita e moderna, que recebeu-nos, inicialmente, para mais uma minifeira, agora com Pulenta, Norton, Séptima, Filus, Clos de Chacras, Kaiken, Pascual Toso e a própria Decero. Aqui muitos vinhos se destacaram, então deixo a recomendação para que vocês vejam as degustações na integra no post “Argentina – Notas de Degustação”, ok? Em nossa visita pelas modernas instalações da Decero, ficou para o final a boa surpresa, de provar junto do enólogo, amostras de barrica dos cinco vinhos que compõem o corte do Amano, top da Decero, eram estes dois malbec, de duas parcelas distintas de vinhedos, cabernet sauvignon, petit verdot e tannat. Uma curiosa e didática experiência para melhor compreender o resultado final.

Finca Decero
No próximo post conto um pouco sobre nosso último jantar, bem como o regresso a Buenos Aires.
Abraço e até a próxima.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

San Juan; Mais Empanadas, Mollejas e Ótimos Vinhos

Chegamos a San Juan por volta da 23 horas de quarta-feira, e fizemos o check in no ótimo Hotel Del Bono (hotel nº 3), onde recuperamos as energias após um agradável jantar. Na manhã seguinte, check out, e visita a Bodega Callia, uma das maiores da Província, pertencente ao grupo Salentein.


Garoto Propaganda


Fomos recebidos com muita competência e profissionalismo pelo enólogo Ariel Cavalier, que mostrou-nos todas as belas instalações da vinícola, e depois conduziu-nos a uma sala de degustação imponente, com uma grande mesa de pedra, no subsolo da bodega, onde pudemos provar os bons vinhos da Callia, com especial destaque para o sempre excelente Callia Magna Syrah, e o Grand Callia, seu vinho principal.



Reservatório para irrigação e sala de degustação da Callia


Depois, um almoço informal, em formato de coquetel, com mais algumas empanadas, a de milho, para muitos, foi a melhor da viagem, e as tais da mollejas, uma glândula bovina, responsável pela produção da saliva. Acreditem não sou nem de longe fã de miúdos de qualquer natureza, mas as mollejas são muito saborosas, vale se arriscar.
Seguimos então para a vizinha Casa Montes, onde faríamos a mais completa degustação da viagem, provando nada menos do que 17 vinhos, simplesmente todo o portfólio da vinícola. Em primeiro lugar, só para esclarecer, a Casa Montes não tem nenhuma ligação com a chilena Viña Montes, ok?
Os vinhos surpreenderam, com destaque para o Torrontés 2011, ainda uma amostra de tanque, e que foi o melhor branco desta casta que eu já provei, um curioso corte de syrah e tannat, da linha Ampakama, o Cabernet Franc da linha Don Baltazar, muito bom, além do vinho top da vinícola, que ainda não está no mercado, e que deve levar o nome de Casa Montes, um corte de Malbec, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Syrah e Petit Verdot, complexo e com muito potencial.


Instalações da Casa Montes


O que ficou evidente em San Juan é o grande potencial que outras castas além da Malbec, em especial a Syrah, tem naquele terroir, por certo uma agradável alternativa ao tradicional malbec mendocino presente em nosso mercado. Lembrando que as notas de degustação de todos os vinhos estão no post “Argentina – Notas de Degustação”.
Por fim, uma visita protocolar a sede do Governo da Província de San Juan, afinal, o CFI, órgão que, em parceria com a Wines of Argentina, pagou pela viagem, é um conselho vinculado aos governos de todas as províncias argentinas. Fomos muito bem recebidos pelo “Ministro del Desarrollo” (algo como nossos Secretários Estaduais), e seguimos para mais 200 km, rumo a Mendoza, maior região produtora de vinhos da Argentina.
No próximo post conto mais. Abraço e até lá.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Rumo a Chilecito!!!





No dia seguinte, terça feira, check out e saída para o aeroporto, para pegar um voo até La Rioja, e daí seguir por mais três horas de ônibus até a cidade de Chilecito, porém, nem nós nem a Wines of Argentina poderíamos superar a indomável fúria da mãe natureza. Por conta das cinza expelidas pelo vulcão chileno Puyehue, os aeroportos da capital estavam fechados para pousos e decolagens. Como o próximo voo para La Rioja seria apenas dois dias depois, saímos dali mesmo, da porta do Aeroporto, para uma jornada de 1.300 Km em um micro-ônibus. A principio, a expectativa era de 12 horas de viagem, houve até quem falasse em 10 horas! Ledo engano, foram inacreditáveis 18 horas!! Só quem já passou por uma viagem tão longa pode compreender o quão desgastante pode ser. E a tortura ainda foi intensificada por uma peculiaridade Argentina; suas estradas são quase que em linha reta, em plena planície, e praticamente sem qualquer posto e/ou habitação a beira da estrada. Consequentemente, não importa o que você faça, dormir, ler, conversar; ao olhar para fora, a impressão é de que não saímos do lugar.



A pizza de Cosquin



Almoçamos em algum lugar depois da cidade de Rosário, uma empanada um pouco oleosa, mas com um recheio de carne e cebolas caramelizadas bem interessante, e um cheese-salada simples, mas bem gostoso, acompanhado de uma Cerveza Quilmes bem gelada... Pois é, sommelier não vive só de Foie Gras e Bordeaux Premier Cru Clasée, infelizmente... No jantar, parada em Cosquin, depois de Córdoba, para uma pizza de massa alta meio suspeita, mas aquela altura do campeonato imbatível, e mais seis horas até nossa chegada em Chilecito, às 5 da manhã de quarta. Ficamos no melhor hotel da cidade (hotel nº 2), e segundo informações, o único, onde faltou água quente e calefação eficiente, mas tudo bem, o importante era ter chego a algum lugar...


