segunda-feira, 2 de maio de 2011

Degustando os Top Ten da Expovinis







A foto acima, para alguns, pode representar um momento de diversão,mas acreditem, é trabalho duro! Certamente um trabalho prazeiroso, mas ainda assim trabalho...


Mediante um convite de Jorge Lucki, participei, pela primeira vez, do júri que elegeu o Top Ten da Expovinis. E experiência, por si só, já traz muito conhecimento, afinal, ao degustar as cegas temos a oportunidade de julgar o vinho sem preconceitos, baseados apenas no que encontramos na taça, mas, além disso, colabora também no processo a oportunidade de degustar ao lado de alguns dos mais reconhecidos e experientes degustadores do país, sendo estes Gerson Lopes (ABS-MG/ Estado de Minas), Gustavo Andrade de Paulo (ex-presidente da ABS-SP/ Wine Style), Jorge Carrara (Prazeres da Mesa/ Folha de S.Paulo), José Luiz Pagliari (SBAV-SP / Senac-SP), José Maria Santana (Gosto), Marcelo Copello (site Mar de Vinhos), Marcio Oliveira (SBAV-MG e editor do Vinotícias), e Roberto Gerosa (iG e responsável pelo Blog do Vinho), além dos responsáveis pela organização da degustação, José Ivan dos Santos e Jorge Lucki.


As degustações aconteceram da sede da Fecomercio, em São Paulo, nos dias 15 e 16 de abril. Os 156 vinhos foram divididos em dez categorias (as mesmas da premiação) e são trazidos aos degustadores já nas taças, devidamente numeradas, e na mesma temperatura. Cada jurado degusta e pontua os vinhos individualmente, sem comunicar-se com os demais, e insere as notas em um Ipad com um aplicativo desenvolvido pela Wine Tag, que já fazia os cálculos das médias, excluindo sempre a nota mais alta e a mais baixa de cada amostra. Os resultados foram divulgados apenas no primeiro dia da Expovinis. Abaixo a foto dos campeões:



Reproduzo agora uma análise do jurado Márcio Oliveira, do Boletim Vinotícias, sobre cada um dos vencedores. Vocês podem achar que foi preguiça de escrever, mas o fato é que o texto dele ficou muito bom, e bem objetivo.


" Os TOP TEN PELO JURI DO EVENTO:
■ Espumante Nacional: um painel bastante concorrido com 17 amostras. O vinho ganhador do TOP TEN foi o Casa Valduga 130 Brut (Casa Valduga). O espumante é elaborado pelo método champenoise, considerado entre os melhores espumantes do Brasil e coleciona medalhas internacionais. Com garrafa de design diferenciado e rótulo elegante, permanece após a refermentação em garrafa de 48 a 60 meses maturando.

■ Espumante Importado: poucas amostras de vinhos enviadas, saindo vencedor o único champagne do painel, o Cuvée Charles Gardet 2000 (Del Maipo).

■ Branco Sauvignon Blanc: um painel que mostrou algumas amostras bem típicas da casta, com nítidos aromas de maracujá azedo. O vencedor foi o chileno Casas Del Bosque Pequeñas Producciones Sauvignon Blanc 2009 (Obra Prima), que realmente é um vinho que arrebata prêmios por onde passa : Vinhedos plantados no Valle de Casablanca, com Sauvignon Blanc 100% e condução do vinhedo em Espaldeira. Passa 3 meses em barril de Carvalho francês. Notas de degustação: cor - amarelo palha. Origina-se no terroir mais frio do Valle de Casablanca, onde obtém grande expressividade. Uma elegante acidez, notas cítricas minerais e de grande fineza. É um vinho concentrado e com final elegante. Enólogo: David Morrison. Premiações: Medalha de Ouro Decanter Worl Wine Awards U.K. 2009 Wine Advocate U.S.A. 2008 - 91 PT Descorchados Wine Guide Chile 2008 - 93 PT Mujer & Vino Wine Guide 2008 - 1º Lugar em Brancos

