segunda-feira, 18 de abril de 2011

Expovinhoff e Expovinis, Uma Semana Agitada!!!


A semana que vem será das mais agitadas no mercado de vinhos, com a realização de duas feiras em São Paulo.


A primeira será no dia 25, segunda feira. Será a segunda edição do Encontro de Vinhos Off (Expovinhoff para os íntimos), que antecede a Expovinis e serve de vitrine para vários produtores e/ou importadoras que por várias razões decidiram ou não participar desta, ou participar de ambas as feiras.

A organização corre por conta dos blogueiros Daniel Perches (Vinhos de Corte), e Beto Duarte (Papo de Vinho), que escolheram como local do evento deste ano a Pizzaria Bendita Hora, em Perdizes. Um evento por certo imperdível. Maiores informações no site do Encontro de Vinhos.


Já a partir de terça feira, dia 26, começa a 15ª Expovinis, a maior feira de vinhos da América Latina, no Pavilhão da Expo Center Norte. São três dias, contando com a presença de muitos dos principais nomes do mercado nacional, além de várias associações nacionais e/ou regionais, além de produtores individuais.

A feira conta com uma ampla programação paralela de eventos, degustações e palestras, que podem ser encontrados no site da Expovinis.

Uma feliz coincidência entre as feiras, e que em ambas eu farei parte do corpo de jurados que selecionarão os melhores vinhos da cada uma delas. No caso do Encontro de vinhos, a seleção se dará no próprio dia do evento, e na Expovinis passei no último fim de semana por uma pequena maratona, degustando mais de 160 vinhos, totalmente às cegas, selecionando vinhos que eu, assim como vocês, só saberei quais são no primeiro dia da feira. Em um próximo post conto um pouco mais sobre esta experiência.

Marquem então em suas agendas, dia 25/04, Encontro de Vinhos na Pizzaria Bendita Hora, e dias 26, 27 e 28, Expovinis, na Expo Center Norte. No vemos por lá.

Até a próxima.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sesmarias 2008, o Ícone da Miolo


Tive a oportunidade de degustar este grande vinho recentemente.
Trata-se um projeto ousado da Miolo, que visa produzir um vinho brasileiro de classe internacional. O vinho é produzido a partir de dez castas, plantadas em parcelas dos vinhedos da Fortaleza do Seival, na Campanha Gaúcha. Após a vinificação em separado das dez, 100% em barricas, é feita a seleção das 6 castas que farão parte do corte final. O 2008 em especial é composto das castas Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot, Tannat, Tempranillo e Touriga Nacional, em percentagens não informadas, e passa por um estágio de 18 meses em barricas, já após o corte.
Trata-se de um vinho de coloração rubi profunda, ainda com notas violáceas. O nariz é intenso, concentrado e complexo, com frutas negras maduras, especiarias, e um tostado bem evidente. Em boca, é um vinho potente e razoavelmente equilibrado, mas com os taninos discretamente rugosos. No fim de boca as notas tostadas e especiadas voltam com intensidade.
Um vinho que classifico como 4D.
Agora um aparte. Vejam bem, eu gostei do vinho e o avaliei bem, no entanto, em nenhum momento senti que se tratava de um grande vinho brasileiro, mas apenas de um grande vinho. Um trabalho maravilhoso, de uma equipe de enólogos dos mais competentes, liderados por ninguém menos que Michel Rolland, mas mesmo assim (ou talvez por conta disso), um vinho de cantina, produzido com uvas de grande qualidade e com as mais avançadas técnicas, mas que em nenhum momento demonstra ser um vinho de terroir. Repito, o vinho é muito bom, e provavelmente, em uma degustação as cegas, receberia notas elevadas de minha parte, mas, até o momento, continuo ansioso por descobrir o verdadeiro caráter do terroir nacional.

Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações"
Grande abraço e até a próxima.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Antônio Saramago e Scancio em Campinas!!!

