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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Bacalhau e Vinhos Verdes no Desafio ao Vinho!
Olá a todos!
Semana passada, atendendo ao convite do amigo Daniel Perches, do blog Vinhos de Corte, participei de seu programa na TV Geração Z, em um gostoso bate papo sobre harmonização. Os alvos da vez foram pratos a base de Bacalhau e vinhos portugueses, da região dos Vinhos Verdes. O resultado você pode conferir nos dois vídeos abaixo.
Espero que gostem!
Desafio ao Vinho Parte 1
Desafio ao Vinho Parte 2
Grande abraço e até a próxima!
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Vinhos Verdes
terça-feira, 24 de julho de 2012
Portugal na Classe A Magazine!
Olá Pessoal
Partilho com vocês, a matéria abaixo, de minha autoria, publicada na edição 16 da Classe A Magazine, daqui da região de Campinas. Espero que gostem!!!

Espero que tenham gostado!
Grande abraço e até a próxima!
Partilho com vocês, a matéria abaixo, de minha autoria, publicada na edição 16 da Classe A Magazine, daqui da região de Campinas. Espero que gostem!!!

"Portugal – Descubra a Diversidade
"O povo português
é, essencialmente, cosmopolita. Nunca um verdadeiro português foi português:
foi sempre tudo."
Foi esta frase de Fernando Pessoa, na obra Portugal Entre Passado e Futuro, que
escolhi para abrir a Carta de Vinhos no novo Emporium do Bacalhau, em Campinas,
com mais de 230 rótulos daquele país; e se a frase em questão se aplica ao povo
português, por certo se aplica da mesma forma aos seus vinhos, frutos que são
da cultura de um povo.
Portugal, com seu território relativamente pequeno, em
especial se comparado a uma nação de dimensões continentais, como a nossa,
possui um dos, senão o maior, patrimônio vitivinícola da Terra, com quase 300
espécies diferentes de uvas viníferas. Esta variedade toda, aliada ainda as
diferenças de solo, clima e cultura das diferentes regiões de Portugal,
resultam em uma ampla variedade de estilos de vinhos, adequados aos mais
variados momentos e ocasiões.
Muito além do vinho do Porto, dos Vinhos Verdes mais
simples, e dos tintos alentejanos, Portugal nos oferece uma miríade de sabores
e sensações. Podemos começar pelos ótimos espumantes método clássico,
provenientes principalmente da Bairrada, de Távora-Varosa e do Douro, seguindo
para os brancos frescos do Minho, os cortes brancos do Douro, aristocráticos e
elegantes, os varietais e cortes com a Arinto, onipresente em diversas regiões,
os brancos minerais de Encruzado, sobretudo do Dão, e os macios alentejanos, da
Antão Vaz.
Seguindo aos tintos, temos os belos vinhos feitos com a Castelão,
em Setúbal, que pelas mãos de talentosos enólogos mostra todo seu potencial
após alguns anos de guarda, o duo Aragonês/Trincadeira do Alentejo, os
elegantes cortes de Lisboa, os longevos tintos do Dão, com Touriga Nacional,
Jaen, e outras castas, os rústicos e deliciosos tinto de Baga, da Bairrada, e
os cada vez mais grandiosos tintos de mesa do Douro, produzidos com as mesmas
uvas do Porto.
Nos doces e fortificados, um capítulo a parte, onde além do
tradicional Porto tinto, encontramos os deliciosos Portos brancos, os ótimos
Moscatéis, de Setúbal e do Douro, e o Madeira! Ah, o Madeira... Talvez o maior
tesouro enológico de Portugal... Se você ainda não conhece, prove! Um Boal 10
Anos, ao fim de uma refeição, ou um Sercial 10 Anos como um aperitivo de alta
classe.
Se até aqui você já se sente perdido ou confuso com tantos
nomes e denominações diferentes, fique tranquilo... A melhor parte da aventura
e provar e conhecer na prática. Além do mais, podemos também contar com uma boa
dose de nomes conhecidos, de castas internacionais, que tem apresentado bons
resultados em solo português, como a Cabernet Sauvignon, Syrah, Chardonnay, e
até algum Pinot Noir, que vem complementar o panorama com castas típicas como a
Borrado das Moscas, Rabo de Ovelha, Esgana Cão, Negra Mole, Tinta Miúda, e
outras tantas.
Além das regiões tradicionais, facilmente encontradas aqui
no Brasil, vale também manter a atenção para regiões que só recentemente
começam a apresentar vinhos de mais qualidade, ou ainda regiões e denominações
pequenas, difíceis de encontrar até em Portugal. Fique atento aos vinhos do
Algarve, Trás-os-Montes, Colares, Carcavelos (belos vinhos doces), Açores, e
tantas outras, que valem, e muito, pela tipicidade e exclusividade.
Seja com os tradicionais pratos portugueses, como o
Bacalhau, as alheiras e farinheiras, o leitãozinho da Bairrada e a doçaria
conventual, ou ainda com a diversificada cozinha internacional, os modernos
vinhos portugueses são sempre uma aposta certeira, em belas e novas sensações e
descobertas. Descubra você também o sabor da diversidade, descubra os vinhos de
Portugal!"
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Harmonizando Bacalhau
E que Bacalhau!!!
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3D+
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| Alguém aí quer bacalhau? |
Também a convite da Vinhos de Portugal, além da apresentação dos vinhos brancos que mencionei no último post, participei de uma aula do Chef Américo dos Santos, do Restaurante Quarentae4, de Matosinhos, Portugal, sugerindo duas opções de harmonização para o prato por ele apresentado.
O prato em questão foi um Bacalhau Confitado com Sabores Lusitanos, e os vinhos um espumante rosé da Bairrada e um Alvarinho do Minho.Mas primeiro algumas palavras sobre o Chef, que atua no supracitado restaurante, como Chefe Pasteleiro, responsável pelo cardápio de sobremesas da casa. Com apenas 23 anos (é... eu estou mesmo ficando velho...), Américo e reconhecido como um dos bons nomes da nova safra de nomes da gastronomia portuguesa.
Na Semana Mesa, o Chef apresentou sua interpretação do bacalhau, peixe onipresente na mesa portuguesa, de norte a sul do país. A posta do lombo, já dessalgada, vai ao forno coberta por um refogado de cebolas, pimentões, alho, alho-poró, azeitonas, e muito, muito azeite mesmo. Depois desta fase, o prato é montado sobre um leito de batatinhas cortadas ao meio e douradas no azeite, e couve refogada com um toque de bacon. Desnecessário dizer que a preparação é simplesmente deliciosa, com o bacalhau se desmanchando em lascas suculentas.![]() |
| Em ação com o Chef Américo dos Santos |
Vamos então aos vinhos, cujas notas de degustação vão a seguir:
1 – Espumante 3b – Filipa Pato
Este rosé é um corte de Bical e Baga, obra da talentosa enóloga Felipa Pato, filha de Luís Pato. É cremoso, com bom frescor e intenso perlage. Nariz a frutas frescas, em especial morangos, e algo de fermento. Média persistência.3D
2 – Portal do Fidalgo Alvarinho 2009
Ótimo Vinho Verde, da Provam. Refrescante, cítrico e mineral, muito intenso no nariz. Em boca, direto, focado, longo, com marcada sapidez. Alvarinho de fato!3D+
No que se refere à harmonização propriamente dita, o bacalhau é, como se sabe, diferente da maior parte dos peixes. Como dizem alguns portugueses que eu conheço, carne é carne, peixe é peixe, e bacalhau é bacalhau. Devido a sua textura mais firme, e seu sabor mais intenso, não é incomum encontrar sugestões de harmonização de pratos de bacalhau com vinho tinto, mas eu, particularmente, continuo acreditando que as melhores opções estão entre os brancos, sempre respeitando, obviamente, a textura e intensidade do prato específico.
No caso particular do Bacalhau Confitado do Chef Américo, temos uma textura muito delicada, em função do processo de cocção no azeite. Encontramos também marcada aromaticidade, por conta das ervas e especiarias, além do discreto amargor da couve, e do defumado do bacon. E temos ainda a intensa untuosidade do azeite, utilizado sem parcimônia nesta preparação. Com esta combinação de ingredientes, podemos supor, de antemão, que ambos os vinhos se sairiam bem, e o fizeram, afinal, ambos tem acidez para balancear a untuosidade, e ambos tem boa intensidade aromática. Num primeiro momento, julguei que o espumante se sairia melhor, por ser um pouco mais estruturado que o Alvarinho; no entanto, a delicadeza do bacalhau era tal, que o Vinho Verde acabou sendo o melhor parceiro deste prato, fazendo frente tanto a sua estrutura, quanto a sua aromaticidade e untuosidade. Um casamento dos mais felizes!Ainda com o Chef Américo, agora já na companhia do talentoso Chef William Ribeiro, do paulistano O Pote do Rei, fizemos a gravação de um vídeo de divulgação do Festival de Vinhos Portugueses em Restaurante, promovido pela Vinhos de Portugal, e que acontecerá entre 14/11 e 04/12, em restaurantes selecionados de São Paulo e Rio de Janeiro. Ótima oportunidade de descobrir um pouco mais da diversidade enológica portuguesa e, de quebra, concorrer a uma viagem com tudo pago a Portugal! Além do Bacalhau do Chef Américo, o Chef William preparo um delicioso Lombo de Cordeiro com Açorda de Natas, e ambas as receitas farão parte do vídeo. Tão logo o mesmo esteja na rede, posto por aqui.
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| Concentração total com os Chefes William e Américo |
Bom, espero que tenham gostado. Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post ”Degustações e Pontuações”.
Grande abraço e até a próxima.