Chilecito, enfim!


Depois de algumas horas de descanso seguimos para a Cooperativa La Riojana, no centro de Chilecito. A La Riojana e responsável por mais de 70% da produção de vinhos da Província de La Rioja, e é focada basicamente em vinhos jovens e varietais. As instalações são amplas, porém bem antigas, como vocês podem ver nas fotos, mas os vinhos são mais corretos e agradáveis do que as imagens podem nos levar a supor, conforme vocês podem verificar no post “Argentina – Notas de Degustação”.



Instalações da Copperativa La Riojana



Vinho e Empanadas, Dieta Equilibrada


Dali, depois de degustar alguns vinhos a comer algumas empanadas (assadas, bem sequinhas, com destaque para a de carne), seguimos para nossa segunda visita do dia, já na saída da cidade, na Valle de La Puerta.
Aqui os vinhos já eram superiores e mais bem acabados dos que os da Riojana, com destaque para o Reserva Bonarda e o Corte Gran Reserva, porém o grande destaque fica por conta dos azeites, varietais de elevada qualidade, cuja produção pudemos acompanhar ao vivo. Uma experiência bem curiosa.

Olivais da Valle de La Puerta




Tecnologia na produção de azeites e vinhos


Então, estrada! Isso mesmo, sem almoço, mais 600Km rumo a província de San Juan, mais 7 horas, que nem pareceram tão longas assim...


No próximo post, a vinícolas de San Juan. Grande abraço e ate lá.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Polvo, Tango, Frio e Altitude





E lá estávamos em Buenos Aires, no Aeroparque, as margens do Rio de La Plata, prontos para uma semana intensa. O grupo convidado pela Wines of Argentina era composto por nove pessoas, sendo estas o consultor, restauranteur e jornalista Paulo Ferreti, do Tre Ristorante e Lagar Consultoria, Simone Vaz, do Hotel Unique, Marlene Souza, do Le Pre Catelan, Vinícius Rangel, do Garcia & Rodrigues, Jocinei Melo, da Santa Adega, Alan Rocha, do Sabores Portugueses, Samuel de Oliveira, do Ostradamus e Fábio Gagliotto, da Adega Bonna Mania, além deste humilde escriba...
Após o Check In no hotel (hotel nº 1), seguimos para nossa primeira refeição, no tradicional Miramar, no centro da capital. Um restaurante antigo, simples e rústico, com um cardápio de sugestões em papel sulfite preso a uma tábua, que vocês podem ver nas fotos, porções fartas e sem frescura. Comida do dia-a-dia. Nada melhor para começar a “aclimatação”! Provei o Pulpo Galego da foto abaixo. Um polvo muito bem cozido, fartamente temperado com azeite e páprica, guarnecido de batatas cozidas, grandes e inteiras, apenas descascadas. Nada do outro mundo, mas muito gostoso.


O curioso cardápio e o Pulpo Galego do Miramar

A agradável surpresa ficou por conta do vinho; pedimos um Benegas Syrah, e para nossa surpresa a garrafa disponível era da safras 2002. Aparentemente a conservação não era das melhores, mas decidimos arriscar mesmo assim. Embora a criatura já estivesse começando a descer a ladeira, estava muito bom, evoluído, muito macio e complexo. Uma opção interessante de tinto para acompanhar meu polvo.
A seguir, programa de turista, com city tour por San Telmo, Caminito, La Boca, monumentos nacionais e alguns cochilos. O momento mais especial ficou por conta da passagem pelo estádio La Bombonera, lar do Boca Juniors, onde estava ocorrendo um partida muito especial. Naquele dia se despedia dos gramados o atacante Palermo, grande ídolo da torcida argentina pelos muitos gols que fez, e grande ídolo da torcida brasileira, pelos muitos gols que perdeu; afinal quem não se lembra daqueles três, isso mesmo, TRÊS pênaltis desperdiçados por Palermo em uma única partida contra o Brasil? Fica aqui nosso agradecimento e desejo de que o futebol argentino possa formar muitos artilheiros e batedores de pênaltis com este. Valeu Palermo!!!


Martin Palermo, Ídolo de duas nações!!!


À noite, ainda um programa turístico, com um show de Tango no tradicional Café de los Angelitos, muito bom, eu recomendo, só músicos e dançarinos profissionais, nada de pernas de pau dedicados e tirar alguns trocados dos turistas, coisa boa mesmo...