O "bombomzinho" de Antônio Saramago E

Faço aqui um convite muito especial para todos os apreciadores de bons vinhos. Dia 19/04 receberemos no Olivetto Restaurante o talentoso e reconhecido enólogo Antônio Saramago, para um Wine Dinner muito especial, onde ele apresentará ao público algumas de suas principais criações.e

Com o apoio da Importadora Viníssimo, poderemos degustar os vinhos Risco 2008, e Antônio Saramago Reserva 2005, ambos 100% Castelão, produzidos na Península de Setúbal, um sem e o outro com madeira, e que demonstram todo o potencial desta casta no terroir selecionado por Antônio Saramago.p

Além destes dois exemplares do portfólio da Antônio Saramago Vinhos, teremos também o lançamento dos vinhos Scancio Reserva 2008 e Private Selection 2005. Tratam-se de dois vinhos feitos em homenagem aos sommeliers, com o apoio do sommelier português José Carlos Santanita, e do especialista brasileiro Arthur Azevedo. Ambos são alentejanos, e como já tive a oportunidade de degustá-los, posso afirmar, são muito bons!p

Por fim, Antônio Saramago nos apresentará seu "bombomzinho", o JMS Moscatel de Setúbal Superior 1993, vinho exclusivíssimo, do qual foram produzidas apenas 1000 garrafas de 375ml, e com um preço acima de R$ 500,00 a unidade, grande "xodó" do enólogo.o

Como de costume nos Wine Dinners do Olivetto, os vinhos serão acompanhados por um menu cuidadosamente desenhado pelo Chef Fábio Amaral e por mim, visando a perfeita harmonização de todos os elementos. Um jantar imperdível.o

Maiores informações pelo telefone 19-3294-8133,ou pelo e-mail contato@olivettorestaurante.com.br o

Espero por vocês.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Fundação Eugénio de Almeida e o Pêra Manca 2007


Ok, sei que o vinho já está no mercado há alguns meses, mas só agora tive a oportunidade de escrever sobre o assunto...
Estive presente no início de novembro do ano passado, por meio de um gentil convite da Adega Alentejana, a um almoço no restaurante A Bela Sintra, em São Paulo, onde foi feito o lançamento da nova safra do Pêra Manca, vinho ícone da Fundação Eugénio de Almeida, e um dos grandes vinhos de Portugal, entre os mais apreciados aqui no Brasil. Tanto que o lançamento deu-se aqui antes de sua terra natal.
A Fundação, para quem não conhece, foi fundada em 1963, por Vasco Maria Eugénio de Almeida, conde de Vill'Alva, e não tem fins lucrativos, produzindo hoje uma variedade de vinhos, azeites e outros produtos agropecuários. Não vou me estender demais aqui, pois informações mais completas e precisas podem ser encontradas no site da fundação, http://fundacaoeugeniodealmeida.pt/
O Bela Sintra, como de costume, apresentou um serviço impecável, e a refeição transcorreu num agradável clima de informalidade, contando com as especiais presenças do Sr. Luis Faria Rosado, presidente de Fundação, e do Sr. Pedro Baptista, enólogo-chefe da vinícola. Ambos conseguiram apresentar seus fidalgos vinhos de forma simples e objetiva, sem perder a profundidade técnica esperada de tão ilustres anfitriões. Mas, vamos agora aos vinhos!

1 - Foral de Évora Branco 2009
Produzido com a casta Assario, nome da Malvasia Fina naquela região, é um vinho gostoso e muito agradável, com frutas amarelas e tropicais, boa acidez e estrutura, além de uma boa persistência. Fica melhor ainda com o preço! (R$ 48,10)
3D

2 - Pêra Manca Branco 2008
Em minha modesta opinião, um dos grandes brancos portugueses. Produzido com as castas Antão Vaz e Arinto, apresenta notas marcadamente minerais, aromas de frutas e flores, mel e cera, amêndoas e baunilha, bem integradas num conjunto que em boca mostra-se muito equilibrado, com bom frescor e corpo, além de um longo final.
4D

3 - Foral de Évora Tinto 2006
Um bom tinto, com frutas maduras, médio corpo, bons taninos e acidez. Bem agradável, apesar de uma pontinha de álcool.
3D

4 - Foral de Évora Tinto 2007
Este ainda não estava disponível no Brasil, e veio na mala com o pessoal da Fundação. Mais intenso que o 2006, com uma acidez mais balanceada e bem integrada. Vivo, com agradáveis notas florais.
3D
5 - Scala Coeli 2007
Vinho relativamente novo , tendo sido produzido a partir da safra 2005. A curiosidade é que o vinho é feito com diferentes castas a cada ano, com o objetivo de apresentar ao público a casta que melhor se expressou no terroir da Fundação naquele ano. O 2005 foi um Cabernet/Merlot, o 2006 um Syrah, e este 2007 100% Touriga Nacional. Trata-se de um vinho potente e complexo, com frutas maduras, figos, flores e especiarias, além de um leve toque mineral. Longo e equilibrado, mas ainda precisando de alguns anos de garrafa para mostrar o seu melhor. A quem possa interessar, o Scala Coeli 2008 será um Alicante Bouschet.
5D

