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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Vamos visitar Bordeaux e Cognac?

Vinhedo em Saint-Émilion

Como parte de nossa parceria com a LATAM Travel Shopping Frei Caneca, teremos no mês de Maio/2017 um imperdível tour por históricas vinícolas de Bordeaux, além de tradicionais produtores de Cognac!
A França é, indubitavelmente, a grande referência apra o amente de vinhos, e esse roteiro comtempla atrações únicas, como La Cité du Vin, vinícolas como Château d'Yquem e Château Margaux e tempo livre para conhecer a linda Paris.

Nosso roteiro oferece visitas únicas e especiais, selecionadas por mim, em alguns casos diretamente com as vinícolas, para garantir aos que nos acompanharem as melhores experiências e degustações.O grupo contará com meu acompanhamento em todas as atividades do roteiro, e aqueles que desejarem poderão fazer desta viagem, além de um momento agradável e lúdico, uma rica experiência de aprendizado

1 ) Dia -  14 de Maio – Domingo - São Paulo / Paris                                                                                           Apresentação ao Aeroporto de Guarulhos para embarque em Voo LATAM com destino á Paris 

2 ) Dia -  15 de Maio – Segunda-Feira – Paris / Bordeaux                                                                                   Chegada ao Aeroporto Charles de Gaulle  e conexão imediata em Voo Air France para Bordeaux. Chegada ao Aeroporto Bordeaux-Merignac e traslado privativo para o Hotel Burdigala 5* ou similar,  jantar no Restaurante Racines (Guia Michelin - Culinária Francesa e Europeia ) a 200 metros do hotel 

3 ) Dia -  16 de Maio – Terça-Feira – Bordeaux                                                                                                   Café da manhã, saída para a região de Saint-Émilion para visita ao Château Cheval Blanc com degustação. Almoço no Restaurante La Table de Catusseau  (Guia Michelin – Culinária Francesa e Europeia ) ou similar. Após, saída para visitar o Vieux Château Certan  (com degustação) situado em Pomerol. Retorno ao hotel em Bordeaux e jantar opcional. 

4 ) Dia -  17 de Maio – Quarta-Feira – Bordeaux                                                                                                  Café da manhã.  Saída para visita com degustação à famosa Les Sources de Caudalie (Château Smith Haut Lafitte) . Almoço no Restaurante “ La Grand Vigne“  dentro da vinícola (2*Michelin – Gastronomia Francesa) ou similar. Após, partida para o Château d’Yquem, para visita e degustação. Retorno ao hotel e jantar opcional   

5 ) Dia -  18 de Maio – Quinta-Feira – Bordeaux                                                                                                  Café da manhã e saída para visita ao Château la Dominique, em Saint-Émilion, para degustação. Almoço no restaurante “ Logis de La Cadene“  (Guia Michelin – Gastronomia Francesa Regional) ou similar. Após, visita ao Chateau Troplong Mondot, com degustação, e retorno ao hotel com jantar opcional

6 ) Dia -  19 de Maio – Sexta-Feira – Bordeaux                                                                                                    Café da manhã e partida em direção ao Medóc, para vista ao Château  Mouton-Rothschild, com degustação e almoço no restaurante Château Cordeillan Bages (2*Michelin – Culinária Francesa e Europeia), pertencente aos proprietários do Château Lynch-Bages, ou similar. Á tarde, visita ao Château  Margaux distante 20 Km e retorno ao hotel, com jantar opcional   

7 ) Dia -  20 de Maio – Sábado – Bordeaux / Região de Cognac  (160 Km)                                                      Café da manhã e saída para visita á famosa  La Cité Du Vin, almoço em restaurante local e partida em direção á Cognac.  Chegada e hospedagem no  Hotel Relais Chateau Moulin de L’Abbaye 4* de Charme ou similar,  localizado em Brantôme. Noite livre e jantar no restaurante do hotel  (Guia Michelin – Gastronomia Regional Francesa)  

8 ) Dia -  21 de Maio – Domingo – Região de Cognac                                                                                      Café da manhã e visita ao Château  Remy  Martin, tradicional destilaria local, com possibilidade de degustação de chocolates. Almoço no restaurante “ Le Bistrot De Claude“ (Guia Michelin – Gastronomia Francesa e Contemporânea) ou similar . Á tarde, saída para visita ao mais antigo estabelecimento da região (século XV), o Châateau de Cognac. Retorno ao hotel e jantar opcional  

9 ) Dia -  22 de Maio – Segunda-Feira – Região de Cognac                                                                              Café da manhã e dia livre para apreciar as principais atrações do Parque Natural Périgord, com noite livre e jantar opcional  

10) Dia - 23 de Maio – Terça-Feira – Região de Cognac / Angouleme  / Paris                                                  Café da manhã. Traslado privativo para a Estação Ferroviária TGV de Angoulême (59 Km) para embarque em Trem TGV, primeira classe, com destino á Paris. Chegada á Estação Ferroviária de Montparnasse e traslado privativo para o hotel  Victoria  Palace 5* ou similar. Restante do dia livre e jantar no restaurante Sacrée Fleur (Guia Michelin - Gastronomia Francesa e Steakhouse) ou similar
  
11) Dia -  24 de Maio – Quarta-Feira – Paris                                                                                                      Café da manhã. Visita guiada a Versalhes ou ao Museu do Louvre, com tarde livre. À noite, cruzeiro pelo rio Sena com jantar de despedida e retorno ao hotel no final da noite

12) Dia – 25 de Maio – Quinta-Feira -  Paris / S.Paulo                                                                                      Café da manhã e período matinal livre. No final da tarde, traslado privativo para o Aeroporto Charles de Gaulle para embarque em voo LATAM com destino á São Paulo 

13) Dia -  26 de Maio – Sexta-Feira – São Paulo                                                                                                Chegada ao Aeroporto Internacional de Guarulhos fim da viagem

Todas as visitas, passagens aéreas, hospedagens, atividades e refeições descritos acima, mais os devidos traslados, estão inclusos no pacote, que tem um valor de € 3.889,00 em apartamento duplo, ou € 4.998,00 em apartamento single. As formas de pagamento são flexíveis, incluindo aí pontos Multiplus, e os lugares são limitados; não faremos grupos muito grandes, para garantir que todos possam desfrutar da melhor forma possível desse momento.
Interessou? Entre em contato com o pessoal da LATAM Travel Frei Caneca, no telefone 11 3545 4377, ou fale com o Adilson pelo e-mail adilson.santos@agentetamviagens.com.br mencionando sempre o código DAAD072016

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O Beaujolais Nouveau, de novo...


"Esta é a época do ano em que chegam aos restaurantes de todo o mundo, no mesmo dia, em uma verdadeira operação de guerra, as garrafas do Beaujolais Nouveau, uma bebida de pouco corpo, aromas lembrando fortemente chiclete de tutti-frutti, intensa coloração azulada, e um inegável apelo às massas consumidoras.

 

Um autêntico case de marketing, o Beaujolais Nouveau é um caso emblemático de uma marca, um conceito, que se tornaram muito maiores do que o produto em si, no caso, o vinho fresquíssimo, recém-saído das cubas de fermentação, e obtido com o emprego de processos que permitem ao produtor entregar um produto com elevado nível de drinkabilty.

 

É inegável que o marketing tem importância fundamental no mundo do vinho moderno, vendendo e apresentando marcas e conceitos, não só de vinhos, mas de países e regiões inteiras, mas essa não é uma atividade isenta de dores de cabeça. Basta citar o exemplo do Champagne, nome de uma região e dos vinhos espumantes ali produzidos, e que para muitos consumidores tornou-se sinônimo do próprio produto (vinho espumante); por conta disso, a CIVC, responsável pela “marca” Champagne, vive a turras com governos e produtores mundo afora que insistem em rotular seus produtos como Champagne, ou ainda variáveis como champanha, champaña e afins. Enfim, é o preço do sucesso...

 

O outro risco é quando um produto e/ou conceito inferior, ganham uma dimensão muito maior do que a própria região de onde vem o produto, prejudicando, de certa forma, os produtos de qualidade mais elevada que vem dali. Em algum grau, regiões como Prosecco e Cava tem sofrido esse efeito, e com Beaujolais não é diferente.