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Sinfonia de Brancos de Portugal
Ok, o título é meio poético, mas não é de minha autoria. A convite da Vinhos de Portugal apresentei no último dia 26 uma palestra e degustação com este tema, durante a Semana Mesa SP, organizada pela revista Prazeres da Mesa. Já escrevi bastante sobre Portugal aqui, até por conta de minha viagem para lá no meio do ano, mas, pelos vinhos que provei nesta apresentação, achei que valia a pena me repetir...
Nossa tendência, aqui no Brasil, é pensar em Portugal apenas por conta de seus tintos, além do Vinho do Porto. Porém, dentro do seu universo de quase 300 castas autóctones, as brancas desempenham um papel importante na vitivinicultura lusitana. De norte a sul produz-se bons brancos, dos mais variados estilos; alguns muito particulares, outros, de classe internacional. Nesta prova, pude averiguar, mais uma vez, por meio de um panorama por várias castas e regiões, a elevada qualidade média dos brancos de nossos patrícios, e minhas impressões sobre os vinhos degustados partilho agora com vocês.
1 – Quinta da Aveleda 2010 (Vinhos Verdes)
Já degustado e comentado aqui, por ocasião de minha visita à Aveleda. Um Vinho Verde “de manual”, com bom frescor, aromas cítricos, alguma mineralidade e boa persistência, obtido a partir de um corte de Alvarinho, Loureiro e Trajadura. Ótima pedida para o nosso verão, é importado pela Interfood, e custa cerca de R$ 37,00.
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2 – Quinta do Cruzeiro 2010 (Vinhos Verdes)
Aqui o corte já é de Loureiro, Arinto e Trajadura. Um pouco mais fresco e aromático, com um floral mais intenso. A vinícola é representada pela Tambuladeira, empresa que representa os interesses de várias pequenas vinícolas portuguesas no mercado brasileiro. Importado pela Gracciano, custa cerca de R$ 30,00.
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3 – Campolargo Arinto 2010 (Bairrada)
Um dos ótimos vinhos de Carlos Campolargo, este Arinto surpreende. Ótimo frescor, notas de frutas amarelas frescas, algo de cítricos e florais, entremeados por delicadas notas biscoitos, por canta de sua maturação sobre borras finas. Cremoso, preciso e persistente. Importado pela Mistral, custa cerca de R$ 100,00.
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4 – Monte de São Sebastião Branco 2010 (Douro)
Este corte de Rabigato, Códega do Larinho e Gouveio está entre os bons vinhos brancos do Douro, com estilo e elegância para o mercado internacional. Fresco, mineral, de média persistência, com um agradável retrogosto. É importado pela Vinhas do Douro, e custa cerca de R$ 64,00.
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5 – Maritávora Reserva 2009 (Douro)
Também representada pela Tambuladeira, a Maritávora fica localizada no Douro Superior, e conta com os serviços do enólogo Jorge Serôdio Borges. Elaborado com Códega do Larinho, Rabigato, Viosinho, e uma parcela de 20% de vinhas velhas, é um branco complexo, macio, que evidencia sua fermentação em barricas. Cítricos, ervas aromáticas, notas minerais e discreto tostado, com boa persistência. Importado pela Gracciano, custa cerca de R$ 125,00.
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6 – Baron de B Reserva 2009 (Alentejo)
Produzido pela Herdade da Calada, com a casta Antão Vaz, que em muitos pontos lembra a Chardonnay, como sua boa adaptação a climas quentes, e sua aptidão ao uso de madeira. Um branco de mais corpo, macio, com média acidez e notas de fruta madura. Bem agradável. Importado pela Adega dos Três, custa cerca de R$ 80,00
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7 – Monte Cascas Malvasia Colares 2008 (Lisboa – Colares)
O vinho que mais me surpreendeu nesta prova. Produzido na região de Colares, dentro da grande Lisboa, com a casta Malvasia Fina. As videiras são plantadas em solo arenoso, sem nenhuma condução específica, ou seja, como um arbusto. A fermentação se dá em barricas, e segue um período de 11 meses de maturação sobre as borras, com battonage quinzenal. A coloração é um belo palha-dourado, no nariz, iodo, maçãs, notas oxidativas, amêndoas, lembrando um pouco um Jerez Fino. Em boca, tem bom corpo, excelente frescor, e uma marcada sapidez, quase salgado. Longo e equilibrado. É importado pela MS, com um preço de cerca de R$ 150,00
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8 – Venâncio da Costa Lima Moscatel de Setúbal (Península de Setúbal)
Equilibrado, com notas marcadas de doce de laranja e frutas cristalizadas. Doçura agradável e boa persistência. É importado pela Deu La DeuVinhos, e custa impressionantes R$ 27,00.
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9 – Bacalhôa Moscatel de Setúbal 2004 (Península de Setúbal)
Mais complexo e elegante, com algo de flores, amêndoas e nozes, além de mel, frutas secas e cristalizadas. Excelente exemplar, representativo da qualidade elevada desta DOC. É importado pela Portuscale, mas infelizmente vou ficar devendo o preço ok?
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Para completar, só faltaram dois brancos muito particulares, dos quais eu gostaria de fazer uma pequena propaganda, o Porto Branco (sim, ele existe!) e o Madeira, principalmente aqueles feitos com as castas brancas, Sercial, Verdelho, Terrantez, Bual e Malvasia. São vinho únicos e deliciosos. Se você ainda não conhece, prove!
Grande abraço e até a próxima.
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sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Setúbal – António Saramago e o Fim da Jornada
Como tudo o que é bom tem um fim, com esta viajem por Portugal não seria diferente... Depois de nossa visita a Quinta das Bagéiras, na Bairrada, rumamos de volta a Lisboa, para o último estágio de nossa jornada. No caminho, falaram alto o turismo e a religiosidade, e fizemos uma breve parada (50min) em Fátima, para conhecer o santuário, e chegamos a Lisboa já durante a noite.
No dia seguinte, meio período para conhecer a cidade, caçar um Queijo da Serra da Estrela, que ainda não tínhamos provado, e no fim da tarde, rumo sul, novamente para Setúbal, agora para uma visita e jantar na companhia do Mestre António Saramago. Já falei um pouco de António Saramago no post “Alentejo – Vinícolas Monte da Ravasqueira e Herdade dos Coelheiros”, mas ali estávamos provando os vinhos da Coelheiros, vinícola que, embora tenha a imagem de seus vinhos intimamente ligada a Saramago, não pertence a ele. Logo, conhecer a “casa” do mestre, e provar seus grandes vinhos in loco, seria uma oportunidade mais do que especial.
Coloquei o “casa” entre parênteses ali em cima por um motivo. Ao contrário do que muitos possam imaginar, a António Saramago Vinhos não possui cantina, e aliás, nem vinhedos!!! Pois é, ao longo de décadas atuando no mercado, Saramago cultivou uma preciosa rede de contatos na região de Setúbal, rede esta que permite a produção de grandes vinhos, verdadeiramente diferenciados, sem a necessidade nem de cantina, nem de vinhas. Saramago aluga um espaço ocioso dentro de outra vinícola, onde ele vinifica, matura, engarrafa e armazena seus vinhos, e compra as uvas de terceiros, mas apenas a melhor uva, dos melhores produtores, como seria de se esperar. Apenas no Alentejo, onde produz os já citados aqui Scancio Reserve e Private Selection, é que a António Saramago Vinhos possui vinhedos, mas não em sua região-sede, a Península de Setúbal.
Em nossa breve visitas ao local de produção de seus vinhos, Saramago deu-nos a oportunidade de provar, ainda nas barricas, sua última criação, um Castelão topo de gama, que deverá ficar entre o seu ícone, o Dúvida, e o também Castelão António Saramago Reserva. Vem mais um grande vinho por aí, com muita concentração, mas desde já grande elegância em boca, com taninos muito finos. Os meses que ainda passará nas barricas lhe fará bem...
Seguimos, então, para nosso jantar de encerramento, na casa de Saramago, e na companhia de toda sua família, os filhos, Nuno e António, a nora Vânia, e, muito mais importante que o próprio António Saramago, a simpatia em pessoa, sua esposa, Dona Ausenda Saramago, um doce...
Em tão ilustres companhias, pudemos encerrar em grande estilo nossa jornada, com um jantar impecável, e a degustação dos demais vinhos do Mestre, conforme segue:
1 – Risco Branco 2009
Vinho regional, corte de Arinto e Fernão Pires, com nariz cítrico, leve floral e mineral. Em boca, sápido, fresco, de média persistência.
3D+
2 – Risco Tinto 2009
100% Castelão, com um belo tom rubi, nariz de frutos vermelhos frescos, e uma pontinha de tostado. Em boca, mais fruta, taninos macios, finos, bom frescor e equilíbrio, com média/longa persistência.
3D+
3 – Risco Reserva Tinto 2009
Corte de Alicante Bouschet, Castelão, Cabernet Sauvignon e Trincadeira, com frutos mais maduros, especiarias, discreto vegetal, macio, com muitos e finos taninos, e retro gosto a baunilha e tostado.
4D
4 – António Saramago Reserva 2009
Elegante corte de Castelão, Touriga Nacional e Alicante Bouschet, com notas balsâmicas, fruta em compota, terciário. Taninos finos e equilibrados, bom frescor, macio e longo. Um vinho de classe e estilo.
5D
5 – Dúvida 2005
Alentejano. Um grande vinho, eleito o melhor de Portugal em 2009, um corte de Aragonês, Trincadeira e Grand Noir, encorpado denso, com frutas negras, flores, especiarias, caramelo e cacau torrado. Em boca, fino, elegante, amplo e longo, muito longo.
