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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Setúbal – António Saramago e o Fim da Jornada

Como tudo o que é bom tem um fim, com esta viajem por Portugal não seria diferente... Depois de nossa visita a Quinta das Bagéiras, na Bairrada, rumamos de volta a Lisboa, para o último estágio de nossa jornada. No caminho, falaram alto o turismo e a religiosidade, e fizemos uma breve parada (50min) em Fátima, para conhecer o santuário, e chegamos a Lisboa já durante a noite.

Santuário de Nossa Senhora de Fátima
Lisboa...
No dia seguinte, meio período para conhecer a cidade, caçar um Queijo da Serra da Estrela, que ainda não tínhamos provado, e no fim da tarde, rumo sul, novamente para Setúbal, agora para uma visita e jantar na companhia do Mestre António Saramago. Já falei um pouco de António Saramago no post “Alentejo – Vinícolas Monte da Ravasqueira e Herdade dos Coelheiros”, mas ali estávamos provando os vinhos da Coelheiros, vinícola que, embora tenha a imagem de seus vinhos intimamente ligada a Saramago, não pertence a ele. Logo, conhecer a “casa” do mestre, e provar seus grandes vinhos in loco, seria uma oportunidade mais do que especial.

O delicioso Queijo da Serra da Estrela. E eu garanto que essa Coca Cola não é minha...
Coloquei o “casa” entre parênteses ali em cima por um motivo. Ao contrário do que muitos possam imaginar, a António Saramago Vinhos não possui cantina, e aliás, nem vinhedos!!! Pois é, ao longo de décadas atuando no mercado, Saramago cultivou uma preciosa rede de contatos na região de Setúbal, rede esta que permite a produção de grandes vinhos, verdadeiramente diferenciados, sem a necessidade nem de cantina, nem de vinhas. Saramago aluga um espaço ocioso dentro de outra vinícola, onde ele vinifica, matura, engarrafa e armazena seus vinhos, e compra as uvas de terceiros, mas apenas a melhor uva, dos melhores produtores, como seria de se esperar. Apenas no Alentejo, onde produz os já citados aqui Scancio Reserve e Private Selection, é que a António Saramago Vinhos possui vinhedos, mas não em sua região-sede, a Península de Setúbal.

Saramago no seu "habitat"
Em nossa breve visitas ao local de produção de seus vinhos, Saramago deu-nos a oportunidade de provar, ainda nas barricas, sua última criação, um Castelão topo de gama, que deverá ficar entre o seu ícone, o Dúvida, e o também Castelão António Saramago Reserva. Vem mais um grande vinho por aí, com muita concentração, mas desde já grande elegância em boca, com taninos muito finos. Os meses que ainda passará nas barricas lhe fará bem...

Não sei qual vinho vai sair daqui, mais eu sei que vai ser bom!
Seguimos, então, para nosso jantar de encerramento, na casa de Saramago, e na companhia de toda sua família, os filhos, Nuno e António, a nora Vânia, e, muito mais importante que o próprio António Saramago, a simpatia em pessoa, sua esposa, Dona Ausenda Saramago, um doce...

Em tão ilustres companhias, pudemos encerrar em grande estilo nossa jornada, com um jantar impecável, e a degustação dos demais vinhos do Mestre, conforme segue:

1 – Risco Branco 2009
Vinho regional, corte de Arinto e Fernão Pires, com nariz cítrico, leve floral e mineral. Em boca, sápido, fresco, de média persistência.
3D+

2 – Risco Tinto 2009
100% Castelão, com um belo tom rubi, nariz de frutos vermelhos frescos, e uma pontinha de tostado. Em boca, mais fruta, taninos macios, finos, bom frescor e equilíbrio, com média/longa persistência.
3D+

3 – Risco Reserva Tinto 2009
Corte de Alicante Bouschet, Castelão, Cabernet Sauvignon e Trincadeira, com frutos mais maduros, especiarias, discreto vegetal, macio, com muitos e finos taninos, e retro gosto a baunilha e tostado.
4D