 

Beaujolais é uma região logo ao sul da Bourgogne, onde reina a uva tinta Gamay. A Gamay tem potencial para produzir vinhos carnudos, suculentos, com ótima fruta e boa presença de boca, e em alguns pontos privilegiados da região, os Crus de Beaujolais, produz vinhos de mais estrutura e qualidade. Há na região produtores que entregam vinhos dos mais variados estilos e níveis de qualidade, inclusive os muito bons, que fazem vinhos de fazer inveja a muitos produtores franceses de regiões mais incensadas pela mídia.

 

Porém, as massivas ações feitas na divulgação do Beaujolais Nouveau já há décadas, criaram no consumidor médio a imagem de que toda a produção da região se resume ao Nouveau, ou seja, vinhos jovens e descompromissados, que embora não sejam ruins (para alguns), não apresentam maiores predicado qualitativos. E não é assim!

 

Vale a pena descobrir os bons produtos desta região! Dê preferência para aqueles que trazem no rótulo o nome de sua vila de origem, sejam os (bons) Crus de Beaujolais, sejam os Beaujolais Villages, de produtores já consagrados. Como tudo nesse incrível mundo que é o vinho, a melhor tática é a experimentação; prove de tudo, e tenha as suas próprias opiniões; ou, prove, de novo, o Beaujolais Nouveau, e fique, de novo, com as mesmas opiniões..."

Texto publicado originalmente em 05/01/2013 no Portal Gastrovia.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Degustação - Château Rieussec 1998 e Château d"Yquem 1998

Enfim, os doces! As melhores calorias de qualquer refeição.
Aqui, acompanhando um delicado canapé de foie gras em calda de kinkan e especiarias, e, mais tarde, uma trilogia de brullés, pudemos degustar duas jóias da vitivinicultura bordalesa, mais especificamente da comuna de Sauternes. Embora não hajam registros precisos sobre quando iniciou-se a produção de vinhos doces nesta região, existem indícios que apontam para a comercialização de vinhos doces aqui já no séc. XVII. Sauternes goza de condições muito específicas de relevo e clima, que permitem o surgimento da podridão nobre, a botrytis cinerea, praticamente todos os anos. O relevo e a presença do Ciron, tributário do rio Garonne, garantem as condições muito precisas de umidade e insolação necessárias.
Inicialmente, Rieussec, vizinho de cerca do Château de Yquem.

Esta propriedade pertencia, até a revolução francesa, ao monges Carmelitas de Langon, tendo sido então confiscada e posteriormente vendida a proprietários particulares. Após várias trocas de comando, Rieussec passou, em 1984, ao comando do Baron Eric de Rothschild, proprietário de Lafite. Desde então grandes investimentos tem sido feitos visando a melhora significativa dos vinhos ali produzidos, sempre tendo em mente o grande potencial de seu terroir, muito próximo a Yquem.
As colheitas, desde então, tem sido mais criteriosas, e a vinificação mais bem cuidada, incluindo o uso de barricas novas, e maiores estágios em madeira, sempre visando um vinho de qualidade superior; fato este que se confirma na taça.
A coloração é de um dourado intenso, com bom brilho, e boa consistência. No nariz, um toque cítrico, com casca de limão siciliano, abacaxi em calda, flores brancas, cera e mel de abelhas, além das evidentes notas de botrytis. Em boca, bom frescor, longo, macio e equilibrado, com mel evidente no retro olfato. Excelente vinho.
5D
E por fim, o ícone máximo dos vinhos doces da França, o Château d'Yquem.

Pertencente aos ingleses até 1453, quando passou ao controle francês, Yquem sempre foi reconhecido como a melhor propriedade da região. De 1785 até 1999 foi controlado pela família Lur Saluces, que levou este vinho da condição de grandioso a condição de icônico, que ele ocupa até hoje, Desde 1999 o controle acionário pertence ao grupo LVMH, e desde 2004 cabe a Pierre Lurton a direção da vinícola.
A safra de 1998 apresentou alterações climáticas que levaram a duas colheitas em Yquem, em setembro e outubro, afim de garantir a colheita apenas das melhores uvas. Vale lembrar que esta prática é comum no Château, que já chegou a ter 14 colheitas em um mesmo ano, sempre recolhendo apenas as uvas perfeitamente secas e atingidas completamente pela podridão nobre.
A coloração deste Yquem é de um belo tom dourado, com ótimo brilho, já evocando seu agradável frescor. No nariz, muito complexo, com notas balsâmicas, mel, frutas amarelas em calda, cera, caramelo, tostado, jasmim e flor de laranjeira, além de botrytis. Na boca, denso, cremoso, com bom frescor, quase viscoso, com doçura equilibrada e longo final de boca. Um belo exemplar, que faz jus a fama deste grande vinho.
5D+


Château d'Yquem ao fundo, com uma parte de seu privilegiado terroir
 A impressão geral deste painel foi bem positiva. Conforme eu já havia mencionado no primeiro post desta série, eu já havia degustado a maior parte destes vinhos, porém em ocasiões diferentes, nunca todos em uma só ocasião, como aqui. Minha opinião, em parte, permanece; grandes vinhos são grandes vinhos, de fato, porém com preços que não correspondem perfeitamente a suas qualidades. Afinal, para ficar no caso destes últimos dois, Yquem é um grande vinho sim, superior ao Rieussec sim, mas não 4 vezes melhor, embora seja, nesta safra em especial, 4 vezes mais caro.
Não me ajoelho e faço reverência a estes grandes nomes, mas reconheço que são sim merecedores de sua fama, que foi construída ao longo de séculos, e não em meras três décadas de boas notas recebidas de críticos nacionais! (Sim, isso foi uma crítica aos vinhos californianos endeusados pelo duo Parker/Wine Spectator)
Perceber a constância, a qualidade e a elegância deste belos vinhos só reforçam meu respeito pelos vinhos franceses das denominações mais tradicionais, pois saborear estas especialidades, mais do que saborear bons vinhos, sempre é saborear uma boa dose de história, história muito saborosa, diga-se de passagem!
Bom, espero que tenham gostado deste relato. Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Grande abraço e até a próxima!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Degustação - Château Lafite-Rothschild 2002 e Château Haut-Brion 1999

Apenas relembrando, para quem não acompanhou meus últimos quatro posts, venho apresentando aqui um pouco mais a respeito dos vinhos degustados durante o memorável jantar ocorrido no Olivetto Restaurante e Enoteca em novembro, do qual já passei o cardápio completo em outro post.Agora, encerrando nossa seleção de tintos, mais dois belos Premier Crus, Lafite e Haut-Brion.
Inicialmente, o Château Lafite-Rothschild 2002!

Embora esta propriedade compartilhe o sobrenome com o Château Mouton, ambas são totalmente independentes, pertencendo a ramos separados da família. O Château Lafite em especial é uma propriedade muito antiga, com os primeiros registros a seu respeito datando de 1234. Porém, assim como a Château Latour, apenas no séc. XVII a propriedade passou a gozar de maior prestígio. Nesta época Lafite, Latour e Mouton pertenciam ao mesmo dono, Jacques de Ségur. No princípio do séc XVIII, seus descendentes obtém êxito em fornecer vinho para a casa real, fazendo com que Lafite se tornasse, na época, o vinho favorito da corte francesa. Testemunho da qualidade superior do vinho já nesta época, vem dos escritos do ex-presidente americano Thomas Jefferson, então embaixador da jovem república dos Estados Unidos na França. Após alguns meses de visitas e estudos dos vinhedos e vinhos de Bordeaux, Jefferson inclusive elaborou sua própria classificação de qualidade dos vinhos da região, e apontou como os melhores vinhos justamente aqueles que, mais de 70 anos depois, seriam os quatro Premier Crus Classés originais, Lafite, Latour, Margaux e Haut-Brion.
É importante frisar que durante todo este período, as trocas de comando foram frequentes, como é comum à história de muitas propriedades bordalesas. Foi apenas mais de uma década após a classificação de 1855, mais precisamente em 1868, a o Château Lafite foi adquirido pelo Barão James de Rothschild, e passou, então, a ostentar seu sobrenome.
Hoje a propriedade é administrada pelo Barão Eric, que foi o responsável pelas recentes renovações pela qual o Château passou, com melhoria em sua estrutura, avanços tecnológicos, e aquisição de outras propriedades, na França e fora dela, como por exemplo Duhart-Millon, Rieussec, Viña Los Vascos, entre outras.
Mas, dados históricos a parte, vamos ao vinho!
A safra 2002 não foi fácil, com um inverno quente e seco, e temperaturas baixas na época da floração, o que levou a quedas de rendimento, devido ao desenvolvimento desigual das videiras. Melhoras mais próximas a colheita permitiram, apesar das quantidades menores, obter-se, ainda assim, vinhos de boa qualidade, densos, com taninos fechados, e bom potencial de guarda. A coloração ainda é de um rubi intenso, com poucos sinais de evolução; o nariz é fechado, demora a se mostrar, com notas balsâmicas, especiarias doces, castanhas e um leve floral. Em boca, ótimo frescor, fino e agradável, com taninos de boa qualidade, elegantes e bem colocados, dando suporte a um longo fim de boca. Um vinho que definitivamente ainda precisa de alguns anos de adega para mostrar o seu melhor.
5D+
Em seguida, o único Premier Cru de fora do Médoc, o Château Haut-Brion!