5D
6 – JMS Moscatel de Setúbal Superior 1993
O “bombomzinho” de Saramago, vinho superior, do qual apenas 1000 meias garrafas foram produzidas, em homenagem ao pai do enólogo. Servido ao fim do jantar, como um brinde de encerramento, não só ao jantar, mas a toda nossa viagem. Um vinho que faz jus a sua raridade, muito complexo, com uma linda coloração âmbar, cascas de laranja, mel, frutas em compota, especiarias, notas oxidativas e balsâmicas. Em boca, cremoso, untuoso, intensamente doce, com excelente equilíbrio, garantido pela sua ótima acidez. Interminável e perfeito...
6D
Depois deste verdadeiro néctar, hotel, e no dia seguinte aeroporto, de volta ao Brasil. Ficaram só as saudades de Portugal, ...e os quilos acumulados...
O premio pela vitória no Portugal Wine Expert São Paulo não poderia ter sido melhor. Esta viagem foi um aprendizado único, de valor inestimável. A ViniPortugal deixo meu sincero agradecimento, pelo apoio dado a esta iniciativa, que por certo contribuiu de forma decisiva em reforçar a imagem do vinho português no Brasil.
Isso tudo não seria possível também sem a iniciativa do Sommelier José Carlos Santanita, responsável pela organização, e sem a participação decisiva de sua empresa, a Wine Academy Portugal, que já tem um papel de destaque no enoturismo regional em Arraiolos, Alentejo, e tem desenvolvido no Brasil um trabalho muito significativo, voltado à formação de profissionais, e também a maior difusão da cultura do vinho entre leigos e connoisseurs. Para quem estiver a caminho de Portugal (ou já estiver por aí...) recomendo uma visita ao site da Wine Academy.
Deixo também meu agradecimento aos produtores que apoiaram esta ação, foi um grande prazer poder visitar tantas e tão variadas vinícolas, compondo um panorama mais amplo de tudo o que Portugal tem a oferecer-nos.
Bom, Portugal fica por aqui, ou pelo menos esta viagem. Nos próximos posts, voltamos a conversar sobre outros temas. Espero que vocês tenham gostado, e agradeço a todos que, de alguma forma, me acompanharam nesta jornada.
Dúvidas sobre o meu sistema de pontuação? Leia o post “Degustações e Pontuações”.
Grande abraço e até a próxima.
| Santuário de Nossa Senhora de Fátima |
| Lisboa... |
| O delicioso Queijo da Serra da Estrela. E eu garanto que essa Coca Cola não é minha... |
| Saramago no seu "habitat" |
| Não sei qual vinho vai sair daqui, mais eu sei que vai ser bom! |
Em tão ilustres companhias, pudemos encerrar em grande estilo nossa jornada, com um jantar impecável, e a degustação dos demais vinhos do Mestre, conforme segue:
1 – Risco Branco 2009
Vinho regional, corte de Arinto e Fernão Pires, com nariz cítrico, leve floral e mineral. Em boca, sápido, fresco, de média persistência.
3D+
2 – Risco Tinto 2009
100% Castelão, com um belo tom rubi, nariz de frutos vermelhos frescos, e uma pontinha de tostado. Em boca, mais fruta, taninos macios, finos, bom frescor e equilíbrio, com média/longa persistência.
3D+
3 – Risco Reserva Tinto 2009
Corte de Alicante Bouschet, Castelão, Cabernet Sauvignon e Trincadeira, com frutos mais maduros, especiarias, discreto vegetal, macio, com muitos e finos taninos, e retro gosto a baunilha e tostado.
4D
4 – António Saramago Reserva 2009
Elegante corte de Castelão, Touriga Nacional e Alicante Bouschet, com notas balsâmicas, fruta em compota, terciário. Taninos finos e equilibrados, bom frescor, macio e longo. Um vinho de classe e estilo.
5D
5 – Dúvida 2005
Alentejano. Um grande vinho, eleito o melhor de Portugal em 2009, um corte de Aragonês, Trincadeira e Grand Noir, encorpado denso, com frutas negras, flores, especiarias, caramelo e cacau torrado. Em boca, fino, elegante, amplo e longo, muito longo.
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6 – JMS Moscatel de Setúbal Superior 1993
O “bombomzinho” de Saramago, vinho superior, do qual apenas 1000 meias garrafas foram produzidas, em homenagem ao pai do enólogo. Servido ao fim do jantar, como um brinde de encerramento, não só ao jantar, mas a toda nossa viagem. Um vinho que faz jus a sua raridade, muito complexo, com uma linda coloração âmbar, cascas de laranja, mel, frutas em compota, especiarias, notas oxidativas e balsâmicas. Em boca, cremoso, untuoso, intensamente doce, com excelente equilíbrio, garantido pela sua ótima acidez. Interminável e perfeito...
6D
Depois deste verdadeiro néctar, hotel, e no dia seguinte aeroporto, de volta ao Brasil. Ficaram só as saudades de Portugal, ...e os quilos acumulados...
| Saudades de Portugal... |
Isso tudo não seria possível também sem a iniciativa do Sommelier José Carlos Santanita, responsável pela organização, e sem a participação decisiva de sua empresa, a Wine Academy Portugal, que já tem um papel de destaque no enoturismo regional em Arraiolos, Alentejo, e tem desenvolvido no Brasil um trabalho muito significativo, voltado à formação de profissionais, e também a maior difusão da cultura do vinho entre leigos e connoisseurs. Para quem estiver a caminho de Portugal (ou já estiver por aí...) recomendo uma visita ao site da Wine Academy.
Deixo também meu agradecimento aos produtores que apoiaram esta ação, foi um grande prazer poder visitar tantas e tão variadas vinícolas, compondo um panorama mais amplo de tudo o que Portugal tem a oferecer-nos.
Bom, Portugal fica por aqui, ou pelo menos esta viagem. Nos próximos posts, voltamos a conversar sobre outros temas. Espero que vocês tenham gostado, e agradeço a todos que, de alguma forma, me acompanharam nesta jornada.
Dúvidas sobre o meu sistema de pontuação? Leia o post “Degustações e Pontuações”.
Grande abraço e até a próxima.
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Setúbal – Herdade da Comporta
Para terminar, de volta ao começo...
Conforme eu havia dito lá atrás, começamos o giro pelo continente pela Península de Setúbal, ao sul de Lisboa, porém, como o encerramento foi ali também, deixei para abordar a região aqui no final.
A Península do Setúbal é composta pela região que se estende ao sul de Lisboa, do outro lado da foz do Tejo. Até recentemente, parte da região era denominada Terras do Sado, mas, assim como Ribatejo e Estremadura se tornaram, respectivamente, Tejo e Lisboa, Terras do Sado assumiu o nome da formação geográfica mais ao norte da região, a tal Península de Setúbal. O clima aqui é atlântico, com solos argilo-calcáreos, próximo a Serra da Arrábida, e arenosos nos vales.
A região tem duas DOCs; Setúbal, de onde vem o Moscatel de Setúbal, vinhos de sobremesa fortificado, de elevada qualidade quando bem feito, e Palmela, onde se obtém os melhores resultados com a casta tinta Castelão (também conhecida como Periquita). A região guarda algum pioneirismo na produção de vinhos mais modernos, com uso inclusive de castas internacionais, como no Quinta da Bacalhôa, um Cabernet Sauvignon entre os tintos portugueses mais conhecidos por aqui.
Começamos a explorar a região pela Herdade da Comporta. Localizada ao sul da Baía de Setúbal, trata-se de uma das maiores propriedades rurais contínuas de Portugal, com mais de 12.000ha, que incluem praias, aldeias, e grande plantações de arroz, principal cultura da Herdade. Neste cenário o vinho ocupa um pequeno espaço, com apenas 30 ha plantados, e planos de ampliação até, no máximo, 40 ha. As plantações estão em um pequeno vale, a poucos quilômetros de distância do mar, e são compostas principalmente das tintas Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet e Touriga Franca, e, em menor quantidade, as brancas Antão Vaz e Arinto. O solo ali é arenoso, como na maior parte da região, porém composto de uma areia mais pesada, com características de drenagem e composição mineral diferenciadas.
Já a cantina, é moderna e bem cuidada. A área de recepção das uvas fica fora da cantina, e tubulações a ar puxam as uvas selecionadas, levando-as diretamente para as desengaçadeiras, e daí, por gravidade, para as cubas e lagares em inox, que contam com robôs para a pisa das uvas. Após a fermentação, com temperaturas controladas, os vinhos seguem para pipas de 500 litros, de carvalho francês e americano, ondem repousam ao som de canto gregoriano (mais marketing para turistas do que razões técnicas...).
Os vinhos forma degustados durante um agradável almoço no restaurante regional Pinheiro Novo. A curiosidade fica por conta do proprietário do restaurante, um jovem brasileiro, concentrado em fazer uma comida regional sem firulas, mas precisa e bem-feita.
Os vinhos degustados foram:
1 – Parus Branco 2009
100% Antão Vaz, agradável e equilibrado, com notas cítricos e abacaxi. Falta um pouquinho de acidez, mas por outro lado resulta num branco bem macio, de média/longa persistência.
3D+
2 – Parus Tinto 2008
Prioritariamente Alicante Bouschet (80%), com pequenas quantidades de Aragonez e Touriga Nacional. Fino e complexo, com toques contidos de madeira, como especiarias e tostados. Fruta madura, macio, de bom corpo e média/longa persistência.
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Após uma breve parada na praia particular da Herdade (na qual nós não tivemos tempo de nadar...) seguimos nossa viagem, rumo a Évora, da qual já falei em outro post.
Uma curiosidade a respeito do nome Herdade, muito comum em propriedades rurais do Alentejo, e Quinta, muito comum no norte de Portugal. No norte, densamente povoado, as propriedades eram, em geral, pequenas e familiares, quase um quintal muito grande, vindo daí o nome quinta. Já no sul, mais árido e pouco povoado, quando a coroa portuguesa precisa de apoio para a guerra, oferecia aos que a apoiavam largas porções de terra, que seriam, a partir de então, hereditárias, passadas de uma geração para a outra, e daí o nome Herdade.