■ Branco Chardonnay: painel bastante concorrido, com presença de 15 amostras. Vinhos puxando pela fruta em contraposição a vinhos bem a madeira bem integrada. Confesso que fui vencido pela qualidade do escolhido, Giaconda Nantua Vineyard Chardonnay 2005 (KMM Vinhos). A Vinícola Giaconda elabora alguns dos mais procurados e raros vinhos australianos. Estes vinhos super-premium tem estilo inspirado nas tradicionais técnicas francesas de enologia. O início humilde no início dos anos 80, com um pequeno vinhedo de três hectares e vinícola “low-tech”, feita com tijolos artesanais e granito próprio do local, surpreendeu pela qualidade. Outrora engenheiro, o proprietário e enólogo Rick Kinzbrunner (Winemaker of the Year 2003, Qantas/Australian Gourmet Traveller) lançou primeiro o Cabernet Sauvignon em 1985, seguido pelo Chardonnay 1986. Desde então, os vinhos Giaconda ascenderam a super-cult status. Em 2007, a revista inglesa Decanter o elegeu entre os “Top 10 Enólogos de Vinhos Brancos do Mundo". Sobre o vinho: Giaconda Nantua Vineyard Chardonnay 2005 - REGIÃO: Beechworth, Victoria – Austrália. Corte: 93% Chardonnay, 7% Roussanne. ÁLCOOL: 13,5%. Notas de Degustação: O vinho é totalmente fermentado em carvalho francês, sendo em 30% de barris novos. Passou por fermentação maloláctica. Originalmente a mistura era 85% Chardonnay e 15% Roussanne, conforme as videiras de Chardonnay foram envelhecendo, a quantidade de Roussanne foi sendo reduzida, sem mudar o estilo. O vinho evidencia aromas de frutas secas como aveia, avelã, e frutas amarelas como pêssego, damasco e ainda frutas tropicais. Paladar fresco e limpo com suculenta uva Chardonnay e rico na influência da Roussanne. Final excelente, textura longa, cremosa, com carvalho, notas minerais e acidez: uma soma que leva à complexidade e satisfação. Para se obter o máximo deste vinho, deve-se envelhecê-lo de dois até cinco anos.

■ Branco Outras Castas: 15 amostras no painel que revelou como vencedor o Morgado De Sta Catherina Bucelas Reserva Arinto 2008 (Interfood). Nariz elegante, fruta tropical, notas florais, defumadas e persistência aromática. Amarelo citrino, boca de grande sabor, frescura e mineralidade. O vinho descansa 9 meses sobre borras com bâtonnage. Criado com 100% Arinto. Álcool: 13,4%. Harmonização: Peixes, Aves, Queijos e Ostras. Produzido pela COMPANHIA DAS QUINTAS: A Companhia das Quintas é uma das maiores empresas portuguesas de vinhos e bebidas alcoólicas. Desde sua origem, em 1999, a Companhia das Quintas tem dinamizado fortemente o setor e hoje é uma referência em Portugal com seus vinhos oriundos de regiões emblemáticas do país.

■ Rosado: um painel onde tradicionalmente estão presentes vários vinhos provenientes da Provence. O domínio francês mostrou mais uma vez como vencedor o Château De Pourcieux Côtes De Provence 2010 (Cantu), aliás, vencedor pela quarta vez. Vinho rosé elaborado com uvas: 50% Syrah, 30% Grenache, e 20% Cinsault. Apresenta uma coloração salmão brilhante com intenso aroma de morango, frutos vermelhos e flores (lilás). Ao paladar, revela-se frutado com destaque para frutos vermelhos como morango. É um vinho refrescante e revigorante. Acompanha bem saladas, frango assado e carnes frias.

■ Tinto Nacional: outro painel muito concorrido, com 32 amostras enviadas. O vencedor foi o Pizzato DNA 99 2005 (Pizzato). Em 1999, primeira safra vinificada pela PIZZATO, foram elaboradas apenas 15.500 garrafas: O PIZZATO Merlot 1999. Ao ser lançado em setembro de 2000, o vinho passou a ser referência para o potencial do varietal merlot no Vale dos Vinhedos. Atualmente, a merlot é considerada a uva que apresenta os melhores resultados para os vinhos tintos do Brasil. A partir do mesmo vinhedo que deu origem ao grande Pizzato Merlot 1999, a Pizzato apresenta este exclusivo merlot da safra 2005, ano em que as condições de desenvolvimento das uvas foram muito próximas a safra de 1999. Vinho encorpado com bom potencial de envelhecimento, amadurecido por 9 meses em barris de carvalho francês de primeiro uso. Apresenta aromas frutados e empireumáticos na boca macio e pleno, com retrogosto prolongado.