Bife de Chorizo e Tango, Alma Argentina


No dia seguinte, demos início aos trabalhos oficiais, com um seminário apresentado por Paz Levinson, melhor sommelier argentino em 2010, a respeito das diversas regiões da Argentina, com especial destaque para Salta e Patagônia, as regiões vinícolas que não teríamos a oportunidade de visitar naquela viagem. Levinson fez um completo panorama sobre a vitivinicultura de seu país, inclusive mencionando novas fronteiras de produção que começam e despontar nos departamentos de Buenos Aires e Santa Fé. Ambas as regiões, Salta e Patagônia, gozam de climas áridos. A Patagônia, ao sul, é mais fria, o que permite vinhos mais elegantes, bons espumantes, além de um bom desenvolvimento de castas de clima frio, como a Pinot Noir. Já Salta, tem como principal característica a altitude, com vinhedos que chegam até 3.100msnm. Tanta altitude, aliada a uma boa insolação e solos pobres, resulta em baixa produção de uvas, com bagos pequenos, e cascas grossas, o que leva a vinhos intensos e concentrados, de elevada qualidade.
A seguir, tivemos uma minifeira, apenas com produtores de Salta e Patagônia, visando um melhor conhecimento de seus produtos. As vinícolas presentes eram, Bodega del Fin del Mundo e Família Schroeder, de Neuquén, Patagônia, Bodega del Desierto, de La Pampa, também Patagônia, e Tukma, Félix Lavaque, El Esteco e El Porvenir, todas de Cafayate, Salta. Meu destaque especial fica por conta dos dois Torrontés da Tukma, incluindo um Gran Reserva fermentado e maturado em carvalho, o Corde Caldén, da Bodega del Desierto, muito bom, além do bom nível dos vinhos da Família Schroeder, todos acima da média. As notas completas de todos os vinhos degustados estão no post “Argentina – Notas de Degustação”.
À noite, um pulo até Palermo (o bairro, não o jogador) para um jantar em um dos melhores restaurante de Buenos Aires, o Casacruz. Ótimo ambiente e excelente comida, vale a visita. Até então, só diversão, boa comida, bons vinhos, muito conforto... Mas nada podia nos preparar para o dia seguinte...
Mas isso já é tema para o próximo post.
Abraço e até a próxima.

sábado, 25 de junho de 2011

Crônicas de Uma Jornada Argentina Adentro



2000 km em um micro- ônibus! Pode parecer insanidade, mas foi um dos mais ricos e proveitosos momentos de aprendizado que tive. Mediante um convite da Wines of Argentina, tive a oportunidade de conhecer mais a fundo os vinhos e as regiões de nosso vizinho, compreendendo melhor suas peculiaridades, e observando de perto o profundo respeito e interesse que grande parte de seus produtores tem pelo mercado brasileiro.
Com um grupo de nove profissionais de São Paulo (capital e interior), Rio de Janeiro e Florianópolis, cheguei a Buenos Aires no último dia 12, durante uma breve trégua por parte das cinzas vulcânicas que ainda estão atrapalhando os voos por lá, preparado para uma intensa programação, que envolveu palestras, degustações, minifeiras, visitas a bodegas, quatro hotéis diferentes, alguns dos melhores restaurantes argentinos (incluindo a melhor carne que eu já comi na minha vida), muito Malbec, muita Torrontés, muitas castas menos comuns em nosso mercado, algumas decepções, e os tais dos 2000 km de micro-ônibus.
São muitas história e muitos vinhos para compartilhar, e que farão parte de uma série de posts, incluindo um com todos os vinhos degustados nesta viagem e suas notas.
Então aproveitem, e embarquem comigo nesta longa viagem pelo vinho argentino.

Até a próxima.

Argentina - Notas de Degustação

Seguem aqui as notas de degustação de todos os vinhos que provei na Argentina. Mais detalhes sobre esta viagem podem ser encontrados nos próximos posts.

Salta e Patagônia

Bodega del Fin del Mundo (Neuquén-Patagônia)
- Reserva Chardonnay 2010
Agradável e típico. 3D
- Reserva Malbec 2009
Chocolate e fruta madura, com taninos finos e longa duração, leve amargor. 3D
- FIN Pinot Noir 2008
Elegante, mas com uma pontinha de álcool. Taninos delicados. 3D
- Special Blend Reserve 2007
Intenso, ainda fechado, madeira bem marcada, taninos finos. 3D

Bodega Tukma (Cafayate-Salta)
- Tukma Torrontés Reserva 2010
Leve vegetal, ervas frescas, tomilho, algo mineral, bom frescor. 4D
- Tukma Gran Reserva Torrontés 2010
Macio e longo, amanteigado, fruta bem marcada, entremeada por notas da madeira. 3D
- Tukma Malbec Reserva 2009
Fruta intensa, pimenta do reino, taninos finos, longo. 4D

El Porvenir de los Andes (Cafayate-Salta)
- Laborum Torrontés 2010
Mineral e floral; em boca, sápido e fresco. 3D
- El Porvenir 2005
Complexo e encorpado. Longo. 4D

Felix Lavaque (Cafayate-Salta)
- Félix Torrontés 2010
Off-dry, acidez insuficiente, leve amargor e álcool. 2D
Quara Reserva Torrontés 2010
Mais fresco e agradável, mas com o álcool ainda aparente. 3D
Félix 2007
Complexo e equilibrado, com ótima estrutura. 4D

Bodega El Esteco
- Don David Torrontés Reserva 2010
Boa fruta e frescor, com média/longa persistência. 3D
- Altimus 2007
Nariz intenso, com frutas negras, especiarias, tostados. Fino e longo. 4D

Bodega del Desierto (Alto Valle del Rio Colorado-La Pampa-Patagônia)
- Desierto 25/5 Sauvignon Blanc 2010
Muito fresco e cítrico, com discreto toque mineral. 3D
- Desierto 25/5 Malbec 2007
Verde, pirazina, algo rústico. 2D
- Desierto 25/5 Corte Caldén 2006
Muita especiaria, longo, amplo em boca, com finos e abundantes taninos. 4D
- Desierto Pampa 2006
Intenso, fino, com longa persistência. 3D

Família Schroeder (Neuquén-Patagônia)
- Saurus Pinot Noir Barrel Fermented 2008
Delicado, longo e de grande complexidade. 3D+
- Saurus Select Malbec 2007
Mais elegante e fresco que a média dos malbecs. 3D+
- Saurus Select Cabernet Sauvignon 2007
Muito agradável e equilibrado. 3D+
- Família Schroeder 2005
Diferente, corpo médio/alto, com longa persistência. 3D+