A propriedade existe como produtora de vinhos de alta qualidade em Péssac-Léognan desde o séc XV, e desde então passou pelas mãos de cinco famílias. Vale destacar que, na "classificação" informal feita por Thomas Jefferson, Haut-Brion era seu favorito. A propriedade foi adquirida em 1934 pelo banqueiro americano, filho de uma francesa, Clarence Dilon, e é administrada desde 2008 por seu bisneto, Príncipe Robet de Luxembourg. Outra característica importante deste vinho é seu caráter único, com marcadas notas animais, que o tornam, em geral, muito fácil de ser reconhecido em meio aos demais Premier Crus, mesmo às cegas. Isto se deve a presença de Brettanomyces, uma cepa de levedura que, embora muitos considerem um defeito, em pequenas quantidades pode acrescentar uma significativa complexidade aromática ao vinho. Aqueles que defendem a presença de Brett como um componente de complexidade, usualmente citam Haut-Brion como exemplo; afinal, seria impossível imaginar este vinho sem seu marcado caráter olfativo.
A safra de 1999 em especial foi marcada por uma série de eventos meteorológicos extremos, mas resultou, ao final, em vinhos de boa qualidade. Este Haut-Brion em particular apresenta coloração rubi intensa, com discretos reflexos grená; no nariz, uvas passas, notas animais, estábulo, especiarias e flores, tudo muito bem integrado; em boca, intenso, com muitos e finos taninos, macio, potente e longo.
5D+
Bom, espero que tenham gostado. No próximo post, sobremesas, com dois vinhosinhos da região, Château Rieussec e Château d'Yquem, ambos 1998. Até lá!
Dúvidas sobre o meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Grande abraço e até a próxima!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Degustação - Château Mouton-Rothschild 1998 e Château Latour 1999

Ok, vamos então aos Premier Crus!! Começando por aquele que é praticamente um neófito no grupo, o Château Mouton-Rothschild.
O vinho...

...e o Château.

Como muitos de vocês devem saber, os vinhos da margem esquerda de Bordeaux foram classificado em 5 níveis de qualidade em 1855, por ordem de Napoleão. A classificação completa, sua história, e mais uma série de informações mais detalhadas podem ser encontradas no site oficial dos Grands Crús Classés. Porém, nesta classificação inicial, apenas 4 propriedades receberam a honraria máxima, e Mouton Rothschild não era um destes! Ao Château Mouton coube encabeçar a listas do 2eme Crús, fato que não foi muito bem aceito pelo seu proprietário, Baron Nathaniel. O Barão havia comprado a propriedade 2 anos antes, e alterado seu nome, que até então era Château Brane-Mouton, para o nome atual. O objetivo do Barão então era tão somente servir seu próprio vinhos aos seus convidados, de modo que seus descendentes diretos não demonstraram grande interesse pelo negócio do vinho, situação que permaneceu até 1922, quando o Baron Philippe de Rothschild, então com apenas 20 anos de idade, assumiu a vinícola com entusiasmo renovado, e com o firme proposito de levar Mouton ao status de Premier Cru, propósito bem representado pelo lema então adotado pela vinícola; "Premier ne puis, Second ne daigne, Mouton suis!" (Primeiro eu não posso ser, Segundo eu não quero ser, Mouton eu sou!).
Finalmente, em junho de 1973, após anos de intenso lobby, Baron Philippe finalmente consegui que a classificação de 1855 fosse alterada pelo ministério da agricultura, incluindo Mouton-Rothschild entre os Premiers Crus. Esta foi a única alteração feita então, e nenhuma nova mudança foi feita desde 1973. Se o status é merecido ou não, isso já é uma longa história... Não provei safras o suficiente deste ou dos demais 1er Crus para poder emitir uma opinião a respeito, mas, merecido ou não, o fato é que para fins de promoção e, principalmente, preço, Mouton é um 1er Cru Classé.
Mas, vamos ao que importa, o vinho. Começando pelo rótulo, que traz uma pintura do artista mexicano Rufino Tamayo. Aliás, esta é outra curiosidade dos vinhos de Mouton; desde 1945 a cada ano um artista diferente é convidado a ilustrar seus rótulos. Esta honra já coube a gente do calibre de Pablo Picasso, Salvador Dalí, Andy Warhol, entre outros.
Já o líquido propriamente dito, apresenta coloração rubi de média/alta intensidade, com discretos reflexos grená. No nariz, complexo e fino, com leve notas minerais, fruta negra, groselha e especiaria, além de notas de caramelo e balsâmicas. Em boca, é macio, fresco, elegante, sápido, com taninos finos e abundantes e longa persistência, evocando notas de especiarias no fim de boca.
5D
Em seguida, Château Latour 1999!


Em primeiro plano a "tal" da torre, com o Château ao fundo.

A propriedade cultiva vinhas desde 1331, porém a partir do séc. XVII é que a propriedade passou a gozar de mais destaque, em função de seu proprietário na época, proprietário também dos Châteaux Lafite e Mouton. Depois de várias mudanças de proprietário, em 1993 Latou finalmente voltou a mão francesas, tendo sido adquirido por François Pinault, proprietário até os dias de hoje. Com 78 ha de vinhas, com uma média de 40 anos de idade, é reconhecido pela sua potência e fineza.
Este 1999 em particular apresenta uma intensa coloração rubi, apenas com laivos de grená, denotando ainda juventude. No nariz, concentração, com tabaco, caixa de charuto e grafite, fruta negra, cassis, e ainda notas balsâmicas, muito complexo. Em boca é intenso, complexo, com taninos firmes, finos e abundantes, sápido e fresco, com muitas frutas no longo retro olfato. Meu favorito!
5D+
Bom, espero que tenham gostado. No próximo post, Lafite e Haut Brion. Lembrando que estes vinhos, embora esteja disponíveis em várias importadoras, foram fornecidos para este evento em particular pela Wine Stock, importadora especializada em vinhos franceses, e que apresenta preços muuuito competitivos.
Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Grande abraço e até a próxima.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Degustação - Château Lynch-Bages 1999 e Le Petit Cheval 1999

Château Cheval Blanc

Ok, após uma pequena pausa de final de ano, vamos adiante conforme o prometido no post anterior, agora com os vinhos tintos, o começando com dois exemplares de elevada qualidade, por certo entre os grandes nomes da região.
Inicialmente, o Château Lynch-Bages 1999!

Já havia comentado sobre este vinho aqui, porém da safra 2005. Neste post, que pode ser acessado pelo link, você encontrará mais informações sobre o Château e um pouco de sua rica história. Aqui, vamos direto ao ponto; o vinho.