Mas, Herdades e Quintas a parte, nó próximo post encerro este giro por Portugal, com o jantar na casa do Mestre António Saramago.
Dúvidas sobre o meu sistema de pontuação? Leia o post “Degustações e Pontuações”.
Grande abraço e até lá.
Conforme eu havia dito lá atrás, começamos o giro pelo continente pela Península de Setúbal, ao sul de Lisboa, porém, como o encerramento foi ali também, deixei para abordar a região aqui no final.
A Península do Setúbal é composta pela região que se estende ao sul de Lisboa, do outro lado da foz do Tejo. Até recentemente, parte da região era denominada Terras do Sado, mas, assim como Ribatejo e Estremadura se tornaram, respectivamente, Tejo e Lisboa, Terras do Sado assumiu o nome da formação geográfica mais ao norte da região, a tal Península de Setúbal. O clima aqui é atlântico, com solos argilo-calcáreos, próximo a Serra da Arrábida, e arenosos nos vales.
A região tem duas DOCs; Setúbal, de onde vem o Moscatel de Setúbal, vinhos de sobremesa fortificado, de elevada qualidade quando bem feito, e Palmela, onde se obtém os melhores resultados com a casta tinta Castelão (também conhecida como Periquita). A região guarda algum pioneirismo na produção de vinhos mais modernos, com uso inclusive de castas internacionais, como no Quinta da Bacalhôa, um Cabernet Sauvignon entre os tintos portugueses mais conhecidos por aqui.
Começamos a explorar a região pela Herdade da Comporta. Localizada ao sul da Baía de Setúbal, trata-se de uma das maiores propriedades rurais contínuas de Portugal, com mais de 12.000ha, que incluem praias, aldeias, e grande plantações de arroz, principal cultura da Herdade. Neste cenário o vinho ocupa um pequeno espaço, com apenas 30 ha plantados, e planos de ampliação até, no máximo, 40 ha. As plantações estão em um pequeno vale, a poucos quilômetros de distância do mar, e são compostas principalmente das tintas Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet e Touriga Franca, e, em menor quantidade, as brancas Antão Vaz e Arinto. O solo ali é arenoso, como na maior parte da região, porém composto de uma areia mais pesada, com características de drenagem e composição mineral diferenciadas.
| Solos arenosos da Herdade da Comporta |
| Modernas instalações da cantina |
| Foto meio fora de foco da sala de barricas. Para a próxima viagem preciso providenciar uma máquina com tripé... |
Os vinhos forma degustados durante um agradável almoço no restaurante regional Pinheiro Novo. A curiosidade fica por conta do proprietário do restaurante, um jovem brasileiro, concentrado em fazer uma comida regional sem firulas, mas precisa e bem-feita.
| Restaurante Pinheiro Novo |
1 – Parus Branco 2009
100% Antão Vaz, agradável e equilibrado, com notas cítricos e abacaxi. Falta um pouquinho de acidez, mas por outro lado resulta num branco bem macio, de média/longa persistência.
3D+
2 – Parus Tinto 2008
Prioritariamente Alicante Bouschet (80%), com pequenas quantidades de Aragonez e Touriga Nacional. Fino e complexo, com toques contidos de madeira, como especiarias e tostados. Fruta madura, macio, de bom corpo e média/longa persistência.
3D+
Após uma breve parada na praia particular da Herdade (na qual nós não tivemos tempo de nadar...) seguimos nossa viagem, rumo a Évora, da qual já falei em outro post.
| Uma visão do Paraíso... Fora do nosso alcance. |
Mas, Herdades e Quintas a parte, nó próximo post encerro este giro por Portugal, com o jantar na casa do Mestre António Saramago.
Dúvidas sobre o meu sistema de pontuação? Leia o post “Degustações e Pontuações”.
Grande abraço e até lá.
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terça-feira, 6 de setembro de 2011
Bairrada – Leitões e Quinta das Bágeiras
No caminho para Lisboa, eis a Bairrada, parada estratégica para o almoço, e como não poderia deixar de ser, bons vinhos. A Bairrada abrange praticamente todo o território das colinas que demarcam o limite do Dão até o Atlântico. É uma região de clima mais úmido que a média de outras regiões importantes, o que consequentemente trará dificuldades para a maturação das uvas e para o controle de pragas na vinha.
As castas símbolo aqui são a tinta Baga, e as brancas Bical e Maria Gomes (ou Fernão Pires). O solo é pesado, argiloso, o que resulta em vinhos mais encorpados. Isso somado ao toque rústico natural da Baga resultará em tintos estruturados e com potencial de guarda, muitas vezes até difíceis de degustar quando jovens. Nos dias de hoje, uma série de processos enológicos mais modernos tem resultado em vinhos mais macios e prontos, tendência esta iniciada por pioneiros como Luís Pato, que assumiu como missão a tarefa de “domar” a Baga, tornando-a uma uva mais comercial e acessível.
Além dos bons vinhos tranquilos, a Bairrada também tem grande potencial para a produção de bons espumantes, em especial pelo método clássico, com a segunda fermentação em garrafa, e foi parte deste processo que pudemos conferir mais de perto na Quinta das Bágeiras.
A Bágeiras é uma vinícola relativamente pequena, familiar, que iniciou suas atividades no fim dos anos 80. O proprietário, Mário Sérgio Alves Nuno, participa de todo o processo, e é atento aos menores detalhes. A Bágeiras produz ótimos tintos e brancos, muito bons mesmo, mas é nos grandes espumantes que está sua grande vocação, vinhos complexos e longevos, cujas provas compartilharei a seguir.
Fomos recebidos primeiramente pelo Bernardo, um moçambicano autointitulado “pau-para-toda-colher”, que nos guiou em uma didática visita pelas caves da Bágeiras, mostrando na prática todo o processo de produção de espumantes pelo Método Clássico.
Está tudo lá, as pupitres, os vinhos antigos ainda sur lie, aproveitando-se das vantagens do processo de autólise, os equipamentos de dégorgement. A vinícola conta ainda com estoques de suas safras mais antigas, em especial o Colheita 1989, que ainda esta disponível na vinícola.
Além dos vinhos, a Bágeiras ainda produz, em pequenas quantidades, um delicado vinagre de vinho tinto, com vinhos base de Baga, que passa por um cuidadoso e longo processo de acetificação natural, por no mínimo 15 anos em barricas, além de dois destilados, uma bagaceira aromática e intensa, e um ótimo brandy, destilado pelo método charentais, e envelhecido por no mínimo dez anos antes do engarrafamento; macio e complexo.
Porém, a parte dos vinhos, o grande destaque ficou por conta do almoço. Após um entrada “levinha”, arroz de cabidela, que nada mais é do que um arroz cozido com os miúdos do porco, em seu sangue, degustamos (sim, esse é o termo que se aplica), o incomparável Leitãozinho da Bairrada, macio, com a carne desmanchando, pele clarinha e crocante, pouquíssima gordura e sabor e texturas delicados. O correto serviço do Leitão foi garantido pelo próprio Mário Sérgio, ele mesmo membro da Confraria do Leitão da Bairrada, que se dedica a manter inalterada a tradição que envolve esta iguaria regional. O ponto correto do assado, segundo a tradição, acontece quando é possível separar a cabeça do leitão do corpo utilizando a borda de um prato. Uma cena pitoresca, cuja foto, infelizmente vou ficar devendo acabaram as pilhas da máquina... Para quem não provou ainda esta iguaria, eu recomendo, vale a viagem.
Mas, de volta ao nosso tema central, vamos aos vinhos degustados na Quinta das Bágeiras:
1 – Espumante Brut Reserva 2009
Leve nota de fermentação, fruta branca e leve floral. Ótima mousse, grande frescor, discreto amargor e média longa persistência.
4D+
2 – Espumante Grande Reserva 2003
Mel, frutas secas, leve balsâmico. Excelente frescor, complexo e longo. Já com um pouco menos de gás.
4D+
3 – Espumante Colheita 1989
Um espetáculo, complexo, evoluído, cogumelos, frutas secas, etéreo, bom perlage, embora não muito intenso, cremoso, muito longo, quase um grande Champagne.
5D+
4 – Colheita Branco 2010
Corte de Maria Gomes, Bical e Cercial, com fruta amarela delicada, algo de floral, ótimo frescor, boca cítrica, macio e longo.
3D+
5 – Garrafeira Branco 2009
Corte de Maria Gomes e Bical, com notas marcadas de baunilha e fermento, por conta da fermentação em barricas. Fruta amarela mais madura, cera, bom frescor, fino, longo e harmônico, complexo.
4D+
6 – Reserva Tinto 2008
Corte de Baga e Touriga Nacional, com boa fruta, madura e limpa, algo de floral. Bom frescor, ótima adstringência, com taninos muito finos, longo e equilibrado.
4D+
7 – Garrafeira Tinto 2004
Um Baga maduro, balsâmico, com fruta em compota, estragão e alcaçuz. Grande frescor, finíssimo, longo, muita especiaria no retro olfato. Harmônico, um grande vinho.
5D
Ótimos vinhos, comida de cair o queixo, anfitriões simpáticos e acolhedores, tudo perfeito, um grande encerramento, não é? Pois é, mas ainda faltava um último jantar...
Dúvidas sobre o meu sistema de pontuação? Leia o post “Degustações e Pontuações”.
Grande abraço e até a próxima.