4 – António Saramago Reserva 2009
Elegante corte de Castelão, Touriga Nacional e Alicante Bouschet, com notas balsâmicas, fruta em compota, terciário. Taninos finos e equilibrados, bom frescor, macio e longo. Um vinho de classe e estilo.
5D

5 – Dúvida 2005
Alentejano. Um grande vinho, eleito o melhor de Portugal em 2009, um corte de Aragonês, Trincadeira e Grand Noir, encorpado denso, com frutas negras, flores, especiarias, caramelo e cacau torrado. Em boca, fino, elegante, amplo e longo, muito longo.
5D

6 – JMS Moscatel de Setúbal Superior 1993
O “bombomzinho” de Saramago, vinho superior, do qual apenas 1000 meias garrafas foram produzidas, em homenagem ao pai do enólogo. Servido ao fim do jantar, como um brinde de encerramento, não só ao jantar, mas a toda nossa viagem. Um vinho que faz jus a sua raridade, muito complexo, com uma linda coloração âmbar, cascas de laranja, mel, frutas em compota, especiarias, notas oxidativas e balsâmicas. Em boca, cremoso, untuoso, intensamente doce, com excelente equilíbrio, garantido pela sua ótima acidez. Interminável e perfeito...
6D

Depois deste verdadeiro néctar, hotel, e no dia seguinte aeroporto, de volta ao Brasil. Ficaram só as saudades de Portugal, ...e os quilos acumulados...

Saudades de Portugal...
O premio pela vitória no Portugal Wine Expert São Paulo não poderia ter sido melhor. Esta viagem foi um aprendizado único, de valor inestimável. A ViniPortugal deixo meu sincero agradecimento, pelo apoio dado a esta iniciativa, que por certo contribuiu de forma decisiva em reforçar a imagem do vinho português no Brasil.

Isso tudo não seria possível também sem a iniciativa do Sommelier José Carlos Santanita, responsável pela organização, e sem a participação decisiva de sua empresa, a Wine Academy Portugal, que já tem um papel de destaque no enoturismo regional em Arraiolos, Alentejo, e tem desenvolvido no Brasil um trabalho muito significativo, voltado à formação de profissionais, e também a maior difusão da cultura do vinho entre leigos e connoisseurs. Para quem estiver a caminho de Portugal (ou já estiver por aí...) recomendo uma visita ao site da Wine Academy.

Deixo também meu agradecimento aos produtores que apoiaram esta ação, foi um grande prazer poder visitar tantas e tão variadas vinícolas, compondo um panorama mais amplo de tudo o que Portugal tem a oferecer-nos.

Bom, Portugal fica por aqui, ou pelo menos esta viagem. Nos próximos posts, voltamos a conversar sobre outros temas. Espero que vocês tenham gostado, e agradeço a todos que, de alguma forma, me acompanharam nesta jornada.

Dúvidas sobre o meu sistema de pontuação? Leia o post “Degustações e Pontuações”.

Grande abraço e até a próxima.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Alentejo – Vinícolas Monte da Ravasqueira e Herdade dos Coelheiros

Começamos o dia pela Monte da Ravasqueira, bela propriedade localizada em Arraiolos, cidade famosa por seus tapetes. A Ravasqueira faz parte de um projeto mais amplo, que envolve a produção de azeite, mel, cortiça e a criação de cavalos lusitanos, além do enoturismo, preocupação que pudemos observar em mais de uma vinícola ao longo da viagem. Ali pudemos visitar os vinhedos, que incluem além das tradicionais castas portuguesas, como arinto, antão vaz, trincadeira e touriga nacional, mais comuns no Alentejo, outras castas menos comuns, como alvarinho, viognier, petit verdot e outras. As instalações são modernas, e a produção conta com a consultoria do talentoso enólogo Rui Reguinga.


Acima, cascas de sobreiro secando ao sol antes de seguir para o fabricante de rolhas; abaixo, montado da Ravasqueira, com seus sobreiros, oliveiras e cavalos.

