domingo, 12 de dezembro de 2010

Mais uma vez...

Mais uma vez este blog esta desatualizado, mas por um bom motivo, estava eu na Itália, entre Toscana e Piemonte, concluindo o curso de sommelier pela AIS, Associazione Italiana Sommelier. Consequentemente, temos muito tema para os próximos posts, e tão logo eu coloque alguns outros assuntos em dia, volto para contar um pouco mais sobre esta viagem e os vinhos degustados.
Abraço e até breve.

domingo, 14 de novembro de 2010

Domaine L'Oustal Blanc, com Guilherme Corrêa


Tive a oportunidade de provar estes excelentes vinhos franceses em uma degustação realizada na Enoteca Decanter, no Itaim Bibi, apresentados pelo meu amigo Guilherme Corrêa.
Para aqueles que já tiveram a oportunidade de acompanhar uma apresentação do Guilherme, é absolutamente desnecessário mencionar suas habilidades como orador. Afinal, não é por acaso que ele é, merecidamente, duas vezes o melhor sommelier do Brasil. Para aqueles que ainda não tiveram essa chance, não perca o próximo evento apresentado por ele na sua cidade. Eu garanto, se a seleção dos vinhos for por conta dele, vale cada centavo.
Mas, quanto a vinícola, o Domaine L'Oustal Blanc é uma das boas surpresas que tem surgido no sul da França nos últimos anos. O sul da França, e em especial o Languedoc-Roussilon, sempre produziu mais quantidade do que qualidade, porém, como ali as regras são menos restritivas do que em outras regiões, como Bordeaux e Bourgogne, além dos preços das terras serem mais baixos, há uma série de produtores visionários se instalando por lá.
O Domaine L'Oustal Blanc, em especial, fica na região de Minervois La Livinière, que era até recentemente uma sub-região da AOC Minervois, e recebeu sua própria AOC devido a qualidade diferenciada de seus vinhos. O casal Claude e Isabel produz ali desde 2002, numa área total de menos de 10 ha de solo de marga calcária, e conta, desde 2006, com a assessoria do respeitado enólogo Philippe Cambie.
Vale citar a exclusividade deste vinhos, produzidos em pequenas quantidades (24.000 garrafas/ano), e, segundo Guilherme, exportados a conta-gotas, o que só aumenta o privilégios de ter-los provado. Vamos então aos vinhos:

1 - Naïck Blanc 8 Vin de Table
A casta utilizada aqui é a rara Grenache Gris, obtida em vinhedos plantados em 1948. Como a casta não é permitida pelas regras da AOC, o vinhos é engarrafado como Vin de Table, não sendo, portanto, permitida a menção clara da safra, mas trata-se, no entanto, de um 2008 mineral, com notas marcadas de frutas amarelas maduras, espresso e especiarias, como canela. Quente, fresco e macio, com uma agradável sapidez e longa persistência. Muito equilibrado, não demonstrando seus 15° de álcool.
4D

2 - Naïck Rouge 7 Vin de Table
Também um Vin de Table, mas porque usa uvas Cinsault de videiras velhas de Saint-Chinian, além de Carignan, Syrah e Grenache. Agradáveis aromas de ervas e especiarias, garrigue, laranja sobremadura, cerejas e ameixas, tostado, com uma boca macia, marcada pela sapidez, quase salgada. Longo e prazeiroso.
4D

3 - Giocoso 2005
Corte de Grenache (65%), Syrah (20%) e Carignan (15%). Aromas intensos de framboesa, jabuticaba, ervas, tomilho, alcaçuz e couro. Na boca, geléia, sapidez bem marcada, boa acidez e taninos de boa qualidade. Longo.
4D

4 - Maestoso 2006
Grenache, Syrah e Carignan quase em partes iguais, resultando em um vinho ainda jovem, com austeros aromas de frutas maduras, café, tostado, especiarias e animal. Em boca, boa acidez e sapidez, com taninos finos e abundantes. Um vinho longo, agradável e complexo.
5D