■ Tinto Novo Mundo: painel com 28 amostras, com presença de vários malbecs argentinos sugeridos pelos taninos macios. O vencedor Jim Barry The Mcrae Wood Shiraz 2005 (KMM Vinhos) encantou-me. Vem da região de Clare Valley (Austrália do Sul), feito 100% Shiraz. ÁLCOOL: 15,5%. Em 1964 Jim Barry adquiriu 70 acres de terra de Duncan McRae Wood, na região de Armagh, em Clare Valley, pagando £50 por acre. Nas últimas três décadas, a vinícola Jim Barry acumulou considerável experiência sobre as suas videiras e os vinhos produzidos em Clare Valley. Através deste conhecimento, selecionados vinhedos de Shiraz tiveram sua produtividade reduzida para aumentar a intensidade e a qualidade da fruta. A pequena região de Clare Valley representa menos de 1.5% do total da produção australiana de vinhos. A temporada ofereceu condições perfeitas para o desenvolvimento, com uma primavera quente. Já em janeiro e fevereiro as temperaturas máximas foram levemente abaixo do normal e as chuvas que caíram foram benéficas para deixar as vinhas saudáveis. Recebeu 94 pontos de James Halliday em seu Australian Wine Companion 2009. Notas de Degustação: um belo Shiraz, mostrando vibrante coloração vermelho-rubi e violeta. O aroma apresenta frutas escuras: amora preta, framboesa e amora, com notas de violeta e noz-moscada. O paladar é denso, com sabores de ameixa, alcaçuz, cereja preta, café e especiarias. Com taninos elegantes e moderados, enquanto o final apresenta excelente persistência. Passou por 15 meses em barricas de carvalho americano. Ideal para beber agora ou aguardar até 2020.

■ Tinto Velho Mundo: 23 amostras enviadas, num painel que destacou como vencedor o Roquette & Cazes 2007 (Qualimpor). Nasceu de uma parceria entre a família Roquete da Quinta do Crasto (Douro, Portugal) e a família Cazes do Chateau Lynch-Bages (Bordeaux, França), o Roquette & Cazes é um vinho de troca de experiências e conhecimentos. Nada melhor do que aproveitar a tecnologia de vinificação francesa no “terroir” do Douro. Vinho produzido na Região Douro, a partir das castas 60% Touriga Nacional, 15% Touriga Franca e 25% Tinta Roriz. Estagiou em barricas de carvalho frances (70% novas e 30% de um ano) durante 18 meses. Apresenta uma cor rubi intensa, com excelente complexidade aromática, com notas de frutos vermelhos muito limpos, elegantes especiarias e suaves notas balsâmicas. Na boca é um vinho elegante, que evolui para um volume e estrutura compacta de taninos macios e firmes. Agradável sensação de fruto de bosque em perfeita harmonia com suaves notas de especiaria fina. Final de grande solidez, frescura e persistência.

■ Doce/fortificado: painel com 8 amostras onde o vencedor foi o Justino’s Boal 10 Years (Casa Flora e Porto a Porto), que pode ser um belo vinho de aperitivo, ou servido com queijos, segundo harmonização sugerida pelo consagrado João Pires, melhor sommelier de Portugal e que alcançou no ano passado o titulo de master sommelier, grau maior almejado para quem trabalha com a arte de servir em restaurantes e que é outorgado pela Court of Master Sommelier, fundada em 1977 - apenas 170 profissionais conseguiram o título de master sommelier até hoje."





Minhas escolhas particulares não foram, em algumas categorias, exatamente as mesmas do restante do júri, porém, em respeito ao trabalho coletivo que realizamos, me reservo ao direito de não revelá-las. No entanto, em futuros posts, devo escrever um pouco sobre alguns vinhos que chamaram minha atenção em meio a tantas amostras degustadas.