La Rioja

Cooperativa La Riojana (Valle de Famantina)
- Santa Florentina Torrontés Riojano 2011
Intensamente floral e frutado, sweet point, fresco e agradável, com notas de melão e pêssego branco. 3D
- Raza Malbec 2011
Fruta madura, baunilha, macio, com poucos taninos. Médio corpo. 3D
- Raza Reserva Malbec 2010
Fruta em geleia, madeira bem marcada, chocolate, tostado intenso, com poucos taninos e leve amargor. 3D
- Santa Florentina Torrontés Dolce (versão mercado americano)
Aromas de fermento, cerveja, doçura equilibrada, leve amargor e mousse grossa e rústica. 1D
- Santa Florentina Torrontés Dolce (versão mercado europeu)
Aromas mais agradáveis, porém discretos, mousse igualmente rústica. 2D

Bodega La Puerta (Valle de Famantina)
- La Puerta Alta Torrontés 2010
Fruta e florais intensos, fresco, macio e ligeiro. 3D
- La Puerta Cabernet Sauvignon 2010
Frutas vermelhas, leve álcool e amargor, taninos ligeiramente rústicos. 2D
- La Puerta Syrah 2010
Discreto vegetal, especiarias, taninos finos e média persistência, com bom frescor. 3D
- La Puerta Alta Malbec/Bonarda 2009
Notas empireumáticas, elegante, persistência média-. 3D
- La Puerta Reserva Bonarda 2007
Empireumático e floral, elegante, macio, fino e com boa persistência. 3D+
- Gran Reserva 2007
Especiarias, baunilha e tostado, médio/encorpado, taninos finos, bom frescor, média/longa persistência. 4D

San Juan

Bodega Callia (Valle de Tullum)
- Callia Reserve Torrontés 2010
Floral, típico e expressivo, com melão e pomelo. Fresco e macio, com leve álcool. 3D
- Callia Reserve Malbec 2010
Intenso e macio, com taninos redondos e média persistência. 3D+
- Callia Magna Shiraz 2009
Austero, com fruta intensa, torrefação e especiarias, longo. Precisa de algum tempo em garrafa. 4D
- Grand Callia 2008
Fruta madura, madeira bem integrada, rosas, especiarias doces, boa acidez. Meio de boca macio, com muita fruta e baunilha. Longo e fino. 4D+

Casa Montes (Valle de Tulum)
- Ampakama Chardonnay 2010
Fresco, cítrico, com abacaxis frescos, boa acidez e maciez, média persistência. 3D
- Ampakama Viognier 2010
Mais fresco e mais cítrico que o chardonnay, com algo de frutas brancas e notas florais. 3D
- Ampakama Torrontés 2011 (amostra de tanque)
Muito aromático, floral intenso, lichias e pêssegos. Fresco, discreta sapidez, boca limpa e macia, com média persistência. 4D
- Don Baltazar Chardonnay/Viognier 2010
Bom frescor, com pera fresca e flores brancas. Corpo médio +, madeira bem colocada. 3D+
- Ampakama Cabernet Sauvignon 2010
Fruta madura, leve baunilha, médio corpo, taninos finos e abundantes. 3D
- Ampakama Syrah 2010
Mais austero que o Cabernet, pimenta e noz moscada, fino, com média persistência. 3D
- Ampakama Syrah/Tannat 2010
Nariz agradável, com fruta bem madura, quase geleia, bom corpo, com finos taninos. 3D+
- Ampakama Malbec 2010
Agradável e macio, ameixa, bom frescor e médio corpo. 3D
- Ampakama Malbec/Merlot 2010
Fruta intensa, doce, fresco e aveludado, média/longa persistência, fino e macio. 3D
- Ampakama Intenso Malbec 2009
Discreto vegetal, mentol, macio, média/longa persistência, agradável baunilha. 3D
- Ampakama Intenso Cabernet Sauvignon 2009
Cassis, leve especiaria, taninos finos e abundantes, agradável, média/longa persistência. 3D+
- Don Baltazar Syrah 2008
Intenso, com madeira bem marcada em boca, taninos finos e média persistência. 3D
- Don Baltazar Cabernet Franc 2008
Fresco, frutado e floral, com boa estrutura e elegância. Agradável, com média/longa persistência. 4D
- Don Baltazar Petit Verdot 2008
Fruta em compota, baunilha, boca intensa, com taninos finos e abundantes. 3D+
- Alzamora Malbec 2007
Pleno, macio e equilibrado, com bom frescor, leve mentol. 4D
- Alzamora Syrah 2007
Bom corpo, macio, com madeira bem presente. 3D+
- Casa Montes 2007 (amostra de barrica)
Fruta intensa, complexo, com especiarias e baunilha, fresco, macio e longo, com taninos muito finos. 4D

Mendoza

Masi Tupungato (Valle de Uco)
- Paso Blanco Pinot Grigio/Torrontés 2010
Muito fresco, com os aromas da torrontés evidentes, leve e agradável, média persistência. 3D
- Paso Doble Malbec/Corvina 2009
Fruta bem madura, tostado e especiarias, leve sapidez, fresco, taninos finos e média/longa persistência. 3D+
- Paso Doble Malbec/Corvina 2008
Perfil aromático um pouco mais evoluído, com discretas notas oxidativas; na boca, mais fruta, limpo, média/longa persistência. 4D
- Corbec 2008 Corvina/Malbec
Fruta em conserva, floral e balsâmico, geleia, longo e macio, com taninos muito finos. 5D