5 - Prima Donna la Liviniére 2007
50 % de Grenache de videiras centenárias, complementados por 40% de Syrah e 10 % de Carignan, que resultam em um vinho intensamente frutado, mineral, com notas especiadas e animais. Na boca, fruta madura, couro, bela acidez e harmonia, além de taninos que deverão garantir ainda muitos anos a este vinho.
5D

Os vinhos do Domaine L'Oustal Blanc são importados pela Decanter.
Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Abraço e até a próxima.

sábado, 30 de outubro de 2010

Degustação - Corton-Charlemagne Louis Jadot 2005


Mais uma vez, França, mas agora na Bourgogne, terra onde reinam a Chardonnay e a Pinot Noir.
Corton-Charlemagne é um dos Grand-Crus da Bourgogne, localizado na Côte de Beaune, e partilhado pelas vilas de Aloxe-Corton e Pernand-Vergelesses. É o único Grand-Cru branco que, nas grandes safras, chega a rivalizar com o outra grande nome dos brancos da Bourgogne, Montrachet. Uma curiosidade é que em alguns dos vinhedos Grand-Cru da região são também produzidos vinhos tintos, geralmente cultivados nas encostas mais baixas.
Este 2005 da Maison Louis Jadot, em especial, apresentava uma cristalina coloração amarelo-palha, com reflexos dourados. Marcados aromas minerais e de frutos e flores brancas. Notas cítricas e de baunilha, provenientes dos 18 meses em carvalho, além de especiarias como canela e cravo. Em boca, marcada acidez, balanceada por uma textura cremosa, notas lácteas e florais, e uma estrutura que ainda permite uma longa guarda. Um vinho que confirma e valoriza o secular trabalho dos monges que demarcaram toda a Bourgogne com seus Grand e Premier-Crus.
Os vinhos da Maison-Louis Jadot são importados pela Mistral.
5D
Dúvidas sobre meus sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Abraços e até a próxima.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Degustação - Lafite-Rothschild 1999


Para encerrar este giro por Bordeaux, o primeiro Premier Cru Classé deste blog.

Trata-se de um vinho especial, que tive a oportunidade de degustar por intermédio de um cliente do Olivetto, que guardava esta garrafa para uma ocasião especial, e decidiu abri-la em seu aniversário de casamento.

Lafite-Rothschild, com certeza, é uma propriedade que dispensa maiores apresentações, tratando-se, reconhecidamente, de um dos melhores e mais procurados entre os grandes nomes do mundo do vinho. Um vinho carregado de história e que para muitos, em suas grandes safras, justifica os preços exorbitantes pagos por suas garrafas (só para esclarecer, eu não sou um destes...).

Este 1999 em especial, apresentava uma bela coloração rubi, compacta, demonstrando os anos ainda porvir. No nariz, notas terciárias delicadas, mas marcadas, com húmus e frutas secas, acompanhados de frutas vermelhas e negras maduras, entremeadas por notas especiadas. Na boca, elegância e potência, com uma boa estrutura e uma bela acidez, além de taninos bem presentes, prenunciando os anos de guarda que foram negados a esta garrafa em especial. Restou a boa lembrança de um momento especial, muito mais longa que os vários minutos de permanência do vinho em boca, um belo vinho, diga-se de passagem.

5D

Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".

Grande abraço e até a próxima.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Degustação - Château Kirwan


Conforme prometido, segue a degustação dos vinhos desta propriedade. O Château Kirwan fica localizado na comuna de Margaux, e é, em minha modesta opinião, o Bordeaux menos Bordeaux que eu já provei, tratando-se de um vinho com mais corpo e estrutura, além de uma fruta em geral bem mais madura que seus conterrâneos. Mas vejam bem, isso não significa, de modo algum, que não é um bom vinho; pelo contrário, os vinhos são muito bons, complexos, longos e instigantes, apenas não representam, sempre em minha opinião, a autenticidade do terroir bordalês. Mas, demais análises e polêmicas a parte, vamos aos vinhos.