As castas símbolo aqui são a tinta Baga, e as brancas Bical e Maria Gomes (ou Fernão Pires). O solo é pesado, argiloso, o que resulta em vinhos mais encorpados. Isso somado ao toque rústico natural da Baga resultará em tintos estruturados e com potencial de guarda, muitas vezes até difíceis de degustar quando jovens. Nos dias de hoje, uma série de processos enológicos mais modernos tem resultado em vinhos mais macios e prontos, tendência esta iniciada por pioneiros como Luís Pato, que assumiu como missão a tarefa de “domar” a Baga, tornando-a uma uva mais comercial e acessível.
| Entrada da Quinta da Bágeiras |
A Bágeiras é uma vinícola relativamente pequena, familiar, que iniciou suas atividades no fim dos anos 80. O proprietário, Mário Sérgio Alves Nuno, participa de todo o processo, e é atento aos menores detalhes. A Bágeiras produz ótimos tintos e brancos, muito bons mesmo, mas é nos grandes espumantes que está sua grande vocação, vinhos complexos e longevos, cujas provas compartilharei a seguir.
Fomos recebidos primeiramente pelo Bernardo, um moçambicano autointitulado “pau-para-toda-colher”, que nos guiou em uma didática visita pelas caves da Bágeiras, mostrando na prática todo o processo de produção de espumantes pelo Método Clássico.
| O "Pau-Para-Toda-Colher" Bernardo |
| As leveduras e a mágica da autólise |
| Pupitres |
| Reserva de safras antigas. Imagina se cai a última garrafinha la de baixo... |
| Só para lembrar da "pequena" pressão de 6 atmosferas que se encontra dentro de uma garrafa de espumante. |
| Aqui nós comemos o Leitão. Depois desta foto, acabaram minhas pilhas... |
1 – Espumante Brut Reserva 2009
Leve nota de fermentação, fruta branca e leve floral. Ótima mousse, grande frescor, discreto amargor e média longa persistência.
4D+
2 – Espumante Grande Reserva 2003
Mel, frutas secas, leve balsâmico. Excelente frescor, complexo e longo. Já com um pouco menos de gás.
4D+
3 – Espumante Colheita 1989
Um espetáculo, complexo, evoluído, cogumelos, frutas secas, etéreo, bom perlage, embora não muito intenso, cremoso, muito longo, quase um grande Champagne.
5D+
4 – Colheita Branco 2010
Corte de Maria Gomes, Bical e Cercial, com fruta amarela delicada, algo de floral, ótimo frescor, boca cítrica, macio e longo.
3D+
5 – Garrafeira Branco 2009
Corte de Maria Gomes e Bical, com notas marcadas de baunilha e fermento, por conta da fermentação em barricas. Fruta amarela mais madura, cera, bom frescor, fino, longo e harmônico, complexo.
4D+
6 – Reserva Tinto 2008
Corte de Baga e Touriga Nacional, com boa fruta, madura e limpa, algo de floral. Bom frescor, ótima adstringência, com taninos muito finos, longo e equilibrado.
4D+
7 – Garrafeira Tinto 2004
Um Baga maduro, balsâmico, com fruta em compota, estragão e alcaçuz. Grande frescor, finíssimo, longo, muita especiaria no retro olfato. Harmônico, um grande vinho.
5D
Ótimos vinhos, comida de cair o queixo, anfitriões simpáticos e acolhedores, tudo perfeito, um grande encerramento, não é? Pois é, mas ainda faltava um último jantar...
Dúvidas sobre o meu sistema de pontuação? Leia o post “Degustações e Pontuações”.
Grande abraço e até a próxima.
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quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Douro – Porto Rozés e Quinta do Côtto
As visitas no Douro se deram em dois dias, devido a uma particularidade de fundo histórico. A Porto Rozés, assim como muitos dos produtores de Vinho do Porto, ainda tem suas caves localizadas em Vila Nova de Gaia, embora seus vinhedos, nove ao todo, estejam distribuídos por todo o Douro, com presença nas três subzonas da região.
Após a visita as instalações da Quinta da Aveleda, no Minho, seguimos rumo oeste, para Vila Nova de Gaia, para a visita a Rozés. Fundada em Bordeaux, em 1855, por um negociante local, a Rozés permaneceu na família até o ano de 1977, e em 1999 foi adquirida pelo Grupo Vranken Pommery Monopole, proprietário de marcas como, por exemplo, o Champagne Pommery. Esta mudança trouxe, consequentemente, novas oportunidades e investimentos, conduzindo a um maior aprimoramento das técnicas produtivas da Rozés.
Hoje, além de uma gama de vinhos não fortificados, produzidos na Quinta do Grifo, a Rozés tem duas linhas de Portos, a Classic Ports, abrangendo todos os estilos e idades, e a linha Colors Collection, com garrafas mais bojudas e coloridas, focadas em novos mercados, e que trazem um Porto Reserve (vermelho), um Branco Reserve (branco) e um Tawny 10 Anos (dourado). Uma solução atraente ao consumidor moderno, visando ampliar um mercado em redução, que é o de vinhos fortificados.
As Caves da Rozés são bonitas e antigas, encravadas nas encostas de Vila Nova de Gaia, porém, estão ali hoje basicamente para receber turistas, sendo que a parte mais importante do processo produtivo, e os vinhos mais importantes, estão no Douro vinhateiro, mas isso não desmerece em nada a interessante visita, devido ao profundo significado histórico destas instalações.
Tivemos ali a oportunidade de degustar quatro vinhos, conduzidos pelo enólogo Luciano Madureira, sendo um da linha Color Collection e três Classic Ports. A notas seguem abaixo:
1 – Rozés Ruby Special Reserve
Um Ruby, com fruta intensa, especiarias, leve balsâmico, figos, amoras e ameixas. Boa doçura, boca achocolatada, macio e encorpado, com discretos taninos e média persistência.
3D+
2 – Rozés Vintage 2008
Originário de vinhas velhas no Douro Superior, produzido principalmente a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Sousão, tem frutas negras, muitas especiarias, com noz moscada e pimenta preta, leve floral. Encorpado, traz uma explosão de frutas na boca, amplo e estruturado, com taninos finos, bom equilíbrio e longa persistência. Com certeza, um vinho para a adega.
4D+
3 – Rozés Color Collection White Reserve
Lote com uma idade média de 8 anos, e uma bela coloração dourada. No nariz, frutas secas, maçã com canela, ervas e leve oxidativo. Na boca, discreta sapidez e doçura equilibrada, nozes e caramelo, tostado, com média/longa persistência.
3D+
4 – Rozés Tawny 10 Anos Infanta Isabel
Envelhecido nas caves de Vila Nova de Gaia, apresenta caramelo queimado e amêndoas tostadas, cravo, boca ampla, com melaço e castanhas, macio, equilibrado e longo.
4D
Após a degustação, seguimos para o passeio por Vila Nova de Gaia e Porto, já mencionado anteriormente, e no dia seguinte, logo pela manhã, seguimos para a Quinta do Côtto. Pertencente à família Montez-Champalimaud, a Quinta é carregada de história, havendo indícios de que a propriedade já era ocupada por volta de 1140, antes mesmo da fundação da monarquia portuguesa. Desde 1976 sob a liderança de Miguel Champalimaud, a Quinta do Côtto inaugurou o conceito dos vinhos de Quinta no Douro, ou seja, vinhos produzidos a partir de uma única propriedade, e embora tenha, por muito tempo, produzido Vinho do Porto, hoje produz exclusivamente vinhos não fortificados.
Mesmo o Porto que ainda pode ser encontrado no mercado, o Champalimaud Vintage 2001, é um Porto que foge do normal, com menos álcool, apenas 16°, e menos doçura, um estilo todo particular. Já os vinhos que são ainda produzidos, estão divididos em duas marcas, Paço de Teixeró, produzido a partir de vinhedos no Minho, e a marca principal, Quinta do Côtto. Uma curiosidade é que a Quinta utiliza principalmente carvalho português em seus vinhos, valorizando, de certo modo, o produto nacional. Digo de certo modo, porque estamos falando do país da cortiça, e a Quinta do Côtto foi o primeiro produtor do Douro a adotar o Screwcap, que só não é utilizado em seu vinho principal, o Quinta do Côtto Grande Escolha, ironias do mundo do vinho...
A visita às instalações, bem com o a degustação dos vinhos, foram conduzidas pelo diretor da vinícola, Vasco Coutinho, já um frequentador assíduo nos eventos promovido pela Mistral com os vinhos da Quinta do Côtto aqui no Brasil. Seguem as notas dos vinhos:
1 – Paço de Teixeró Branco 2010
Vinho Verde, produzido com as castas Avesso (80%) e Loureiro (20%). Muito fresco, com frutas e flores brancas, peras, ligeiramente sápido, refrescante, com curta/média persistência.
3D
2 – Paço de Teixeró Rosé 2010
Produzido com Touriga Nacional e Touriga Franca. Cerejas frescas, morango e algo de romã. Fresco, equilibrado e de média persistência.
3D
3 – Quinta do Côtto Tinto 2009
Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca e Sousão, de vinhedos com idade média de 20 anos, em solos xistosos. Frutas vermelhas sobremaduras, em conserva, leve defumado e algo de especiarias. Fresco e tânico, algo de rancio, fino e ainda jovem, com média/longa persistência.
3D+
4 – Quinta do Côtto Grande Escolha 2007
Touriga Nacional e Tinta Roriz de vinhas velhas, solos xistosos, com 14 meses em barricas. Frutas vermelhas frescas, madeira bem marcada, com tostado e baunilha. Intenso, com bom frescor e adstringência, taninos finos e abundantes e média/longa persistência.
4D
5 – Quinta do Côtto Grande Escolha 2001
Interessante oportunidade de provar o mesmo vinho agora mais maduro. Fruta vermelha madura, já integrada com a madeira, balsâmico, especiarias e ervas aromáticas, macio e adstringente, com muitos taninos, finíssimos, bom frescor e fim de boca lembrando café espresso, longo.