Feira Salentein
Bodega Atamisque
- Catalpa Chardonnay 2010
Frutas tropicais e abacaxi em calda, com boa acidez e média persistência. 3D
- Catalpa Malbec 2009
Frutado, agradável, fresco e fino. 3D
- Atamisque Malbec 2008
Coloração intensa, nariz com fruta madura e madeira marcada. Médio/Encorpado, com taninos bem integrados. 3D+

Diamandes de Uco
- Diamandes de Uco Chardonnay 2010
Baunilha, frutas amarelas e ervas aromáticas. Persistência média/longa. 3D
- Diamandes de Uco Malbec 2010
Fruta intensa, com especiarias e leve floral. Taninos um pouco jovens. 3D

Salentein
- Salentein Reserve Pinot Noir 2009
Fruta fresca, sedoso, agradável e fresco. 3D
- Kilka Malbec 2009
Fruta madura, com notas discretas da madeira e finos taninos. 3D
- Numina 2009
Complexo, frutas, café, especiarias e ervas, com bom corpo, finos taninos e longa persistência. 4D+
Finca La Celia
- La Celia Reserva Malbec 2009
Bem típico, com bom frescor. 3D
- La Celia Elite 2009 (65%Malbec/35%Tannat)
Intenso, tostado e defumado, frutas negras, taninos finos e abundantes. 4D
- Heritage Cabernet Franc 2007
Elegante e fresco, com frutas maduras, taninos finos e bom corpo. 4D

Tamarí
- Tamarí Reserva Malbec 2010
Nariz fino, com muita fruta vermelha madura, macio, com média acidez e taninos finos. 3D
- Tamarí AR Malbec 2007
Coco queimado, mais frescor, bem macio, média/longa persistência. 3D+
- Zhik 2007
Madeira bem integrada e muita fruta. Longa persistência. 4D

Clos de Los Siete
- Clos de Los Siete 2009
Aroma intenso e complexo, off-dry, macio, com taninos presentes, longo. 3D+
- Clos de Los Siete 2008
Nariz mais fino, também off-dry, bom meio de boca, mais intenso, longo. 4D

Feira Executive Hotel
Krontiras
- Doña Silvina Rosado Malbec 2009
Fresco, morangos, leve amargor e média persistência. 3D
- Doña Silvina Malbec 2008
Frutado e concentrado, com taninos finos e abundantes e madeira bem marcada. 3D
- Doña Silvina Reserva Malbec 2007
Complexo, macio, fresco e longo, com um final de boca muito agradável. 4D

Doña Paula
- Doña Paula Estate Sauvignon Blanc 2010
Cítrico, com um leve vegetal, muito fresco, com média/longa persistência. 3D+
- Doña Paula Estate Malbec 2010
Nariz fino, complexo e aromático, agradável, macio e longo. 4D
- Doña Paula Seleccion de Bodega Malbec 2007
Fruta bem madura e madeira bem integrada, macio, fresco e longo. Muito bom. 5D

Domínio del Plata
- Susana Balbo Signature Malbec 2009
Intenso, tostado bem marcado, agradável em boca, taninos equilibrados. 4D
- Ben Marco Expressivo 2008
Complexo, muito fruta escura, longo, fino e agradável. 4D+
- Susana Balbo Torrontés Cosecha Tardia 2010 (Virtuoso Branco)
Nariz muito gosto, com flores, pêssegos e mel. Agradável doçura e untuosidade, apenas faltando um pouquinho de acidez. 3D+

Zuccardi
- Série A Bonarda 2009
Elegante, fresco e aromático, com média/longa persistência. 3D+
- Q Tempranillo 2007
Muito bom... Equilibrado e longo. 4D
- Zeta 2007
Nariz fino e intenso, muita fruta, baunilha, muito frescor e boa estrutura, com longa persistência. 4D

Riglos
- Riglos Gran Malbec 2008
Mineral, mais fruta na boca, fino, longo e agradável. 3D+
- Riglos Gran Cabernet Sauvignon 2008
Fruta sobre madura, redondo, taninos doces, longo e estruturado. 4D
- Riglos Gran Corte 2007 (Malbec/Cabernet Sauvignon/Cabernet Franc)
Muito elegante em boca, macio, com bom potencial de guarda. 4D

Família Bianchi
- Família Bianchi Malbec 2009
Frutas frescas, médio corpo e média/longa persistência. 3D
- Enzo Bianchi Grand Cru 2007 (85%Cabernet Sauvignon /8%Malbec/7%Petit Verdot)
Complexo e encorpado, muito macio e agradável. 4D

Altos Las Hormigas
- Colonia Las Liebres Bonarda 2009
Muito fresco e frutado. Leve e agradável. 4D
- Altos Las Hormigas Malbec UCO 2009
Nariz fino, agradável, leve, macio, média/longa persistência. 3D+
- Altos Las Hormigas Malbec Reserva 2008
Nariz elegante e intenso, longo, com taninos muito finos. 4D