1 - Les Charmes de Kirwan 2006
Segundo vinho do Château, já com boa maciez, mas ainda assim elegante. Muito agradável.
4D

2 - Château Kirwan 2006
Intenso e complexo, fruta bem madura, quase compota, notas de especiarias e tostado, com uma boca equilibrada, apresentando taninos finos e abundantes.
4D

Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Até a próxima, com um vinho muito especial...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Degustação - Château Branaire-Ducru


Seguindo com nossa série de degustações de Châteaux Bordalêses, chegamos agora a penúltima etapa, com o Château Branaire-Ducru. Tradicional Château de Bordeaux, pertencente a família Branaire desde 1680, e classificado em 1855 como um 4ème Cru.

1 - Du Luc de Branaire-Ducru 2006
Segundo vinho do Château, feito a partir de parreiras mais jovens, apresenta notas de frutas maduras, negras e vermelhas, baunilha e tostado das barricas. Mácie e de médio corpo, com muitos e finos taninos, só carece de um pouquinho de acidez.
4D

2 - Château Branaire-Ducru 2005
Sensivelmente jovem, fechado, dando conta de que será, por certo, um grande vinho, mas precisa, definitivamente, de mais alguns anos em garrafa.
4D

Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o posto "Degustações e Pontuações">
Abraço e até a próxima, com Château Kirwan.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Degustação Châteaux Lynch-Bages e Ormes-de-Pez


Como é comum em muitas das grandes propriedades de Bordeaux, a história de Lynch-Bages é longa, cheia de aquisições, vendas e divisões de propriedades, mas basta mencionar que as primeiras referências a esta propriedade data do século XVI, enquanto que a adoção do nome atual data do século XVIII. Fica a dica para aqueles que quiserem conhecer um pouco melhor a história do Château do site do mesmo, http://www.lynchbages.com/, que traz informações bem detalhadas.
A família Cazes, proprietária do Château, possui tambémm outras propriedades vinícolas pela França, sendo uma delas o Château Ormes-de-Pez, em Saint Estèphe, que também tivemos a oportunidade de degustar. Ormes-de-Pez é um Cru Bourgeois, classificação criada por um grupo de châteaux que ficaram de fora da classificação de 1855. Por uma iniciativa deste mesmo grupo, no início da década foi feita uma alteração na classificação, dividindo os vinhos em três níveis de qualidade, os Crus Bourgeois Exceptionnels, Crus Bourgeois Supérieurs e Crus Bourgeois. Ormes-de-Pez foi classificado no nível mais elevado, os Exceptionnels, juntamente com outras 9 propriedades, mas alguns proprietários descontentes com uma classificação mais baixa para seus vinhos conseguiram a anulação da nova classificação na justiça.
Já Lynch-Bages, classificado em 1855 como um 5ème Cru, é reconhecido como a maior injustiça da classificação de 1855, pois os predicados deste grande vinho permitiriam que ele estivesse tranquilamente entre os 2èmes Crus. Por ocasião da revisão da Classificação que se deu nos anos 70, por meio da qual Mouton-Rothschild tornou-se um Premier Cru, havia a expectativa de que Lynch-Bages também tivesse sua classificação revisada, mas, após a revisão dos Premiers Crus, e uma súbita perda de interesse por parte do Baron de Rothschild de continuar seu lobby por está revisão, todos os demais vinhos permaneceram onde estavam. Aqueles que tiverem a oportunidade de provar este grande vinho poderão, assim como eu, tirar suas próprias conclusões a respeito do assunto.
Seguem as notas de degustação:

1 - Château Ormes -de-Pez 2006
Compota e baunilha, tabaco, macio e longo, bem equilibrado, com algum potencial de guarda.
4D

2 - Château Haut-Bages Averous 2003
Segundo vinho de Lynch-Bages, criadop em 1976, e que a partir da safra 2008 mudará seu nome para Echo de Lynch-Bages (puro marketing...). Mas, independente do nome, é um belo vinho, com aromas marcados de framboesas e morangos, baunilha e tostado, mineral, com taninos muito finos e um longo final.
4D

3 - Château Lynch-Bages 2005
Um vinho grandioso, de uma safra grandiosa! Emocionante, complexo e intenso, com grande frescor. Domina a boca, levando a uma sucessão de sabores e sensações que deixa dois sentimentos claros, a certeza de que estamos diante de um vinho próximo a perfeição, e o desejo de repetir a experiência.
6D

Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
No próximo post, Lagrange. Abraços e até lá.

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