6 - Pêra Manca 2007
Por fim, a grande estrela. Produzido pela Fundação Eugénio de Almeida desde 1990, o Pêra Manca tem uma história muito mais antiga, com registros que datam ainda do século XV. Era, inclusive, o vinho que Pedro Álvares Cabral trouxe em suas naus para o Brasil. O 2007 em especial ainda esta muito jovem, não sendo recomendável seu consumo imediato, mas já é uma vinho grandioso e memorável, com frutas passas, tostado, cacau, café e baunilha. Estruturado e polido, com finos e abundantes taninos, e um longo e agradável final.
5D

Todos os vinhos da Fundação Eugénio de Almeida são importados para o Brasil com exclusividade pela Adega Alentejana.
Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Abraço e até a próxima.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Um Pouco Sobre a Austrália


Olá, estou de volta, e com um pequeno artigo sobre a Austrália,publicado na edição nº 20 da revista Psiquê, daqui da região:

“Austrália, o país do vinho!” A frase pode parecer um pouco exagerada, mas não está tão longe da realidade. Pode parecer um pouco estranho para nós brasileiros, afinal os vinhos australianos não são assim tão comuns em nossas prateleiras, representando menos de 10% das importações anuais do Brasil, mas trata-se do 6° maior produtor mundial, e um dos principais exportadores para importantes mercados consumidores, tais como o Reino Unido, os Estados Unidos e a China. Com uma indústria vinícola relativamente jovem (as primeiras videiras foram plantadas em 1788, enquanto no Brasil chegaram em 1532), o crescimento rápido foi a tônica dos últimos anos, alcançando em 2003 a meta de AU$ 4,5 Bilhões em vendas que havia sido traçada para 2025, demonstrando, assim, grande organização, bem como capacidade de ir ao encontro dos desejos do público, com vinhos em geral confiáveis, frutados e fáceis de tomar, 75% deles produzidos por vinícolas pertencentes a apenas cinco grupos.

Outro ponto importante é a inovação, afinal estamos falando do mais moderno parque industrial vitivinícola no mundo, com tecnologia de ponta, mão de obra altamente especializada, e alguns dos principais centros de formação de enólogos, além, é claro, do constante espírito de inovação, que leva, por exemplo, ao amplo uso das tampas de rosca, ou screwcaps, em seus vinhos. Quanto à (grande) polêmica sobre o uso da cortiça ou não, este é um assunto que, se vocês não se incomodarem, vou deixar para outra ocasião, ok?

E por último, mas não menos importante, temos a Shiraz, de longe a casta mais plantada na Austrália, e que trouxe fama aos vinhos daquele país. Original do sul da França, onde recebe o nome de Syrah, esta casta encontrou nos ensolarados campos australianos o terroir ideal para a produção de vinhos amplos, ricos em frutas maduras, e com um distinto toque de especiarias. Onipresente em todo o território, os Shiraz australianos podem apresentar os mais variados estilos, mas em geral são vinhos que se dão muito bem com carnes grelhadas e com pouca gordura, como o tradicional churrasco de canguru australiano (não, não é brincadeira...), ou ainda com molhos com um toque de pimenta e/ou noz moscada, como o Prime Rib ao Poivre que servimos aqui no Olivetto.
É possível encontrar no marcado brasileiro um grande volume de vinhos corretos, porém padronizados, mas existe por outro lado uma ampla oferta de pequenos produtores, focados em vinhos de alta gama, bem como na identificação e divulgação dos diversos terroirs daquele país, e muitos destes produtos estão disponíveis aqui, entre os quais destaco Penfolds e Glaetzer, do Barossa Valley, Jim Barry, do Clare Valley e Coonawarra, e a Mitolo, do McLaren Valley. E obviamente outras castas como a Chardonnay e a Semillon para os brancos, e a Cabernet Sauvignon, em especial de Connawarra, para os tintos Além destes, muitos são os vinhos australianos que valem, ao menos, a prova, pois pode ter-se a certeza de que as chances de acerto são amplamente maiores que as de erro.

O artigo é conciso, mas espero que tenham gostado.
Grande abraço e até a próxima.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Mais uma vez...