 Esta safra em especial foi uma boa safra em Bordeaux, mas não excepcional, fato que acaba se destacando com a safra seguinte, 2000, esta sim uma safra acima da média. O Lynch-Bages em especial, sempre uma boa aposta entre os bons Châteaux de Bordeaux, apresentava uma coloração já discretamente evoluida, com reflexos grená em sua coloração rubi de média/alta intensidade. No nariz, fruta fresca, muita especiaria, notas florais, e já alguns aromas terciários, como couro. Uma paleta de aromas que se mostra aos poucos, conforme o vinho respira. Já em boca, um vinho fresco, vivo, com médio corpo, com taninos muito finos, e uma longa persistência.
5D

Agora, atravessando o rio, rumo a Saint-Émilion, rumo ao Château Cheval Blanc.

Aqui uma particularidade, pois trata-se do único grande vinho de Bordeaux a utilizar um percentual superior a 50% de Cabernet Franc em seu corte. Lembrando que o solo da margem direita do rio que corta Bordeaux leva as uvas em geral a uma maturação mais lenta, o que favorece em particular a Merlot, casta de maturação mais precoce que a Cabernet Sauvignon. E foi neste terroir em particular que o Château Cheval Blanc, propriedade criada na sua configuração atual em 1871, atingiu bons resultados com a Cabernet Franc, "irmã" menos encorpada e mais delicada da Cabernet Sauvignon, e que normalmente entra em pequenas quantidades nos vinhos da região, apenas para acrescentar um pouco de frescor e notas aromáticas mais frescas e florais.
A propriedade é classificada desde 1954 com Premier Grand Cru Classé "A", classificação concedida ao vinhedo, e não ao vinho, de modo que o segundo vinho, Le Petit Cheval, também ostenta e denominação Grand Cru Classé em seu rótulo.
O 1999 em especial leva um pouco a mais de Merlot que o normal, em função de particularidades climáticas da safra que favoreceram a maturação adequada desta casta. Apresenta uma coloração rubi com reflexos grená, já denotando alguma evolução, que se confirma no nariz, com fruta vermelha madura, café espresso, caramelo e notas balsâmicas. Em boca, boa acidez, com uma pontinha de álcool, taninos muito finos e longa persistência, com discreta predominância das notas balsâmicas no retro olfato.
4D+
Bom, por hoje é só! Desejo um 2012 pleno de alegrias e realizações para todos que me acompanham por aqui, e nos vemos no próximo post, com Mouton-Rothschild e Latour.
Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Grande abraço e até a próxima.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Degustação - Dom Pérignon 2002 e Château Larrivet Haut-Brion 2005

Comecemos pelo começo! Conforme mencionei em meu último post, neste e nos próximos vou falar um pouco sobre os vinhos degustados por ocasião do Wine Dinner promovido pelo Olivetto Restaurante dia 29/11.
Mas, antes dos vinhos, preciso corrigir um lapso do último post. Faltou mencionar o motivo da realização de um evento tão especial! Nosso "jantarzinho" teve como objetivo celebrar a escolha de nossa Carta de Vinhos como a 2ª Melhor do Brasil pelo Guia 4 Rodas, atrás apenas do Curitibano Dursky, ou seja, a frente de todos os grandes restaurante de São Paulo e Rio de Janeiro. O Guia 4 Rodas dispensa apresentações, pois trata-se da mais respeitada publicação do gênero no país, classificando restaurantes segundo critérios estritamente técnicos, sem atitudes bairristas ou provincianas. Termos sido reconhecidos por esta publicação é um feito que nos enche de orgulho, e reforça nossa responsabilidade pela manutenção de um bom trabalho.
Mas, vamos aos vinhos. Começando pelo Welcome Drink.

Dom Pérignon é uma das marcas mais emblemáticas de Champagne. Sua garrafa é rótulo são facilmente reconhecidos em qualquer lugar do mundo. Pertencente a Möet et Chandon, que por sua fez pertence ao conglomerado LVMH, a marca presta homenagem ao monge que, reza a lenda, teria "descoberto" o Champagne, ou ao menos aperfeiçoado as técnicas de fabricação, permitindo ao mundo encantar-se com esta deliciosa e refrescante bebida que é o vinhos espumante.
A safra 2002 em especial, apresentou boa qualidade média, com as uvas atingindo bons níveis de maturação. O vinhos apresentou aromas de amêndoas levemente tostadas, algo de cítrico e frutas secas. Em boca, intenso, cremoso, com ótima acidez, e muito mais frutas que no nariz. Discreto amargo no final e longa persistência. Muito típico.
4D
Em seguida, Château Larrivet Haut-Brions Blanc 2005.

A propriedade em si já existe há mais de 200 anos, e teve vários nomes até 1949,  quando o então proprietário Jacques Guillemaude deu-lhe o nome atual.Em 1987 foi adquirido pelos atuais proprietários, a família Gervoson, que trouxe consigo um grupe de profissionais entusiasmados, que trouxeram a boa fama de volta a propriedade. O château conta também com a consultoria de Michel Roland.
A safra de 2005 em especial foi uma das melhores de Bordeaux já registradas, com os tintos em especial atingindo notas (e preços) altíssimos. Para os brancos a safra foi igualmente grandiosa, especialmente em Pessac-Léognan, com a vantagem que os vinhos ficam prontos mais cedo.
A vinícola não informa a proporção das castas utilizadas, mas tudo indica que as duas principais brancas autorizadas em Bordeaux estão presentes aqui. Nos vinhedos a proporção é de 60% de Sauvignon Blanc e 40% de Sémillon. O vinho apresenta boa intensidade aromática, com notas de frutas frescas, como pêssegos, algo de abacaxi, delicioso e convidativo, com um discreto mineral e ainda algo de cogumelos. Em boca, boa presença, acidez no ponto. Redondo, suculento, com cítricos e frutas amarelas em profusão, além de uma longa persistência. Um belo achado entre os grandes nomes de Bordeaux, com um preço mais civilizado...
4D+
Bom, espero que tenham gostado. No próximo post, vamos aos tintos, com Lynch-Bages e Le Petit Cheval, ambos de 1999.
 Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Grande abraço e até a próxima.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Dom Pérignon, Lynch Bages, Le Petit Cheval, Mouton, Lafite, Latour, Haut-Brion, Yquem e Rieussec. Tudo ao Mesmo Tempo Agora...

Já havia comentado em meu último post, bem como no Facebook e Twitter, sobre a realização deste evento no Olivetto Restaurante.
Família feliz e reunida...
O evento ocorreu no último dia 29, e foi um sucesso, atingindo todos os objetivo planejados. O único senão ficou por conta da substituição do Margaux 2006 por um Le Petit Cheval 1999, por motivos alheios a nossa vontade... Acontece! Mas, no final tudo dá certo! Em ocasiões diferente eu já tive a oportunidade de provar a maior parte destes vinhos (graças a minha profissão, e não ao meu saldo bancário...) mas aqui o momento foi especial! Afinal, o grande diferencial foi a oportunidade de degustar todos em sequência, e por fim desfrutar de um fantástico jantar, cuidadosamente desenhado para acompanhar estas eno-especialidades.
Em linhas gerais, posso afirmar de antemão que todos os vinhos estavam muito bons, mas vou falar deles em outros posts ok? Um para cada um. Aqui vou falar um pouco sobre o menu e o evento como um todo.
Menu do Evento (ainda com o Margaux 2006)
O formato que adotamos foi o seguinte; depois do serviço do Welcome Drink, com a Dom Pérignon, acompanhada de ostras frescas com um delicado toque de flor de sal francesa, seguimos para um degustação de todos os tintos, comentando as características de cada um deles, e encerramos a degustação com o Château d'Yquem, fantástico, como de costume...
Em seguida, o jantar! Começamos com mini-escalopes de foie gras, com uma torradinha de brioche e uma leve calda de laranjas kinkan. O objetivo aqui era óbvio; permitir aos nossos convidados experimentar na prática a clássica harmonização entre foie gras e Sauternes, e qual Sauternes melhor do que Yquem? A harmonização ficou deliciosa, com a untuosidade presente tanto no prato quanto no vinho equilibrada pela acidez do vinho e pelo toque cítrico da calda de laranjas. Sucesso unânime!
Para a entrada, um ótimo vinho branco de Péssac-Leognan, da ótima safra de 2005; o Larrivet Haut- Brion 2005. Na entrada, a cauda de lagosta grelhada recebe um toque do balsâmico de laranja, enriquecido com um toque de vinagre de Jerez, e a terrine de legumes traz um toque tostado e defumado, que harmonizou muito bem com o vinho, intenso, complexo e mineral.
Já com os pratos, e idéia era permitir que cada um testasse as possibilidades de harmonização com todos os vinhos apresentados. Começamos com os aromas e sabores rústicos e terrosos dos cogumelos e da carne do faisão, combinados com maestria pelo Chef Fábio Amaral, resultando em um prato surpreendentemente delicado, e seguimos com o kobe beef, uma carne marmorizada com gordura, de textura e sabor únicos, acompanhada de um delicado risotto feto com o arroz vialone nano e lâminas de trufas. No geral, ambos os pratos foram boas companhias para todos os vinhos, com destaque para a parceria entre o Château Mouton 1998 com o Ravioli, e o Château Latour 1999 com o Kobe Beef.
Na sobremesa, um Sauternes de alto nível, o Rieussec 1998, acompanhado de uma trilogia de Crèmes Brullé com geléia de rosas. Aqui, mais uma truque de harmonização, pois um dos brullés era salgado, feito com queijo Gorgonzola, mais uma vez para testar uma harmonização clássica; de queijos azuis com vinhos doces, e o resultado foi bom, porém não o campeão. O brullé de damascos foi a melhor combinação com este grande vinho.
De fato, salvo para alguns privilegiados, degustar tantos vinhos de alto nível, com um menu especialmente harmonizado como este, é uma experiência para repetir-se poucas vezes na vida, e que com certeza permanecerá nas memórias dos participantes.