4D+
Ao fim da degustação, uma surpresa; eu, como vencedor do Portugal Wine Expert São Paulo, Thais, vice-campeã, e Jéssica, vencedora de Salvador, fomos presenteados pela Quinta do Côtto cada um com uma garrafa Magnum do Quinta do Côtto Grande Escolha 1990, um presente realmente especial. A minha está aqui aguardando pela sua hora, e prometo que quando a hora chegar compartilho aqui a experiência, ok?
Depois de um agradável jantar no restaurante Castas e Pratos, em Peso da Régua, que tem uma das melhores Cartas de Vinhos da Região, deixamos no dia seguinte esta bela e, ao menos para mim, inesquecível região que é o Douro, rumo a Lisboa. Mas antes, no próximo post, uma parada estratégica na Bairrada, para provar o famoso leitão, com alguns dos melhores espumantes de Portugal. Não percam...
Dúvidas sobre o meu sistema de pontuação? Leia o post “Degustações e Pontuações”.
Grande abraço a até a próxima.
Após a visita as instalações da Quinta da Aveleda, no Minho, seguimos rumo oeste, para Vila Nova de Gaia, para a visita a Rozés. Fundada em Bordeaux, em 1855, por um negociante local, a Rozés permaneceu na família até o ano de 1977, e em 1999 foi adquirida pelo Grupo Vranken Pommery Monopole, proprietário de marcas como, por exemplo, o Champagne Pommery. Esta mudança trouxe, consequentemente, novas oportunidades e investimentos, conduzindo a um maior aprimoramento das técnicas produtivas da Rozés.
Hoje, além de uma gama de vinhos não fortificados, produzidos na Quinta do Grifo, a Rozés tem duas linhas de Portos, a Classic Ports, abrangendo todos os estilos e idades, e a linha Colors Collection, com garrafas mais bojudas e coloridas, focadas em novos mercados, e que trazem um Porto Reserve (vermelho), um Branco Reserve (branco) e um Tawny 10 Anos (dourado). Uma solução atraente ao consumidor moderno, visando ampliar um mercado em redução, que é o de vinhos fortificados.
As Caves da Rozés são bonitas e antigas, encravadas nas encostas de Vila Nova de Gaia, porém, estão ali hoje basicamente para receber turistas, sendo que a parte mais importante do processo produtivo, e os vinhos mais importantes, estão no Douro vinhateiro, mas isso não desmerece em nada a interessante visita, devido ao profundo significado histórico destas instalações.
| Caves da Porto Rozés |
1 – Rozés Ruby Special Reserve
Um Ruby, com fruta intensa, especiarias, leve balsâmico, figos, amoras e ameixas. Boa doçura, boca achocolatada, macio e encorpado, com discretos taninos e média persistência.
3D+
2 – Rozés Vintage 2008
Originário de vinhas velhas no Douro Superior, produzido principalmente a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Sousão, tem frutas negras, muitas especiarias, com noz moscada e pimenta preta, leve floral. Encorpado, traz uma explosão de frutas na boca, amplo e estruturado, com taninos finos, bom equilíbrio e longa persistência. Com certeza, um vinho para a adega.
4D+
3 – Rozés Color Collection White Reserve
Lote com uma idade média de 8 anos, e uma bela coloração dourada. No nariz, frutas secas, maçã com canela, ervas e leve oxidativo. Na boca, discreta sapidez e doçura equilibrada, nozes e caramelo, tostado, com média/longa persistência.
3D+
4 – Rozés Tawny 10 Anos Infanta Isabel
Envelhecido nas caves de Vila Nova de Gaia, apresenta caramelo queimado e amêndoas tostadas, cravo, boca ampla, com melaço e castanhas, macio, equilibrado e longo.
4D
Após a degustação, seguimos para o passeio por Vila Nova de Gaia e Porto, já mencionado anteriormente, e no dia seguinte, logo pela manhã, seguimos para a Quinta do Côtto. Pertencente à família Montez-Champalimaud, a Quinta é carregada de história, havendo indícios de que a propriedade já era ocupada por volta de 1140, antes mesmo da fundação da monarquia portuguesa. Desde 1976 sob a liderança de Miguel Champalimaud, a Quinta do Côtto inaugurou o conceito dos vinhos de Quinta no Douro, ou seja, vinhos produzidos a partir de uma única propriedade, e embora tenha, por muito tempo, produzido Vinho do Porto, hoje produz exclusivamente vinhos não fortificados.
| Momento Garoto Propaganda |
| Antigo Solar da Quinta do Côtto e vista geral do vale a partir da Quinta |
1 – Paço de Teixeró Branco 2010
Vinho Verde, produzido com as castas Avesso (80%) e Loureiro (20%). Muito fresco, com frutas e flores brancas, peras, ligeiramente sápido, refrescante, com curta/média persistência.
3D
2 – Paço de Teixeró Rosé 2010
Produzido com Touriga Nacional e Touriga Franca. Cerejas frescas, morango e algo de romã. Fresco, equilibrado e de média persistência.
3D
3 – Quinta do Côtto Tinto 2009
Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca e Sousão, de vinhedos com idade média de 20 anos, em solos xistosos. Frutas vermelhas sobremaduras, em conserva, leve defumado e algo de especiarias. Fresco e tânico, algo de rancio, fino e ainda jovem, com média/longa persistência.
3D+
4 – Quinta do Côtto Grande Escolha 2007
Touriga Nacional e Tinta Roriz de vinhas velhas, solos xistosos, com 14 meses em barricas. Frutas vermelhas frescas, madeira bem marcada, com tostado e baunilha. Intenso, com bom frescor e adstringência, taninos finos e abundantes e média/longa persistência.
4D
5 – Quinta do Côtto Grande Escolha 2001
Interessante oportunidade de provar o mesmo vinho agora mais maduro. Fruta vermelha madura, já integrada com a madeira, balsâmico, especiarias e ervas aromáticas, macio e adstringente, com muitos taninos, finíssimos, bom frescor e fim de boca lembrando café espresso, longo.
4D+
Ao fim da degustação, uma surpresa; eu, como vencedor do Portugal Wine Expert São Paulo, Thais, vice-campeã, e Jéssica, vencedora de Salvador, fomos presenteados pela Quinta do Côtto cada um com uma garrafa Magnum do Quinta do Côtto Grande Escolha 1990, um presente realmente especial. A minha está aqui aguardando pela sua hora, e prometo que quando a hora chegar compartilho aqui a experiência, ok?
| Antiga cubas de fermentação a céu aberto |
| Muros de contenção das Vinhas Velhas da Quinta do Côtto |
Dúvidas sobre o meu sistema de pontuação? Leia o post “Degustações e Pontuações”.
Grande abraço a até a próxima.
sábado, 20 de agosto de 2011
Douro - A Terra do Porto
Como eu havia escrito dois posts atrás, o Douro foi nossa base no norte de Portugal. Antes da visita ao Minho e a Quinta da Aveleda, nos instalamos em Peso da Régua, cidade que marca o início do Cima Corgo.

O Douro, á partir de Peso da Régua
Para quem não sabe, a Douro é a região que ocupa as margens do rio homônimo, e é dividida em três sub-regiões, de oeste para leste; o Baixo Corgo, região mais húmida e que da origem aos vinhos mais simples, que vai até Peso da Régua, o Cima Corgo, coração da região, onde estão instaladas as principais vinícolas, e que vai da Régua até Cachão da Valera, e o Douro Superior, região mais seca e inóspita, que vai até Barca D’Alva, na fronteira com a Espanha, e que mediante investimentos recentes tem dado origem, cada vez mais, a grandes vinhos.
Além dos aspectos técnicos, alguns momentos no decorrer desta viagem me emocionaram, e o primeiro deles foi a primeira vista do Douro, ao cruzar a ponte que dá acesso a Peso da Régua, com suas encostas e vinhedos, realmente de tirar o fôlego. Para ajudar, nosso hotel estava bem ao lado do rio, o que nos proporcionou um vista diferenciada todos os dias durante o café da manhã. O nome do hotel é Régua Douro, e eu recomendo para quem estiver a caminho da região.
O Douro é, do ponto de vista histórico, a mais importante região vinícola de Portugal. Demarcada pelo Marquês de Pombal em 1756, e convertida em Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, no fim do séc. XX, não perdeu sua relevância no cenário mundial, apesar dos diversos sobressaltos pelos quais passou ao longo de sua história, tais como as Guerras Napoleônicas, a filoxera, as crises financeiras e as mudanças políticas do país.
A grande referência da região ainda é o Vinho do Porto, fortificado, normalmente doce, que conquistou o mercado inglês no séc. XVIII. Até muito recentemente, embora o Porto fosse produzido no Alto Douro Vinhateiro, a maturação e engarrafamento dos vinho deveriam, obrigatoriamente, ser feita na cidade portuária de Vila Nova de Gaia. Porto, cidade do outro lado do rio, acabou ligando seu nome ao produto, porém, a orientação sul de suas encostas, com maior exposição ao sol, na favoreciam, então, a maturação de grandes vinhos. Como as estradas eram poucas, e de difícil trânsito, os vinhos eram transportados pelo rio, em barcos chamados rabelos, que até hoje ainda ocupam uma função, sobretudo decorativa, as margens do rio em Gaia.

Rabelos, em Vila Nova de Gaia
Ainda hoje muitas casas ainda mantém suas adegas em Vila Nova de Gaia, porém, a cada dia mais e mais vinícolas começam a produzir, maturar e engarrafas seus vinhos diretamente nas vinícolas, no Douro, de forma a garantir e acompanhar mais estritamente a qualidade em cada paço da produção. Durante séculos, a fama e economia da região foram abastecidas principalmente pelo Vinho do Porto, porém, a partir de meados do séc. XX começaram a surgir na região vinhos de mesa, ou seja, não fortificados, dos quais o precursor foi o Barca Velha, criado em 1952, pela Casa Ferreirinha, que leva o nome de sua principal figura histórica, também de grande importância para o Douro como um todo, Dona Antônia Ferreira.