Visita Mendel
- Mendel Semillon 2011
Amostra de tanque não filtrada, abacaxi, ervas, cítricos, floral e cera de abelhas. Fresco, macio, muita fruta e equilíbrio, média/longa persistência. 4D
- Lunta Malbec 2009
Muita Fruta Madura, agradável, encorpado e estruturado, intenso, taninos finos, longo. 4D
- Mendel Malbec 2008
Complexo e intenso, tostado, balsâmico, amplo, muitos e finos taninos. Uau! 5D
- Mendel Unus 2008
Linda coloração, muito brilho, complexo e elegante, bom corpo e ótimo frescor, taninos finos, longo, agradável e harmônico. 5D
- Mendel Unus 2006
Bela cor, fruta mais intensa, floral, madeira mais bem integrada, muito intenso em boca, taninos finos, muito longo. 5D
- Mendel Malbec Finca Remota 2008
Nariz mais fino, com toffe, fruta em geleia, na boca frutas mais frescas, taninos muito bem integrados, muito longo. 5D

Feira Finca Decero
Pulenta
- Pulenta Estate Sauvignon Blanc 2011
Fruta intensa e delicada, melão, limão siciliano, fresco e gostoso, com média/longa persistência. 3D+
- Pulenta Gran Cabernet Franc 2008
Mineral, floral, fruta fresca, encorpado e elegante, com um discreto amargor, longo. 3D+
- Pulenta Gran Corte 2008
Nariz delicado e complexo, bom corpo, muita fruta, leve mineral e longa persistência. 4D

Norton
- Norton Reserva Malbec 2008
Macio, frutado e típico. Média persistência. 3D
- Perdriel Coleccion Cabernet Sauvignon 2007
Fruta, especiaria e pimentão, bom corpo, finos taninos e média/longa persistência. 4D
- Privado 2008
Nariz um pouco mais intenso, boa fruta, leve tostado, leve amargor, taninos finos e média/longa persistência. 3D+

Bodega Séptima
- Séptimo Dia Cabernet Sauvignon 2009
Leve mineral, boa fruta, algo de floral, elegante e agradável. 4D
- Séptima Gran Reserva 2009 (Malbec/Cabernet Sauvignon/Tannat)
Bom nariz, amplo em boca, taninos finos, agradável. 3D+

Filus
- Filus Malbec 2010
Agradável, com boa fruta e taninos finos, mas falta um pouco de acidez. 3D
- Filus Reserve 2009
Mais complexo, com algo de especiarias e ervas, macio, com média persistência. 3D+

Clos de Chacras
- Cavas de Crianza Malbec 2008
Um pouco verde, mas agradável, arruda, menta, fresco e de médio corpo. 3D+
- Clos de Chacras Cabernet Sauvignon 2008
Fruta mais fresca, pimenta negra, leve vegetal, boa boca, retrogosto agradável. 4D
- Gran Estirpe 2006
Boa Complexidade, boa boca, com taninos finos e média/longa persistência. 4D

Kaiken
- Kaiken Corte 2008 (80%Malbec/18%Bonarda/2%Petit Verdot)
Aromático e fresco, médio, fino e agradável. 3D+
- Kaiken Ultra Malbec 2009
Fruta fresca, agradável, macio, fresco, média/longa persistência. 3D+
- Kaiken Ultra Cabernet Sauvignon 2008
Nariz mais intenso, fruta madura e tostado, caramelo, fresco, agradável e equilibrado, com taninos finos e abundantes, longevo. 4D

Pascual Toso
- Pascual Toso Cabernet Sauvignon Reserva 2008
Nariz delicado, fresco, agradável e macio, boa fruta. 3D+
- Pascual Toso Alta Reserva Syrah 2007
Especiarias e boa fruta, bom corpo, leve amargor, longo e agradável. 3D+
- Pascual Toso Single Vineyard Finca Pedregal 2006
Complexo, balsâmico, muito macio, fresco, longo e agradável. 4D

Finca Decero
- Decero Malbec 2009
Floral e frutado, fresco, médio corpo, muito agradável. 3D+
- Decero Cabernet Sauvignon 2008
Nariz delicado, complexo, frutas, especiarias e baunilha. Bom ataque e bom corpo, fino e longo. 4D
- Decero Amano 2008 (64%Malbec/30%Cabernet Sauvignon/4%Petit Verdot/2%Tannat)
Complexo e bem integrado, frutas, flores, madeira e tostados, bom corpo, fresco, longo e fino. 4D+

Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Grande Abraço e até a próxima.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Degustando os Top Ten da Expovinis







A foto acima, para alguns, pode representar um momento de diversão,mas acreditem, é trabalho duro! Certamente um trabalho prazeiroso, mas ainda assim trabalho...


Mediante um convite de Jorge Lucki, participei, pela primeira vez, do júri que elegeu o Top Ten da Expovinis. E experiência, por si só, já traz muito conhecimento, afinal, ao degustar as cegas temos a oportunidade de julgar o vinho sem preconceitos, baseados apenas no que encontramos na taça, mas, além disso, colabora também no processo a oportunidade de degustar ao lado de alguns dos mais reconhecidos e experientes degustadores do país, sendo estes Gerson Lopes (ABS-MG/ Estado de Minas), Gustavo Andrade de Paulo (ex-presidente da ABS-SP/ Wine Style), Jorge Carrara (Prazeres da Mesa/ Folha de S.Paulo), José Luiz Pagliari (SBAV-SP / Senac-SP), José Maria Santana (Gosto), Marcelo Copello (site Mar de Vinhos), Marcio Oliveira (SBAV-MG e editor do Vinotícias), e Roberto Gerosa (iG e responsável pelo Blog do Vinho), além dos responsáveis pela organização da degustação, José Ivan dos Santos e Jorge Lucki.