Mais uma vez este blog esta desatualizado, mas por um bom motivo, estava eu na Itália, entre Toscana e Piemonte, concluindo o curso de sommelier pela AIS, Associazione Italiana Sommelier. Consequentemente, temos muito tema para os próximos posts, e tão logo eu coloque alguns outros assuntos em dia, volto para contar um pouco mais sobre esta viagem e os vinhos degustados.
Abraço e até breve.

domingo, 14 de novembro de 2010

Domaine L'Oustal Blanc, com Guilherme Corrêa


Tive a oportunidade de provar estes excelentes vinhos franceses em uma degustação realizada na Enoteca Decanter, no Itaim Bibi, apresentados pelo meu amigo Guilherme Corrêa.
Para aqueles que já tiveram a oportunidade de acompanhar uma apresentação do Guilherme, é absolutamente desnecessário mencionar suas habilidades como orador. Afinal, não é por acaso que ele é, merecidamente, duas vezes o melhor sommelier do Brasil. Para aqueles que ainda não tiveram essa chance, não perca o próximo evento apresentado por ele na sua cidade. Eu garanto, se a seleção dos vinhos for por conta dele, vale cada centavo.
Mas, quanto a vinícola, o Domaine L'Oustal Blanc é uma das boas surpresas que tem surgido no sul da França nos últimos anos. O sul da França, e em especial o Languedoc-Roussilon, sempre produziu mais quantidade do que qualidade, porém, como ali as regras são menos restritivas do que em outras regiões, como Bordeaux e Bourgogne, além dos preços das terras serem mais baixos, há uma série de produtores visionários se instalando por lá.
O Domaine L'Oustal Blanc, em especial, fica na região de Minervois La Livinière, que era até recentemente uma sub-região da AOC Minervois, e recebeu sua própria AOC devido a qualidade diferenciada de seus vinhos. O casal Claude e Isabel produz ali desde 2002, numa área total de menos de 10 ha de solo de marga calcária, e conta, desde 2006, com a assessoria do respeitado enólogo Philippe Cambie.
Vale citar a exclusividade deste vinhos, produzidos em pequenas quantidades (24.000 garrafas/ano), e, segundo Guilherme, exportados a conta-gotas, o que só aumenta o privilégios de ter-los provado. Vamos então aos vinhos:

1 - Naïck Blanc 8 Vin de Table
A casta utilizada aqui é a rara Grenache Gris, obtida em vinhedos plantados em 1948. Como a casta não é permitida pelas regras da AOC, o vinhos é engarrafado como Vin de Table, não sendo, portanto, permitida a menção clara da safra, mas trata-se, no entanto, de um 2008 mineral, com notas marcadas de frutas amarelas maduras, espresso e especiarias, como canela. Quente, fresco e macio, com uma agradável sapidez e longa persistência. Muito equilibrado, não demonstrando seus 15° de álcool.
4D

2 - Naïck Rouge 7 Vin de Table
Também um Vin de Table, mas porque usa uvas Cinsault de videiras velhas de Saint-Chinian, além de Carignan, Syrah e Grenache. Agradáveis aromas de ervas e especiarias, garrigue, laranja sobremadura, cerejas e ameixas, tostado, com uma boca macia, marcada pela sapidez, quase salgada. Longo e prazeiroso.
4D

3 - Giocoso 2005
Corte de Grenache (65%), Syrah (20%) e Carignan (15%). Aromas intensos de framboesa, jabuticaba, ervas, tomilho, alcaçuz e couro. Na boca, geléia, sapidez bem marcada, boa acidez e taninos de boa qualidade. Longo.
4D

4 - Maestoso 2006
Grenache, Syrah e Carignan quase em partes iguais, resultando em um vinho ainda jovem, com austeros aromas de frutas maduras, café, tostado, especiarias e animal. Em boca, boa acidez e sapidez, com taninos finos e abundantes. Um vinho longo, agradável e complexo.
5D

5 - Prima Donna la Liviniére 2007
50 % de Grenache de videiras centenárias, complementados por 40% de Syrah e 10 % de Carignan, que resultam em um vinho intensamente frutado, mineral, com notas especiadas e animais. Na boca, fruta madura, couro, bela acidez e harmonia, além de taninos que deverão garantir ainda muitos anos a este vinho.
5D

Os vinhos do Domaine L'Oustal Blanc são importados pela Decanter.
Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Abraço e até a próxima.

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