Em tempo, os vinhos foram fornecidos pela Wine Stock, importadora especializada em grandes vinhos franceses, em especail de safras mais maduras.
Nos próximos posts, falo um pouco mais sobre os vinhos.
Grande abraço e até lá.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Harmonizando Bordeaux

Após uma pequena ausência, de volta aqui ao blog, com um pouco de harmonização. Mas não uma harmonização qualquer, e sim um jantar completo, com uma seleção de diferentes terroirs de Bordeaux!
Château Lagrange
O jantar em questão teve lugar no Olivetto Restaurante e Enoteca, em Campinas, no último dia 25; e ali tivemos a oportunidade de apresentar uma seleção de vinhos bordaleses do portfólio da Cantu Importadora, e que hoje fazem parte de nossa Carta.  Aqui tínhamos duas propostas; a primeira, do evento em si, era apresentar diferentes comunas e estilos, mostrando um pouco de nossa seleção de vinhos franceses, e dissipando um pouco do preconceito que ainda existe entre muitos consumidores, de que vinho francês bom é, necessariamente, caro.
Neste ponto, os objetivos foram atingidos! O interesse e receptividade do público foram bem positivos, e pudemos ainda contar com o competente trabalho do Chef Fábio Amaral na elaboração e confecção dos pratos que discutimos anteriormente. É importante frisar que, sempre que um evento semelhante ocorre no Olivetto, trata-se de um trabalho de quase dois meses, que passa pela seleção dos vinhos, pela elaboração do cardápio harmonizado, pelos testes, e obviamente pela divulgação e venda do evento em si. Com casa cheia, pudemos então degustar estas peças, harmonizadas com belos pratos, e conversar um pouco sobre algumas peculiaridades de Bordeaux, conforme segue:


Entrada
Vinho – Château Peyruchet Les Parcelles du Moullin 2007
Um corte de 85% de Sauvignon Blanc e 15% de Semillon. Embora o rótulo traga a AOC Bordeaux, os vinhedos ficam na comuna de Loupiac, entre Entre-Deux-Mers e Graves, com solos que combinam argilo-calcáreos e algo de cascalho. Trata-se de uma região reputada pela boa relação custo/benefício de seus vinhos, fato que se confirma neste exemplar, fresco, de leve a médio, macio e com boa persistência, além de um discreto toque mineral.
3D
Prato – Endívias e Vieiras Crocantes ao Aroma de Pêssegos
Vieiras marinadas e salteadas, empanadas e fritas, com uma camada crocante, acompanhadas de folhas de endívias e um delicado coullis de pêssegos. Uma preparação leve, pensada para acompanhar o vinho, e não suplantá-lo, função cumprida com êxito. A maciez do vinho foi bem adequada para a textura firme e ao mesmo tempo delicada das vieiras, e seu frescor balanceou de forma adequada a discreta untuosidade conferida pela fritura. Para completar, o aroma discreto do coullis de pêssego, presente também no vinho.


1º Prato


Vinho – Château Louive 2006 – Christian Veyry (Saint-Émilion)
Obtido com 80% de Merlot e 20% de Cabernet Franc, de vinhedos classificados como Grand Cru nesta denominação da margem direita do rio que corta a região. Aqui, os solos de calcário e argila favorecem a maturação da precoce Merlot, razão pela qual ela, e não a Cabernet Sauvignon, é a casta dominante deste lado do rio. O Louive, em especial, apresenta em seus 5 hectares solos variados, entre argilo-calcáreos, arenosos e argilo-arenosos. O vinho resultante é maduro, fino e elegante, com ótimo frescor e boa presença de boca, além de ricos e finos taninos.
3D+
Prato – Mil-Folhas de Roast-Beef com Ragôut de Cogumelos
A textura delicada da massa folhada, combinada ao sabor e textura do roast-beef, e ao sabor bem típico dos cogumelos frescos, com um roti de cebolas. Em termos de aromas e sabores ouve uma boa complementaridade entre vinho e prato, com o vinho levantando o prato no meio de boca e o prato reforçando o retro olfato do vinho; porém, faltou intensidade ao prato. Talvez utilizando uma carne de caça, ao invés da carne bovina no roast-beef, a harmonização seria perfeita, mas como ficou, embora tenha ido bem, ficou e impressão que podia ser melhor.


2ºPrato


Vinho – Château Tour du Roc Milon 2006 (Pauillac)
A mais emblemática comuna de Bordeaux, representada por um vinho com toda sua tipicidade. Um corte de 60% de Cabernet Sauvignon, 20% de Merlot e 15% de Cabernet Franc, complementadas por Petit Verdot e Malbec. Neste solo rico em cascalho, o vinho apresenta o tradicional caráter de Pauillac, com bom corpo, fruta madura, especiarias e algo mineral. Um bom vinho, que já ostentou, inclusive, a classificação de Cru Bourgeois nos anos 1930.
4D
Prato – Carré de Cordeiro em Crosta de Cebolas com Quenelles Crocantes de Risotto
O clássico da harmonização; Bordeaux de Pauillac e cordeiro. Os suculentos carrés levavam uma camada de crocantes cebolas desidratadas, e foram escoltados pelos quenelles. Boa complementaridade de aromas, sabores e texturas, que ilustra muito bem por que as harmonizações clássicas são, de fato, clássicas.

3º Prato


Vinho – Château Lagrange 2007 (Saint-Julien)
Presente na reputada classificação de 1855, como um Troisième Cru Classé, este corte de 65% de Cabernet Sauvignon, 28% Merlot e 7% Petit Verdot, apresenta ótima estrutura, muito frescor, aromas intensos e complexos, que vão abrindo e mudando na taça. Taninos abundantes e muito finos, equilibrados, e com um longo fim de boca. Sem dúvida um belo exemplar de Bordeaux.
4D+
Prato – Entrecôte com Crocante de Alho Poró e Purê Rustico de Lentilhas
A maciez, suculência e discreta gordurosidade do entrecôte, com um toque de roti e o sabor adocicado e terroso das lentilhas combinaram-se em uma prodigiosa harmonização com o vinho, ambos complementando-se de forma bem positiva.


Sobremesa


Vinho – Château Des Comperes Sauternes 2005
Sauternes é Sauternes... Sempre uma experiência para os sentidos. Temos aqui 90% de Semillon, 8% de Sauvignon Blanc e 2% de Muscadelle, resultando em um vinho equilibrado, untuoso, com ótimo frescor, aromas de frutos amarelos maduros, notas florais, mel e frutas secas. Sobra um pequeno amargor no final, mas nada que comprometa muito.
3D+
Prato – Abacaxi Assado com Calda de Frutas Exóticas e Sorvete de Gengibre e Canela
A melhor harmonização da noite! Perfeito casamento entre as sensações, aromas e sabores do prato e do vinho, além das diferentes temperaturas e texturas, que chamam os sentidos à atenção aos detalhes da combinação.