Para não me estender em demasia, deixo a dica para aqueles que desejam conhecer um pouco mais a história de Dona Antônia que verifiquem o site da Sogrape, que desde 1987 é detentora da marca.
O fato é que, a partir do Barca Velha, muitos produtores e consumidores começaram a dar outra atenção aos vinhos de mesa do Douro, que em tempos recentes, mediante o investimento de dinheiro e energia, não só das empresas, mas também dos enólogos e demais trabalhadores envolvidos no processo, experimentaram um crescimento importante na variedade e qualidade dos produtos disponíveis, levando inclusive ao surgimento de vinícolas que simplesmente não produzem Vinho do Porto, como a Quinta do Côtto, que visitamos.

A esquerda Porto, e a direita Vila Nova de Gaia
Uma curiosidade sobre Porto, é que, na opinião dos portugueses, a cidade tem um trânsito “infernal”, e da pra ver que os cidadãos levam isso a sério, fazendo da buzina um item indispensável, mas acreditem, comparando com a Marginal Pinheiros numa tarde de sexta-feira... é uma passeio no parque. Os motoristas de Porto não sobreviveriam uma semana em São Paulo!

O trânsito infernal da cidade do Porto...
Visitamos também Pinhão, no dia seguinte, pequena cidade no coração do Cima Corgo, de onde costumavam partir os vinhos ruma a Gaia. A cidade e conhecida por sua antiga estação de trem, que tem as paredes decoradas com belas pinturas em azulejo, que mostram um pouco da vida no Douro. Dali partimos para um agradável passeio de barco pelo rio, sempre cercado de vinhas. Realmente lindo, e imperdível para quem visita a região. Foi possível observar um aumento significativo das plantações no sistema de vinhas ao alto, que dispensa os tradicionais patamares, e implanta fileiras de videiras em linha reta e contínua, subindo as encostas. Isso facilita o acesso, a leva a produções mais homogêneas. Uma tendência moderna, mas que veio para ficar.
O Douro, á partir de Peso da Régua
Para quem não sabe, a Douro é a região que ocupa as margens do rio homônimo, e é dividida em três sub-regiões, de oeste para leste; o Baixo Corgo, região mais húmida e que da origem aos vinhos mais simples, que vai até Peso da Régua, o Cima Corgo, coração da região, onde estão instaladas as principais vinícolas, e que vai da Régua até Cachão da Valera, e o Douro Superior, região mais seca e inóspita, que vai até Barca D’Alva, na fronteira com a Espanha, e que mediante investimentos recentes tem dado origem, cada vez mais, a grandes vinhos.
Além dos aspectos técnicos, alguns momentos no decorrer desta viagem me emocionaram, e o primeiro deles foi a primeira vista do Douro, ao cruzar a ponte que dá acesso a Peso da Régua, com suas encostas e vinhedos, realmente de tirar o fôlego. Para ajudar, nosso hotel estava bem ao lado do rio, o que nos proporcionou um vista diferenciada todos os dias durante o café da manhã. O nome do hotel é Régua Douro, e eu recomendo para quem estiver a caminho da região.
O Douro é, do ponto de vista histórico, a mais importante região vinícola de Portugal. Demarcada pelo Marquês de Pombal em 1756, e convertida em Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, no fim do séc. XX, não perdeu sua relevância no cenário mundial, apesar dos diversos sobressaltos pelos quais passou ao longo de sua história, tais como as Guerras Napoleônicas, a filoxera, as crises financeiras e as mudanças políticas do país.
A grande referência da região ainda é o Vinho do Porto, fortificado, normalmente doce, que conquistou o mercado inglês no séc. XVIII. Até muito recentemente, embora o Porto fosse produzido no Alto Douro Vinhateiro, a maturação e engarrafamento dos vinho deveriam, obrigatoriamente, ser feita na cidade portuária de Vila Nova de Gaia. Porto, cidade do outro lado do rio, acabou ligando seu nome ao produto, porém, a orientação sul de suas encostas, com maior exposição ao sol, na favoreciam, então, a maturação de grandes vinhos. Como as estradas eram poucas, e de difícil trânsito, os vinhos eram transportados pelo rio, em barcos chamados rabelos, que até hoje ainda ocupam uma função, sobretudo decorativa, as margens do rio em Gaia.
Rabelos, em Vila Nova de Gaia
Ainda hoje muitas casas ainda mantém suas adegas em Vila Nova de Gaia, porém, a cada dia mais e mais vinícolas começam a produzir, maturar e engarrafas seus vinhos diretamente nas vinícolas, no Douro, de forma a garantir e acompanhar mais estritamente a qualidade em cada paço da produção. Durante séculos, a fama e economia da região foram abastecidas principalmente pelo Vinho do Porto, porém, a partir de meados do séc. XX começaram a surgir na região vinhos de mesa, ou seja, não fortificados, dos quais o precursor foi o Barca Velha, criado em 1952, pela Casa Ferreirinha, que leva o nome de sua principal figura histórica, também de grande importância para o Douro como um todo, Dona Antônia Ferreira.
Para não me estender em demasia, deixo a dica para aqueles que desejam conhecer um pouco mais a história de Dona Antônia que verifiquem o site da Sogrape, que desde 1987 é detentora da marca.
O fato é que, a partir do Barca Velha, muitos produtores e consumidores começaram a dar outra atenção aos vinhos de mesa do Douro, que em tempos recentes, mediante o investimento de dinheiro e energia, não só das empresas, mas também dos enólogos e demais trabalhadores envolvidos no processo, experimentaram um crescimento importante na variedade e qualidade dos produtos disponíveis, levando inclusive ao surgimento de vinícolas que simplesmente não produzem Vinho do Porto, como a Quinta do Côtto, que visitamos.
A parte dos vinhos, pudemos visitar também a margem do Douro, em Gaia, endereço de muitos restaurante e lojas ligadas a vinícolas, outra visão que me emocionou, por toda a beleza e peso histórico que aquela paisagem traz consigo. Após um breve passeio e uma breve visita a loja da C. da Silva, vinícola responsável por aquele que, em minha modesta opinião, é um dos melhores Portos Brancos no mercado, o Dalva (infelizmente sem importadora no Brasil), do qual adquiri uma garrafa do Tawny 10 Anos Branco. E logo em seguida, o centro da cidade do Porto, para provar uma especialidade local, a francesinha, uma espécie de Croque-Monsieur, mas que leva carne e embutidos no recheio, e um leve roti picante por cima. Típico, simples, calórico e saboroso.
A esquerda Porto, e a direita Vila Nova de Gaia
Uma curiosidade sobre Porto, é que, na opinião dos portugueses, a cidade tem um trânsito “infernal”, e da pra ver que os cidadãos levam isso a sério, fazendo da buzina um item indispensável, mas acreditem, comparando com a Marginal Pinheiros numa tarde de sexta-feira... é uma passeio no parque. Os motoristas de Porto não sobreviveriam uma semana em São Paulo!
O trânsito infernal da cidade do Porto...
Visitamos também Pinhão, no dia seguinte, pequena cidade no coração do Cima Corgo, de onde costumavam partir os vinhos ruma a Gaia. A cidade e conhecida por sua antiga estação de trem, que tem as paredes decoradas com belas pinturas em azulejo, que mostram um pouco da vida no Douro. Dali partimos para um agradável passeio de barco pelo rio, sempre cercado de vinhas. Realmente lindo, e imperdível para quem visita a região. Foi possível observar um aumento significativo das plantações no sistema de vinhas ao alto, que dispensa os tradicionais patamares, e implanta fileiras de videiras em linha reta e contínua, subindo as encostas. Isso facilita o acesso, a leva a produções mais homogêneas. Uma tendência moderna, mas que veio para ficar.
Acima, azulejos em Pinhão, abaixo, Vinhas Ao Alto
No próximo post, um pouco sobre as vinícolas visitadas, Porto Rozés e Quinta do Côtto. Grande abraço e até lá.
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terça-feira, 16 de agosto de 2011
Minho – Quinta da Aveleda
No Minho visitamos “apenas” a Quinta da Aveleda, só o maior produtor da região, e um dos maiores exportadores do ramo. Para quem não sabe, a Aveleda é responsável pelo vinho branco mais vendido do Brasil, o onipresente Casal Garcia.
Aliás, já me adiantando um pouco, Casal Garcia é um capítulo a parte, constituindo-se em um estudo de caso em termos de criação e posicionamento de marca. A marca foi criada em 1938, com o auxílio do enólogo francês Eugène Hélisse, e seu rótulo, que imita a trama de um bordado, é presença portuguesa facilmente reconhecida mundo a fora. Trata-se de um Vinho Verde leve e fresco, não safrado, ligeiramente adocicado e gaseificado, porém correto e agradável. Para entender um pouco melhor o volume que este produto representa, a Aveleda dispõe em suas instalações de quatro linhas de engarrafamento, e destas, uma esta dedicada em tempo integral ao engarrafamento de Casal Garcia. O vinho é feito durante todo o ano, com mostos que são conservados em baixa temperatura, e fermentados apenas próximo ao momento de lançar o produto ao mercado, a fim de manter seu típico frescor.