Para a degustação, foram apresentados quatro vinhos, com suas notas a seguir:



1 – Monte da Ravasqueira Branco 2010
Corte de Alvarinho, Viognier e Arinto, fermentado 80% em inox e 205 em carvalho. Apresenta-se fresco, com notas de cítricos, maçãs, pêssegos e ervas, com um discreto amargor no final e média/longa persistência.

3D+


2 – Monte da Ravasqueira Rose 2010
Obtido a partir das castas Alfrocheiro, Aragonês e Touriga Franca. Intenso, floral e frutado, tutti-frutti, agradável e fresco.

3D+


3 – Monte da Ravasqueira Tinto 2010
Syrah, Alicate Bouschet, Touriga Nacional, Aragonês, Trincadeira, Touriga Franca e Petit Verdot, resultando num vinho aromático e complexo, mas ainda um pouco nervoso pela juventude, com algo de floral na boca. Muitos taninos, finos, mas ainda jovens, com média/longa persistência. Precisa de tempo...

3D+


4 – Vinha das Romãs 2008
Principalmente Syrah e Touriga Nacional, com pequenos acréscimos de Alicate Bouschet e Touriga Franca, passando nove meses em barricas novas. Fruta bem madura, integrada com a madeira, baunilha e especiarias, com bom frescor e adstringência, muitos e finos taninos, muito longo.

4D+


Pudemos também provar o azeite, produzido apenas em pequenas quantidades, para venda no local, muito aromático e equilibrado. Uma curiosidade ficou por conta da ampla coleção de carroças e charretes do proprietário, algumas com mais de 200 anos, todas restauradas e catalogadas, num museu dentro da vinícola.

Vinhedos da Ravasqueira



Em seguida, fomos a Herdade dos Coelheiros, propriedade familiar com cerca de 800 hectares, e que além de bons vinhos, produz azeites, cortiça, e conta com o maior pomar de nogueiras da Europa, produzindo nozes de 6 variedades diferentes. Quanto aos vinhos, a Herdade conta desde o início com a consultoria do Mestre António Saramago, que, para nossa surpresa, guiou-nos em nossa visita.




Entrada da Herdade dos Coelheiros e o Mestre António Saramago


Para aqueles por algum motivo obscuro não conheçam António Saramago, saibam que se trata, apenas, de um dos maiores enólogos em atividade, não só em Portugal, mas em todo o mundo. Formado em Bordeaux, entre outros, pelos grandes enólogos Peynaud e Riberau-Gayon, surpreende tanto pelo seu grande talento e pelas suas grandes criações, como pela sua humildade e acessibilidade, algo infelizmente não tão comum entre os grandes nomes do mundo do vinho.
As instalações da Herdade são muito organizadas e modernas, contando inclusive com uma ampla câmara fria, onde repousam as barricas dos vinhos brancos que deverão fermentar ali. Os vinho são fermentados por parcelas, conforme suas características particulares, para só depois serem feitos os cortes. São utilizadas castas regionais, com algo de chardonnay, syrah, merlot e cabernet sauvignon, porém, os vinhos principais da casa, tanto tintos como brancos, já tem predominância das castas francesas, tendo em vista que tanto o proprietário da Herdade, quanto o enólogo Saramago são francófilos assumidos.




O tranquilo repouso dos vinhos da Herdade


Degustamos ao todo nove vinhos, quase toda a linha da vinícola, conforme segue:


1 – Ciranda Branco 2009
Antão Vaz, Roupeiro e Arinto, com frutas amarelas e ervas, ótima acidez, algo de lima, média persistência.

3D


2 – Vinha da Tapada Branco 2010
Roupeiro, Antão Vaz e Arinto, mais floral, com alguma fruta, boca fresca e macia, sápido, com média/longa persistência.

3D


3 – Tapada de Coelheiros Branco 2009
Roupeiro, Arinto e Chardonnay, parcialmente fermentado em carvalho, com mineral bem marcado, e fruta bem integrada, com um leve lácteo, bom frescor e longa persistência.