Lá atrás eu disse que este evento tinha duas propostas, lembram? Pois bem, a segunda era funcionar como um “aquecimento” para nosso próximo Wine Dinner. Dia 29 de novembro, celebrando a conquista do título de 2ª Melhor Carta de Vinhos do Brasil, pelo Guia 4 Rodas 2012, o Olivetto realizará em Campinas, pela primeira vez, um degustação com os 5 Premier Cru Classés de 1855, e mais o Chateau d’Yquem, seguida de um jantar mais do que especial, onde a grande estrela será o Château Lynch-Bages 1999. Uma oportunidade única para provar tantos grandes vinhos em uma só ocasião. A quem possa interessar, segue o cardápio completo do evento.


Bom, por hoje é só. Espero que tenham gostado das harmonizações propostas!
Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post “Degustações e Pontuações”.


Grande abraço e até a próxima.

domingo, 14 de novembro de 2010

Domaine L'Oustal Blanc, com Guilherme Corrêa


Tive a oportunidade de provar estes excelentes vinhos franceses em uma degustação realizada na Enoteca Decanter, no Itaim Bibi, apresentados pelo meu amigo Guilherme Corrêa.
Para aqueles que já tiveram a oportunidade de acompanhar uma apresentação do Guilherme, é absolutamente desnecessário mencionar suas habilidades como orador. Afinal, não é por acaso que ele é, merecidamente, duas vezes o melhor sommelier do Brasil. Para aqueles que ainda não tiveram essa chance, não perca o próximo evento apresentado por ele na sua cidade. Eu garanto, se a seleção dos vinhos for por conta dele, vale cada centavo.
Mas, quanto a vinícola, o Domaine L'Oustal Blanc é uma das boas surpresas que tem surgido no sul da França nos últimos anos. O sul da França, e em especial o Languedoc-Roussilon, sempre produziu mais quantidade do que qualidade, porém, como ali as regras são menos restritivas do que em outras regiões, como Bordeaux e Bourgogne, além dos preços das terras serem mais baixos, há uma série de produtores visionários se instalando por lá.
O Domaine L'Oustal Blanc, em especial, fica na região de Minervois La Livinière, que era até recentemente uma sub-região da AOC Minervois, e recebeu sua própria AOC devido a qualidade diferenciada de seus vinhos. O casal Claude e Isabel produz ali desde 2002, numa área total de menos de 10 ha de solo de marga calcária, e conta, desde 2006, com a assessoria do respeitado enólogo Philippe Cambie.
Vale citar a exclusividade deste vinhos, produzidos em pequenas quantidades (24.000 garrafas/ano), e, segundo Guilherme, exportados a conta-gotas, o que só aumenta o privilégios de ter-los provado. Vamos então aos vinhos:

1 - Naïck Blanc 8 Vin de Table
A casta utilizada aqui é a rara Grenache Gris, obtida em vinhedos plantados em 1948. Como a casta não é permitida pelas regras da AOC, o vinhos é engarrafado como Vin de Table, não sendo, portanto, permitida a menção clara da safra, mas trata-se, no entanto, de um 2008 mineral, com notas marcadas de frutas amarelas maduras, espresso e especiarias, como canela. Quente, fresco e macio, com uma agradável sapidez e longa persistência. Muito equilibrado, não demonstrando seus 15° de álcool.
4D

2 - Naïck Rouge 7 Vin de Table
Também um Vin de Table, mas porque usa uvas Cinsault de videiras velhas de Saint-Chinian, além de Carignan, Syrah e Grenache. Agradáveis aromas de ervas e especiarias, garrigue, laranja sobremadura, cerejas e ameixas, tostado, com uma boca macia, marcada pela sapidez, quase salgada. Longo e prazeiroso.
4D

3 - Giocoso 2005
Corte de Grenache (65%), Syrah (20%) e Carignan (15%). Aromas intensos de framboesa, jabuticaba, ervas, tomilho, alcaçuz e couro. Na boca, geléia, sapidez bem marcada, boa acidez e taninos de boa qualidade. Longo.
4D

4 - Maestoso 2006
Grenache, Syrah e Carignan quase em partes iguais, resultando em um vinho ainda jovem, com austeros aromas de frutas maduras, café, tostado, especiarias e animal. Em boca, boa acidez e sapidez, com taninos finos e abundantes. Um vinho longo, agradável e complexo.
5D

5 - Prima Donna la Liviniére 2007
50 % de Grenache de videiras centenárias, complementados por 40% de Syrah e 10 % de Carignan, que resultam em um vinho intensamente frutado, mineral, com notas especiadas e animais. Na boca, fruta madura, couro, bela acidez e harmonia, além de taninos que deverão garantir ainda muitos anos a este vinho.
5D

Os vinhos do Domaine L'Oustal Blanc são importados pela Decanter.
Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Abraço e até a próxima.

sábado, 30 de outubro de 2010

Degustação - Corton-Charlemagne Louis Jadot 2005


Mais uma vez, França, mas agora na Bourgogne, terra onde reinam a Chardonnay e a Pinot Noir.
Corton-Charlemagne é um dos Grand-Crus da Bourgogne, localizado na Côte de Beaune, e partilhado pelas vilas de Aloxe-Corton e Pernand-Vergelesses. É o único Grand-Cru branco que, nas grandes safras, chega a rivalizar com o outra grande nome dos brancos da Bourgogne, Montrachet. Uma curiosidade é que em alguns dos vinhedos Grand-Cru da região são também produzidos vinhos tintos, geralmente cultivados nas encostas mais baixas.
Este 2005 da Maison Louis Jadot, em especial, apresentava uma cristalina coloração amarelo-palha, com reflexos dourados. Marcados aromas minerais e de frutos e flores brancas. Notas cítricas e de baunilha, provenientes dos 18 meses em carvalho, além de especiarias como canela e cravo. Em boca, marcada acidez, balanceada por uma textura cremosa, notas lácteas e florais, e uma estrutura que ainda permite uma longa guarda. Um vinho que confirma e valoriza o secular trabalho dos monges que demarcaram toda a Bourgogne com seus Grand e Premier-Crus.
Os vinhos da Maison-Louis Jadot são importados pela Mistral.
5D
Dúvidas sobre meus sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Abraços e até a próxima.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Degustação - Lafite-Rothschild 1999


Para encerrar este giro por Bordeaux, o primeiro Premier Cru Classé deste blog.

Trata-se de um vinho especial, que tive a oportunidade de degustar por intermédio de um cliente do Olivetto, que guardava esta garrafa para uma ocasião especial, e decidiu abri-la em seu aniversário de casamento.

Lafite-Rothschild, com certeza, é uma propriedade que dispensa maiores apresentações, tratando-se, reconhecidamente, de um dos melhores e mais procurados entre os grandes nomes do mundo do vinho. Um vinho carregado de história e que para muitos, em suas grandes safras, justifica os preços exorbitantes pagos por suas garrafas (só para esclarecer, eu não sou um destes...).

Este 1999 em especial, apresentava uma bela coloração rubi, compacta, demonstrando os anos ainda porvir. No nariz, notas terciárias delicadas, mas marcadas, com húmus e frutas secas, acompanhados de frutas vermelhas e negras maduras, entremeadas por notas especiadas. Na boca, elegância e potência, com uma boa estrutura e uma bela acidez, além de taninos bem presentes, prenunciando os anos de guarda que foram negados a esta garrafa em especial. Restou a boa lembrança de um momento especial, muito mais longa que os vários minutos de permanência do vinho em boca, um belo vinho, diga-se de passagem.

5D

Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".

Grande abraço e até a próxima.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Degustação - Château Kirwan


Conforme prometido, segue a degustação dos vinhos desta propriedade. O Château Kirwan fica localizado na comuna de Margaux, e é, em minha modesta opinião, o Bordeaux menos Bordeaux que eu já provei, tratando-se de um vinho com mais corpo e estrutura, além de uma fruta em geral bem mais madura que seus conterrâneos. Mas vejam bem, isso não significa, de modo algum, que não é um bom vinho; pelo contrário, os vinhos são muito bons, complexos, longos e instigantes, apenas não representam, sempre em minha opinião, a autenticidade do terroir bordalês. Mas, demais análises e polêmicas a parte, vamos aos vinhos.