Aliás, já me adiantando um pouco, Casal Garcia é um capítulo a parte, constituindo-se em um estudo de caso em termos de criação e posicionamento de marca. A marca foi criada em 1938, com o auxílio do enólogo francês Eugène Hélisse, e seu rótulo, que imita a trama de um bordado, é presença portuguesa facilmente reconhecida mundo a fora. Trata-se de um Vinho Verde leve e fresco, não safrado, ligeiramente adocicado e gaseificado, porém correto e agradável. Para entender um pouco melhor o volume que este produto representa, a Aveleda dispõe em suas instalações de quatro linhas de engarrafamento, e destas, uma esta dedicada em tempo integral ao engarrafamento de Casal Garcia. O vinho é feito durante todo o ano, com mostos que são conservados em baixa temperatura, e fermentados apenas próximo ao momento de lançar o produto ao mercado, a fim de manter seu típico frescor.
Um pouco da história do Casal Garcia
Mas, de volta a nossa linha de raciocínio inicial, Quinta da Aveleda... A empresa, como é hoje, surgiu em meados do século XIX, quando o proprietário das vinhas, Manuel Pedro Guedes da Silva da Fonseca, decidiu ali se instalar em definitivo, e iniciou um processo de modernização das instalações, porém, existem registros da propriedade que remontam ao século XVI. O nome Aveleda não vem da família proprietária, mas sim das Velledas, profetisas germânicas da idade média, que eram sacrificadas em honra dos deuses pagãos; supõe-se que uma destas mulheres tenha feito daquela região sua morada, dando então nome ao lugar.
A Aveleda permanece até hoje uma empresa familiar, ainda em mãos da família Guedes, e como no passado contam com a consultoria de um enólogo francês, Denis Dubourdieu, mas ao contrário de tantas outras empresas familiares, nunca abriu mão do pioneirismo e da vanguarda, sempre atenta às exigências do mercado, entretanto, não perde as características da família, como por exemplo nos jardins paradisíacos da vinícola, que não estão abertos a turistas, e que são cuidados com o mesmo afinco das vinhas. Aliás, a arte e a estética são uma preocupação que pode ser observada em todas as instalações da Aveleda, sempre ricas em pequenos detalhes, ou grandes esculturas e estruturas. Os jardins são cultivados com centenas de espécies botânicas, e abrigam uma fauna variada; contam com um belo paisagismo, e com a presença de várias estruturas/esculturas que reforçam a beleza bucólica do lugar; são as folies da Aveleda, estruturas arquitetônicas sem um fim específico, além do prazer hedonístico de admirá-las. Aliás, estas folies foram a inspiração para toda uma linha de vinhos, que embora multiregionais, recebem mais destaque pelas suas uvas do que pelo seu terroir, dentro do principio de valorizar o prazer, e não as elucidações e informações do produto.
A Aveleda permanece até hoje uma empresa familiar, ainda em mãos da família Guedes, e como no passado contam com a consultoria de um enólogo francês, Denis Dubourdieu, mas ao contrário de tantas outras empresas familiares, nunca abriu mão do pioneirismo e da vanguarda, sempre atenta às exigências do mercado, entretanto, não perde as características da família, como por exemplo nos jardins paradisíacos da vinícola, que não estão abertos a turistas, e que são cuidados com o mesmo afinco das vinhas. Aliás, a arte e a estética são uma preocupação que pode ser observada em todas as instalações da Aveleda, sempre ricas em pequenos detalhes, ou grandes esculturas e estruturas. Os jardins são cultivados com centenas de espécies botânicas, e abrigam uma fauna variada; contam com um belo paisagismo, e com a presença de várias estruturas/esculturas que reforçam a beleza bucólica do lugar; são as folies da Aveleda, estruturas arquitetônicas sem um fim específico, além do prazer hedonístico de admirá-las. Aliás, estas folies foram a inspiração para toda uma linha de vinhos, que embora multiregionais, recebem mais destaque pelas suas uvas do que pelo seu terroir, dentro do principio de valorizar o prazer, e não as elucidações e informações do produto.
Algumas imagens dos belos jardins da Aveleda
A Aveleda produz hoje, além do Casal Garcia, as linhas AVA, Fonte, Quinta da Aveleda, Charamba e Follies, com vinhedos no Minho, Douro e Bairrada. Produz ainda o Brandy Adega Velha, com vinhos base do Minho, que leva o nome da adega onde as barricas do destilado repousam antes do lançamento ao mercado. Após visita às instalações e aos jardins da Aveleda, degustamos vinhos de suas diversas linhas, conforme segue:
1 – Casal Garcia Branco NV (2010)
O vinho, a lenda. Corte de Trajadura, Loureiro, Arinto e Azal, frutado e floral intenso, frutas doces, off-dry, com ótimo frescor, discreta sapidez e leve agulha. Ligeira a média persistência, com sabor de beira de piscina.
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O vinho, a lenda. Corte de Trajadura, Loureiro, Arinto e Azal, frutado e floral intenso, frutas doces, off-dry, com ótimo frescor, discreta sapidez e leve agulha. Ligeira a média persistência, com sabor de beira de piscina.
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2 – Quinta da Aveleda Branco 2010
Corte mais nobre, com Alvarinho, Loureiro e Trajadura, resultando em um vinho aromático, com discreta mineralidade, leve agulha, muito frescor, e algo de frutas tropicais, com média persistência.
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Corte mais nobre, com Alvarinho, Loureiro e Trajadura, resultando em um vinho aromático, com discreta mineralidade, leve agulha, muito frescor, e algo de frutas tropicais, com média persistência.
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3 – Follies Alvarinho 2010
A Alvarinho em pureza, com um mineral mais bem marcado, e fruta mais elegante, além de um discreto herbáceo e algo de ervas aromáticas. Bom frescor, alguma untuosidade e boa persistência.
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A Alvarinho em pureza, com um mineral mais bem marcado, e fruta mais elegante, além de um discreto herbáceo e algo de ervas aromáticas. Bom frescor, alguma untuosidade e boa persistência.
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4 – Casal Garcia Rosé NV (2010)
Obtido com as castas Vinhão, Azal Tinto e Borraçal, lembra morangos frescos, além de um leve floral, e algo de romã. Na boca, leve, fresco, com ligeira agulha, e ligeiro. Aperitivo descompromissado.
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Obtido com as castas Vinhão, Azal Tinto e Borraçal, lembra morangos frescos, além de um leve floral, e algo de romã. Na boca, leve, fresco, com ligeira agulha, e ligeiro. Aperitivo descompromissado.
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5 – Charamba 2007
Produzido no Douro, com Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinta Roriz. Além desta degustação, já degustei às cegas, e ele se sai sempre melhor do que seu preço nos leva a imaginar. Fruta madura, leve floral e algo de especiarias. Médio corpo, com bom frescor, taninos finos e média persistência. Meio de boca com muita fruta.
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Produzido no Douro, com Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinta Roriz. Além desta degustação, já degustei às cegas, e ele se sai sempre melhor do que seu preço nos leva a imaginar. Fruta madura, leve floral e algo de especiarias. Médio corpo, com bom frescor, taninos finos e média persistência. Meio de boca com muita fruta.
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6 – Casal Garcia Tinto NV (2010)
Novidade da Aveleda. Substituindo o tradicional Casal Garcia Vinho Verde Tinto, este é um vinho de mesa, produzido com Touriga Nacional e Tinta Roriz, e que visa atingir um mercado bem mais amplo. Afinal, encarar Vinho Verde Tinto, como eu disse antes, é tarefa para poucos. O vinho é intensamente frutado, com floral bem marcado e algo de madeira. Macio, com acidez de média para cima, e poucos e finos taninos. Bem correto e agradável.
Novidade da Aveleda. Substituindo o tradicional Casal Garcia Vinho Verde Tinto, este é um vinho de mesa, produzido com Touriga Nacional e Tinta Roriz, e que visa atingir um mercado bem mais amplo. Afinal, encarar Vinho Verde Tinto, como eu disse antes, é tarefa para poucos. O vinho é intensamente frutado, com floral bem marcado e algo de madeira. Macio, com acidez de média para cima, e poucos e finos taninos. Bem correto e agradável.
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7 – Follies Touriga Nacional 2007
Um Touriga bairradino, com nariz elegante e intenso a frutas negras, tostado evidente e discreto floral. Bom frescor, intenso em boca, tânico, porém macio, com média/longa persistência.
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Um Touriga bairradino, com nariz elegante e intenso a frutas negras, tostado evidente e discreto floral. Bom frescor, intenso em boca, tânico, porém macio, com média/longa persistência.
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8 – Aguardente Adega Velha
Obtido a partir de vinhos base das castas Vinhão, Azal Tinto, Borraçal e Espadeiro, destilados em alambiques Charentais, provenientes de Cognac, França, e repousado em pipas velhas de carvalho Limousin. Coloração âmbar e brilhante, complexo e intenso, com frutas secas, bagas, flores e algo de oxidativo. Boca suave e aveludada, equilibrado e longo.
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Obtido a partir de vinhos base das castas Vinhão, Azal Tinto, Borraçal e Espadeiro, destilados em alambiques Charentais, provenientes de Cognac, França, e repousado em pipas velhas de carvalho Limousin. Coloração âmbar e brilhante, complexo e intenso, com frutas secas, bagas, flores e algo de oxidativo. Boca suave e aveludada, equilibrado e longo.
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As Adegas Velhas (a instalação e o produto), e a garrafa nº 1 do nobre destilado.
A impressão geral foi bem positiva, com vinhos sempre corretos e bem feitos, dentro daquilo a que se propõem. É sempre bom visitar empresas como a Aveleda, grandes, mas sem descuidar da qualidade, preocupação primordial de todo produtor sério.
Dúvidas sobre o meu sistema de pontuação? Leia o post “Degustações e Pontuações”.
No próximo post, Douro e Porto. Espero que tenham gostado, e até lá.
Grande Abraço
Dúvidas sobre o meu sistema de pontuação? Leia o post “Degustações e Pontuações”.
No próximo post, Douro e Porto. Espero que tenham gostado, e até lá.
Grande Abraço
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