As degustações aconteceram da sede da Fecomercio, em São Paulo, nos dias 15 e 16 de abril. Os 156 vinhos foram divididos em dez categorias (as mesmas da premiação) e são trazidos aos degustadores já nas taças, devidamente numeradas, e na mesma temperatura. Cada jurado degusta e pontua os vinhos individualmente, sem comunicar-se com os demais, e insere as notas em um Ipad com um aplicativo desenvolvido pela Wine Tag, que já fazia os cálculos das médias, excluindo sempre a nota mais alta e a mais baixa de cada amostra. Os resultados foram divulgados apenas no primeiro dia da Expovinis. Abaixo a foto dos campeões:



Reproduzo agora uma análise do jurado Márcio Oliveira, do Boletim Vinotícias, sobre cada um dos vencedores. Vocês podem achar que foi preguiça de escrever, mas o fato é que o texto dele ficou muito bom, e bem objetivo.


" Os TOP TEN PELO JURI DO EVENTO:
■ Espumante Nacional: um painel bastante concorrido com 17 amostras. O vinho ganhador do TOP TEN foi o Casa Valduga 130 Brut (Casa Valduga). O espumante é elaborado pelo método champenoise, considerado entre os melhores espumantes do Brasil e coleciona medalhas internacionais. Com garrafa de design diferenciado e rótulo elegante, permanece após a refermentação em garrafa de 48 a 60 meses maturando.

■ Espumante Importado: poucas amostras de vinhos enviadas, saindo vencedor o único champagne do painel, o Cuvée Charles Gardet 2000 (Del Maipo).

■ Branco Sauvignon Blanc: um painel que mostrou algumas amostras bem típicas da casta, com nítidos aromas de maracujá azedo. O vencedor foi o chileno Casas Del Bosque Pequeñas Producciones Sauvignon Blanc 2009 (Obra Prima), que realmente é um vinho que arrebata prêmios por onde passa : Vinhedos plantados no Valle de Casablanca, com Sauvignon Blanc 100% e condução do vinhedo em Espaldeira. Passa 3 meses em barril de Carvalho francês. Notas de degustação: cor - amarelo palha. Origina-se no terroir mais frio do Valle de Casablanca, onde obtém grande expressividade. Uma elegante acidez, notas cítricas minerais e de grande fineza. É um vinho concentrado e com final elegante. Enólogo: David Morrison. Premiações: Medalha de Ouro Decanter Worl Wine Awards U.K. 2009 Wine Advocate U.S.A. 2008 - 91 PT Descorchados Wine Guide Chile 2008 - 93 PT Mujer & Vino Wine Guide 2008 - 1º Lugar em Brancos

■ Branco Chardonnay: painel bastante concorrido, com presença de 15 amostras. Vinhos puxando pela fruta em contraposição a vinhos bem a madeira bem integrada. Confesso que fui vencido pela qualidade do escolhido, Giaconda Nantua Vineyard Chardonnay 2005 (KMM Vinhos). A Vinícola Giaconda elabora alguns dos mais procurados e raros vinhos australianos. Estes vinhos super-premium tem estilo inspirado nas tradicionais técnicas francesas de enologia. O início humilde no início dos anos 80, com um pequeno vinhedo de três hectares e vinícola “low-tech”, feita com tijolos artesanais e granito próprio do local, surpreendeu pela qualidade. Outrora engenheiro, o proprietário e enólogo Rick Kinzbrunner (Winemaker of the Year 2003, Qantas/Australian Gourmet Traveller) lançou primeiro o Cabernet Sauvignon em 1985, seguido pelo Chardonnay 1986. Desde então, os vinhos Giaconda ascenderam a super-cult status. Em 2007, a revista inglesa Decanter o elegeu entre os “Top 10 Enólogos de Vinhos Brancos do Mundo". Sobre o vinho: Giaconda Nantua Vineyard Chardonnay 2005 - REGIÃO: Beechworth, Victoria – Austrália. Corte: 93% Chardonnay, 7% Roussanne. ÁLCOOL: 13,5%. Notas de Degustação: O vinho é totalmente fermentado em carvalho francês, sendo em 30% de barris novos. Passou por fermentação maloláctica. Originalmente a mistura era 85% Chardonnay e 15% Roussanne, conforme as videiras de Chardonnay foram envelhecendo, a quantidade de Roussanne foi sendo reduzida, sem mudar o estilo. O vinho evidencia aromas de frutas secas como aveia, avelã, e frutas amarelas como pêssego, damasco e ainda frutas tropicais. Paladar fresco e limpo com suculenta uva Chardonnay e rico na influência da Roussanne. Final excelente, textura longa, cremosa, com carvalho, notas minerais e acidez: uma soma que leva à complexidade e satisfação. Para se obter o máximo deste vinho, deve-se envelhecê-lo de dois até cinco anos.

■ Branco Outras Castas: 15 amostras no painel que revelou como vencedor o Morgado De Sta Catherina Bucelas Reserva Arinto 2008 (Interfood). Nariz elegante, fruta tropical, notas florais, defumadas e persistência aromática. Amarelo citrino, boca de grande sabor, frescura e mineralidade. O vinho descansa 9 meses sobre borras com bâtonnage. Criado com 100% Arinto. Álcool: 13,4%. Harmonização: Peixes, Aves, Queijos e Ostras. Produzido pela COMPANHIA DAS QUINTAS: A Companhia das Quintas é uma das maiores empresas portuguesas de vinhos e bebidas alcoólicas. Desde sua origem, em 1999, a Companhia das Quintas tem dinamizado fortemente o setor e hoje é uma referência em Portugal com seus vinhos oriundos de regiões emblemáticas do país.