1 - Les Charmes de Kirwan 2006
Segundo vinho do Château, já com boa maciez, mas ainda assim elegante. Muito agradável.
4D

2 - Château Kirwan 2006
Intenso e complexo, fruta bem madura, quase compota, notas de especiarias e tostado, com uma boca equilibrada, apresentando taninos finos e abundantes.
4D

Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Até a próxima, com um vinho muito especial...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Degustação - Château Branaire-Ducru


Seguindo com nossa série de degustações de Châteaux Bordalêses, chegamos agora a penúltima etapa, com o Château Branaire-Ducru. Tradicional Château de Bordeaux, pertencente a família Branaire desde 1680, e classificado em 1855 como um 4ème Cru.

1 - Du Luc de Branaire-Ducru 2006
Segundo vinho do Château, feito a partir de parreiras mais jovens, apresenta notas de frutas maduras, negras e vermelhas, baunilha e tostado das barricas. Mácie e de médio corpo, com muitos e finos taninos, só carece de um pouquinho de acidez.
4D

2 - Château Branaire-Ducru 2005
Sensivelmente jovem, fechado, dando conta de que será, por certo, um grande vinho, mas precisa, definitivamente, de mais alguns anos em garrafa.
4D

Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o posto "Degustações e Pontuações">
Abraço e até a próxima, com Château Kirwan.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Degustação Châteaux Lynch-Bages e Ormes-de-Pez


Como é comum em muitas das grandes propriedades de Bordeaux, a história de Lynch-Bages é longa, cheia de aquisições, vendas e divisões de propriedades, mas basta mencionar que as primeiras referências a esta propriedade data do século XVI, enquanto que a adoção do nome atual data do século XVIII. Fica a dica para aqueles que quiserem conhecer um pouco melhor a história do Château do site do mesmo, http://www.lynchbages.com/, que traz informações bem detalhadas.
A família Cazes, proprietária do Château, possui tambémm outras propriedades vinícolas pela França, sendo uma delas o Château Ormes-de-Pez, em Saint Estèphe, que também tivemos a oportunidade de degustar. Ormes-de-Pez é um Cru Bourgeois, classificação criada por um grupo de châteaux que ficaram de fora da classificação de 1855. Por uma iniciativa deste mesmo grupo, no início da década foi feita uma alteração na classificação, dividindo os vinhos em três níveis de qualidade, os Crus Bourgeois Exceptionnels, Crus Bourgeois Supérieurs e Crus Bourgeois. Ormes-de-Pez foi classificado no nível mais elevado, os Exceptionnels, juntamente com outras 9 propriedades, mas alguns proprietários descontentes com uma classificação mais baixa para seus vinhos conseguiram a anulação da nova classificação na justiça.
Já Lynch-Bages, classificado em 1855 como um 5ème Cru, é reconhecido como a maior injustiça da classificação de 1855, pois os predicados deste grande vinho permitiriam que ele estivesse tranquilamente entre os 2èmes Crus. Por ocasião da revisão da Classificação que se deu nos anos 70, por meio da qual Mouton-Rothschild tornou-se um Premier Cru, havia a expectativa de que Lynch-Bages também tivesse sua classificação revisada, mas, após a revisão dos Premiers Crus, e uma súbita perda de interesse por parte do Baron de Rothschild de continuar seu lobby por está revisão, todos os demais vinhos permaneceram onde estavam. Aqueles que tiverem a oportunidade de provar este grande vinho poderão, assim como eu, tirar suas próprias conclusões a respeito do assunto.
Seguem as notas de degustação:

1 - Château Ormes -de-Pez 2006
Compota e baunilha, tabaco, macio e longo, bem equilibrado, com algum potencial de guarda.
4D

2 - Château Haut-Bages Averous 2003
Segundo vinho de Lynch-Bages, criadop em 1976, e que a partir da safra 2008 mudará seu nome para Echo de Lynch-Bages (puro marketing...). Mas, independente do nome, é um belo vinho, com aromas marcados de framboesas e morangos, baunilha e tostado, mineral, com taninos muito finos e um longo final.
4D

3 - Château Lynch-Bages 2005
Um vinho grandioso, de uma safra grandiosa! Emocionante, complexo e intenso, com grande frescor. Domina a boca, levando a uma sucessão de sabores e sensações que deixa dois sentimentos claros, a certeza de que estamos diante de um vinho próximo a perfeição, e o desejo de repetir a experiência.
6D

Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
No próximo post, Lagrange. Abraços e até lá.

sábado, 9 de outubro de 2010

Degustação Léoville e Langoa-Barton


Dois grandes Châteaux de Bordeaux, pertencentes a uma única família. Foi Hugh Barton que, em 1821, adquiriu o Château Langoa-Barton, e em 1826 adquiriu uma parte da propriedade Léoville, constituindo, assim, o Château Léoville-Barton. Ambas as propriedades foram classificadas em 1855, sendo o Château Langoa-Barton um 3ème Cru e o Château Léoville-Barton um 2ème Cru. Foram três os vinhos apresentados, La Reserve de Léoville Barton (segundo vinho), e os dois vinhos principais.

1 - La Reserve de Léoville-Barton 2007
Fruta bem madura, quase geléia, taninos finos e abundantes, equilibrado e com média persistência.
3D

2 - Château Langoa-Barton 2004
Fruta bem presente, especiarias, em boca fresco e frutado, agradável e elegante.
4D

3 - Château Léoville-Barton 2006
Notas balsâmicas, fruta madura negra, complexo, intenso em boca, fino, elegante e longo. Muito equilibrado.
5D

Dúvidas sobre meu sistema de classificação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
No próximo post, Château Phélan-Ségur. Até lá e abraço a todos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Degustação - Cos d'Estournel


Dentre as várias oportunidades que nós sommeliers temos de participar de feiras e degustações, poucas são aquelas em que temos a oportunidade de provar vinhos realmente diferenciados. A degustação da qual participei mês passado, a convite da Mistral Importadora, foi uma destas ocasiões.
Por iniciativa da Mistral, foram reunidos nove grandes Châteaux de Bordeaux, representados por seus proprietários ou enólogos, que apresentaram ao público brasileiro suas jóias. E nada de vinhos encalhados de safras pouco procuradas! A grande maioria apresentou os vinhos da elogiada e disputada safra de 2005.
Ao longo dos próximos posts comentarei por aqui minhas impressões sobre os vinhos degustados, acrescentando alguma informações pertinentes sobre os produtores.
Para começar, Château Cos d'Estournel, que compareceu com quase todos os seus produtos, menos o Château Marbuzet.
Os vinhedos de Cos d'Estournel ficam em Saint-Estèphe, mas produz também em Médoc os vinhos mais modernos da linha Goulée, e no norte de Médoc o Cos d'Estournel Blanc (criado em 2005) e o Goulée Blanc. Cos d'Estornel foi criado em 1811, por Louis Gaspard d'Estournel, que herdou a propriedade de Cos e soube reconhecer suas qualidades diferenciadas, passando então a vinificar as uvas ali colhidas em separado. Dois anos após a morte de seu fundados, em 1853, Cos d'Estournel foi classificado como Deuxiéme Cru Classé, na até hoje respeitada Classificação de Bordeaux de 1855, sendo aí o vinho de Saint-Estèphe melhor classificado. Para muitos, Cos d'Estournel rivaliza com os cinco Premier Cru Classé, tanto em qualidade quanto em preço, ficando assim numa categoria informal à parte, os "Super-Deuxiémes".
Os vinhos degustados foram:

1 - Goulée Blanc 2005
80% Sauvignon Blanc e 20% Sémillon, cítrico, com uma discreta nota vegetal, vivo, médios corpo e persistência, complexo.
3D

2 - Cos d'Estournel Blanc 2007
Com o mesmo corte do Goulée Blanc e passagem por barricas de segundo uso, o vinhedo de brancas mais ao norte de Bordeaux oferece um vinho com um frutado mais intenso que o Goulée, leve toque mineral e média persistência.
3D