4D


4 – Tapada de Coelheiros Chardonnay 2009
100% fermentado em barricas novas de carvalho francês, é o “borgonha alentejano” de Saramago, complexo, com tostado e manteiga, mel, mineral, fruta austera. Em boca, amplo e macio, fresco, longo, com retro olfato de ervas e especiarias.

5D


5 – Ciranda Tinto 2010
Trincadeira, Aragonês e Syrah, frutado intenso, leve floral, fresco, com poucos taninos e média persistência.

3D


6 – Vinha da Tapada Tinto 2009
Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Syrah e Castelão. Bom fruta, algo de azeitonas e bacon, defumado, fresco, com taninos finos, longo.

3D+


7 – Tapada de Coelheiros Tinto 2007
Cabernet Sauvignon, Trincadeira e Aragonês, austero, com cassis e especiarias, madeira discreta, com taninos finos e abundantes e longa persistência.

4D


8 – Branca de Almeida Tinto 2007
Merlot, Trincadeira e Alicante Bouschet, com doze meses em carvalho. Fruta negra madura, notas animais, couro, floral, leve tostado e especiarias, fresco, macio, taninos finos, final longo e aveludado.

4D+


9 – Tapada de Coelheiros Garrafeira 2007
Cabernet Sauvignon e Aragonês, complexo e delicado, frutas negras e especiarias, em boca, mais frutas vermelhas, como framboesas, amplo, com bom corpo e frescor, taninos finíssimos e longa persistência.

5D


Depois dos vinhos, um pouco da culinária alentejana, com salada de feijões e atum, salada de grão de bico e bacalhau, orelhas de porco ao vinagrete, e um intenso cozido de pé de porco, com bastante coentro, tudo com baixo teor de gorduras e poucas calorias, coisas de Portugal...



Uma refeição leve e equilibrada...


Deixamos a Herdade e Coelheiros então com destino a0 centro da já citada Arraiolos, que goza de um cenário bem com a cara do Alentejo, para uma visita a sede da Wine Academy, empresa de enoturismo e formação de José Santanita, e organizadora do Portugal Wine Expert, para, a seguir, voltarmos à estrada, rumo ao Tejo, região da qual falaremos nos próximos posts.
Dúvidas sobre o meu sistema de pontuação? Leia o post “Degustações e Pontuações”.
Abraços e até a próxima.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Antônio Saramago e Scancio em Campinas!!!

O "bombomzinho" de Antônio Saramago E

Faço aqui um convite muito especial para todos os apreciadores de bons vinhos. Dia 19/04 receberemos no Olivetto Restaurante o talentoso e reconhecido enólogo Antônio Saramago, para um Wine Dinner muito especial, onde ele apresentará ao público algumas de suas principais criações.e

Com o apoio da Importadora Viníssimo, poderemos degustar os vinhos Risco 2008, e Antônio Saramago Reserva 2005, ambos 100% Castelão, produzidos na Península de Setúbal, um sem e o outro com madeira, e que demonstram todo o potencial desta casta no terroir selecionado por Antônio Saramago.p

Além destes dois exemplares do portfólio da Antônio Saramago Vinhos, teremos também o lançamento dos vinhos Scancio Reserva 2008 e Private Selection 2005. Tratam-se de dois vinhos feitos em homenagem aos sommeliers, com o apoio do sommelier português José Carlos Santanita, e do especialista brasileiro Arthur Azevedo. Ambos são alentejanos, e como já tive a oportunidade de degustá-los, posso afirmar, são muito bons!p

Por fim, Antônio Saramago nos apresentará seu "bombomzinho", o JMS Moscatel de Setúbal Superior 1993, vinho exclusivíssimo, do qual foram produzidas apenas 1000 garrafas de 375ml, e com um preço acima de R$ 500,00 a unidade, grande "xodó" do enólogo.o

Como de costume nos Wine Dinners do Olivetto, os vinhos serão acompanhados por um menu cuidadosamente desenhado pelo Chef Fábio Amaral e por mim, visando a perfeita harmonização de todos os elementos. Um jantar imperdível.o

Maiores informações pelo telefone 19-3294-8133,ou pelo e-mail contato@olivettorestaurante.com.br o

Espero por vocês.

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