■ Rosado: um painel onde tradicionalmente estão presentes vários vinhos provenientes da Provence. O domínio francês mostrou mais uma vez como vencedor o Château De Pourcieux Côtes De Provence 2010 (Cantu), aliás, vencedor pela quarta vez. Vinho rosé elaborado com uvas: 50% Syrah, 30% Grenache, e 20% Cinsault. Apresenta uma coloração salmão brilhante com intenso aroma de morango, frutos vermelhos e flores (lilás). Ao paladar, revela-se frutado com destaque para frutos vermelhos como morango. É um vinho refrescante e revigorante. Acompanha bem saladas, frango assado e carnes frias.

■ Tinto Nacional: outro painel muito concorrido, com 32 amostras enviadas. O vencedor foi o Pizzato DNA 99 2005 (Pizzato). Em 1999, primeira safra vinificada pela PIZZATO, foram elaboradas apenas 15.500 garrafas: O PIZZATO Merlot 1999. Ao ser lançado em setembro de 2000, o vinho passou a ser referência para o potencial do varietal merlot no Vale dos Vinhedos. Atualmente, a merlot é considerada a uva que apresenta os melhores resultados para os vinhos tintos do Brasil. A partir do mesmo vinhedo que deu origem ao grande Pizzato Merlot 1999, a Pizzato apresenta este exclusivo merlot da safra 2005, ano em que as condições de desenvolvimento das uvas foram muito próximas a safra de 1999. Vinho encorpado com bom potencial de envelhecimento, amadurecido por 9 meses em barris de carvalho francês de primeiro uso. Apresenta aromas frutados e empireumáticos na boca macio e pleno, com retrogosto prolongado.

■ Tinto Novo Mundo: painel com 28 amostras, com presença de vários malbecs argentinos sugeridos pelos taninos macios. O vencedor Jim Barry The Mcrae Wood Shiraz 2005 (KMM Vinhos) encantou-me. Vem da região de Clare Valley (Austrália do Sul), feito 100% Shiraz. ÁLCOOL: 15,5%. Em 1964 Jim Barry adquiriu 70 acres de terra de Duncan McRae Wood, na região de Armagh, em Clare Valley, pagando £50 por acre. Nas últimas três décadas, a vinícola Jim Barry acumulou considerável experiência sobre as suas videiras e os vinhos produzidos em Clare Valley. Através deste conhecimento, selecionados vinhedos de Shiraz tiveram sua produtividade reduzida para aumentar a intensidade e a qualidade da fruta. A pequena região de Clare Valley representa menos de 1.5% do total da produção australiana de vinhos. A temporada ofereceu condições perfeitas para o desenvolvimento, com uma primavera quente. Já em janeiro e fevereiro as temperaturas máximas foram levemente abaixo do normal e as chuvas que caíram foram benéficas para deixar as vinhas saudáveis. Recebeu 94 pontos de James Halliday em seu Australian Wine Companion 2009. Notas de Degustação: um belo Shiraz, mostrando vibrante coloração vermelho-rubi e violeta. O aroma apresenta frutas escuras: amora preta, framboesa e amora, com notas de violeta e noz-moscada. O paladar é denso, com sabores de ameixa, alcaçuz, cereja preta, café e especiarias. Com taninos elegantes e moderados, enquanto o final apresenta excelente persistência. Passou por 15 meses em barricas de carvalho americano. Ideal para beber agora ou aguardar até 2020.

■ Tinto Velho Mundo: 23 amostras enviadas, num painel que destacou como vencedor o Roquette & Cazes 2007 (Qualimpor). Nasceu de uma parceria entre a família Roquete da Quinta do Crasto (Douro, Portugal) e a família Cazes do Chateau Lynch-Bages (Bordeaux, França), o Roquette & Cazes é um vinho de troca de experiências e conhecimentos. Nada melhor do que aproveitar a tecnologia de vinificação francesa no “terroir” do Douro. Vinho produzido na Região Douro, a partir das castas 60% Touriga Nacional, 15% Touriga Franca e 25% Tinta Roriz. Estagiou em barricas de carvalho frances (70% novas e 30% de um ano) durante 18 meses. Apresenta uma cor rubi intensa, com excelente complexidade aromática, com notas de frutos vermelhos muito limpos, elegantes especiarias e suaves notas balsâmicas. Na boca é um vinho elegante, que evolui para um volume e estrutura compacta de taninos macios e firmes. Agradável sensação de fruto de bosque em perfeita harmonia com suaves notas de especiaria fina. Final de grande solidez, frescura e persistência.

■ Doce/fortificado: painel com 8 amostras onde o vencedor foi o Justino’s Boal 10 Years (Casa Flora e Porto a Porto), que pode ser um belo vinho de aperitivo, ou servido com queijos, segundo harmonização sugerida pelo consagrado João Pires, melhor sommelier de Portugal e que alcançou no ano passado o titulo de master sommelier, grau maior almejado para quem trabalha com a arte de servir em restaurantes e que é outorgado pela Court of Master Sommelier, fundada em 1977 - apenas 170 profissionais conseguiram o título de master sommelier até hoje."





Minhas escolhas particulares não foram, em algumas categorias, exatamente as mesmas do restante do júri, porém, em respeito ao trabalho coletivo que realizamos, me reservo ao direito de não revelá-las. No entanto, em futuros posts, devo escrever um pouco sobre alguns vinhos que chamaram minha atenção em meio a tantas amostras degustadas.



Espero que tenham gostado. Grande abraço, e até a próxima.

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