3 - Goulée Rouge 2004
80% Cabernet Sauvignon e 20% Merlot, com 14 meses em barricas, 50% de 1° uso, um vinho com frutas maduras, um leve toque tostado e especiado e taninos macios, agradáveis. Não é tão impressionante, mas foi a primeira safra deste vinho, logo ainda não tinham encontrado o ajuste fino.
3D

4 - Les Pagodes de Cos 2001
O segundo vinho do Château, de um bom ano, com 55% Cabernet Sauvignon e 45% Merlot. Uma curiosidade sobre este vinho e que ele e o Cos d'Estournel são um só vinho, produzidos da mesma forma, sendo separados barrica por barrica após sua maturação. Notas defumadas e tostadas, fruta madura e elegante, com taninos finos e longa persistência, sem dúvida um grande vinho.
4D

5 - Cos d'Estournel 2001
Um grande vinho, ainda com muitos anos pela frente. Coloração profunda, notas de frutas maduras, defumado, tabaco, especiarias e baunilha. Na boca, fino e ao mesmo tempo potente, com abundantes e maduros taninos, e um longo e agradável final de boca. Informações do Château dão conta de que os vinhos da safra de 1870 ainda estão em grande forma, mas eu não conseguiria esperar 140 anos para provar um vinhos como este!
5D

No próximo post tem mais Bordeaux.
Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Abraço e até a próxima.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

4º Encontro Grand Cru de Sommeliers

A Grand Cru Importadora realizou em março a 4º edição deste evento. Trata-se de uma iniciativa um pouco diferente das demais importadoras, que, em geral, realizam ou participam de feiras (assim como a Grand Cru) onde apresentam seus produtos aos profissionais do setor, bem como ao público em geral, porém, neste encontro realizado anualmente, a Grand Cru tem a oportunidade de, num ambiente mais descontraído (este ano o encontro foi no Guarujá), apresentar seus produtos diretamente àqueles que serão responsáveis por sua venda e serviço em restaurantes e lojas especializadas. Deixo aqui meu aplauso a esta iniciativa de valorizar o profissional do vinho.
Durante o evento, tivemos a oportunidade de provar vinhos de quatro vinícolas (Escorihuela Gascón, Tabalí, Leyda e Feudo Macari) apresentados por seus representantes, degustações sobre as quais falarei em futuros posts, porém, o evento começou com uma interessante degustação conduzida por Fabiano Aurélio, promissor sommelier da importadora. Nesta degustação Fabiano apresentou uma seleção de bons vinhos do velho mundo, com preços abaixo de R$ 100,00, salvo o último, que custa R$ 165,00. Todos vinhos de boa qualidade, e com uma boa relação preço/prazer, fato que, quando se trata de vinhos europeus, exige algum conhecimento do comprador para fugir de algumas "roubadas" (Baron d'Arignac?! Alguém??). Seguem os vinhos e suas notas:

1 - Macôn-Lugny St, Pierre 2008 - Bouchard Père et Fils - Borgonha/França
100% Chardonnay
Nariz agradável, embora não muito expressivo, boa acidez e duração. Correto.
3D

2 - Flor d'Englora 2006 - Celler Baronia del Montsant - Montsant/Espanha
Corte de Garnacha, Carigneña, Merlot, Syrah e Ull d'Llebre
Fresco e frutado, com boa acidez e médio corpo, longo e de finos taninos.
4D

3 - Cotês du Ventoux 2007 - Delas Freres - Rhône/França
80%Grenache e 20%Syrah
Sobra um pouquinho de álcool, mas é muito bom. Gostoso, com taninos finos e bem colocados.
4D

4 - Pian di Conte IGT 2007 - Talenti - Toscana/Itália
Sangiovese Grosso, Syrah, Canaiolo e Colorino
Nariz rústico, com um toque animal, bem italiano, médio/encorpado e macio, média duração.
3D

5 - Enate Crianza 2005 - Bodegas Enate - Somontano/Espanha
Tempranillo e Cabernet Sauvignon
Fruta madura, com notas tostadas, toffe, bom corpo, taninos finos, longo e equilibrado.
3D

6 - Predicador 2006 - Contador de Benjamin Romeo - Rioja/Espanha
Ainda um pouco fechado, off-dry, notas de compota e fumaça, boa acidez e adstrigência, um pouquinho pesado, mas ainda assim equilibrado.
4D

A avaliação geral foi positiva, e demonstra que podemos sim ter boas experiências com vinhos europeus sem a necessidade de estourar o cartão de crédito. Em complemento aos vinhos, a apresentação de Fabiano foi bem objetiva, abordando justamente os aspectos mais relevantes aos profissionais ali presentes.
Nos próximos posts conto mais um pouco.
Dúvidas sobre meus sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Abraço e até a próxima.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Degustação - Savennières Clos Du Papillon 2004


Um belo vinho branco! E com muita história.

Este Savennières e produzido pelo talentoso enólogo M. Baumard, proprietário da Domaine des Baumard, em Rochefort, no Vale do Loire. Como todo Savennièrs, trata-se de um Chenin Blanc 100%, casta branca que muito me agrada, e na qual esta vinícola se especializou. O nome do vinho, Clos du Papillon (Vinhedo da Borboleta), deve-se ao formato do vinhedo, semelhante a uma borboleta, do qual o Domaines des Baumard e proprietário da parte oriental.

Outra particularidade é que o vinho utiliza uma tampa de rosca (Srew Cap), assim como todos os vinhos desta vinícola, mesmo os mais caros, como o vinho de sobremesa Quart de Chaumes, que em suas melhores safras chega a ser comparado com o mítico Chateau d"Yquem. A tampa de rosca é uma opção de qualidade do enólogo, que acredita ser esta uma forma de vedação mais eficiente, mesmo para os vinhos de longa guarda.

Aqui um parênteses, a discussão "Rolha ou Screw Cap" é longa, e prometo tratar deste tema no futuro, mas não hoje, porém, a quem possa interessar, eu fico do lado do Screw Cap.

Mas, vamos ao vinho. A coloração é de um adorável amarelo palha, com reflexos citrinos, límpido e brilhante. No nariz, um vinho fresco, mineral, com notas marcadas de frutas brancas, como pêras, e um leve toque floral. Na boca, muita acidez, untuoso, mas ao mesmo tempo muito fresco, um branco de médio corpo e longo final.

Dentro de minha escala de avaliação, classifico este vinho como 4D.

Dúvidas sobre meus sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".

Abraços e até a próxima!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Degustação - Elegance de Lesparre


Eis um vinho diferente... Num universo onde, cada vez mais, os produtores buscam transformar as castas em marcas, de modo que o consumidor saiba de antemão o que esperar de um determinado vinho, este branco produzido por Michel Gonet, na região de Entre-Deux-Mer, e importado pela Vitis Vinífera, vem para fugir do lugar comum.

Em primeiro lugar, o vinho é um singelo Vin de Table; a mais simples classificação para um vinho francês. Logo, o vinho não é safrado (embora o importador informe que se trata de um 2004), nem tampouco traz a região de produção no rótulo.

Além disso, o vinho e produzido dentro das mais antigas tradições da região, fermentado e envelhecido em madeira, e passando por toda a fermentação maloláctica. Em função disso, embora trate-se de um Sauvignon Blanc 100%, não encontraremos neste vinho nada daquilo que se espera de um Sauvignon Blanc.

Começando pela bela coloração amarela, com reflexos dourados, só um pouco mais claro que um vinho de sobremesa, porém menos untuoso, com poucas lágrimas, resultado dos apenas 12,5° alcoólicos.

No nariz o vinho evoca frutas como pessêgos, abacaxis e damascos bem maduros, baunilha, notas lácteas, um leve tom oxidado, abrindo após alguns minutos para notas bem claras e agradáveis de amêndoas amargas.

Na boca é um vinho de baixa acidez (até um pouco chato), mas untuoso e saboroso. Apesar do pouco corpo tem uma longa e agradável persistência.

Vale pelo inusitado, mas é, também, um bom vinho. Em minha escala de pontuação classifico este vinho como 3D.

Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o Post "Degustações e Pontuações"

Abraço e até a próxima

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