Espero que tenham gostado. Grande abraço, e até a próxima.

sábado, 30 de abril de 2011

Uma Harmonização Inusitada: Vinho X Comida X Café





Em primeiro lugar, retomando o assunto do último post, a quem possa interessar, sim, eu ganhei o Portugal Wine Expert, e aproveito aqui para agradecer aos organizadores do concurso, às minhas duas oponentes da final, que por sinal se saíram muito bem, e a todos aqueles que de alguma forma me apoiaram e/ou torceram por mim. Agora, vem a viagem a Portugal, que por certo será muito proveitosa, e tem início uma nova fase de estudos e preparação para os concursos Paulista e Brasileiro de sommeliers.


Mas, de volta aos cafés, esta foi uma experiência muito especial. Fui convidado pela Revista Espresso, publicação especializada em cafés, e fazer parte de um time que produzirá a cada edição uma harmonização entre vinho, comida e café. A premissa, por si só, já parece estranha, afinal, aprendemos em qualquer curso básico de degustação que o café, devido as suas características marcantes de aroma e sabor, não é compatível com a adequada degustação de vinhos.


Além do mais, estamos acostumados a imaginar e posicionar o café ao fim das refeições, ou, no máximo, acompanhando a sobremesa, e não a mesa durante toda a refeição, acompanhando todos os pratos. Porém, o desafio me empolgou, e lá fui eu me encontrar com o restante do time para colocar em práticas as idéias que já havíamos discutido por e-mail.


A experiência teve lugar no ótimo Restaurante Friccò, na Vila Mariana, comandado pelo talentoso Chef Sauro Scarabota, um italiano da Úmbria que reproduz aqui os pratos de sua terra natal, com um toque de leveza e contemporaneidade, além de uma importante preocupação com a qualidade dos ingredientes. Já os cafés ficaram por conta do especialista Ensei Neto, consultor ligado a Specialty Coffe Association of America.


O café degustado e harmonizado foi o Chapadão de Ferro, produzido por Ruvaldo Delarisse, no cerrado mineiro, em solos de origem vulcânica a 1.200 msnm, o que resulta em um café complexo, de equilibrada acidez, e intensa mineralidade. Já o prato foi um Spaghetti do Norcino, com molho sugo, e uma linguiça artesanal feita pela próprio Chef Sauro, segundo a tradição da Úmbria, apenas com um pouco menos de sal e gordura. Para completar o trio, o vinho selecionado foi o Montefalco Rosso 2006, da Azienda Borgese, um corte de Sangiovese, Sagrantino e Merlot.


O vinho em especial, apresentava coloração rubi intenso, com discreto sinal de evolução, um nariz muito agradável, com fruta madura, cerejas, leve tostado e um toque de especiarias. Em boca, médio/encorpado, com boa acidez e taninos bem marcados, típicos da casta Sagrantino, com média/longa persistência.

Um vinho que classifico como 3D.


O resultado final, verificando e avaliando a interação entre comida e vinho, comida e café, e café e vinho, foi deveras interessante, mostrando para mim uma nova faceta no amplo universo da harmonização entre bebidas e comida. Mas, este é um resultado que vocês só poderão conferir na edição de junho da Espresso, ok. Mas depois da publicação dou mais alguns detalhes por aqui.


Não percam, então, a próxima edição da Espresso. Quem tiver interesse em conferir a edição de março, que está nas bancas, esta tráz uma materia sobre harmonização entre queijos e café. Bem legal!!
Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".


Grande abraço e até a próxima.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

De Volta aos Concursos, com Portugal Wine Expert



Como alguns leitores já sabem, em 2009 fui vice-campeão no Concurso Paulista de Sommeliers, e 3° colocado no Concurso Brasileiro, colocações estas que, considerando minha falta de experiência em concursos de sommeliers, muito me alegraram, e serviram de incentivo para iniciar um processo de preparação continua, visando a vitória no próxima Concurso Brasileiro, a ser realizado entre este ano e ano que vem.


Como parte deste processo, participei do Concurso Portugal Wine Expert, organizado por José Santanita, da Wine Academy Portugal, sob os augúrios da Viniportugal e da Associação Portuguesa de Escanções. Após uma semana de curso, duas provas teóricas e uma prática, foram selecionados três finalistas, entre os quais, para minha felicidade, eu me encontro, juntamente com Thais Yumi, do Emiliano, e Mariana de Campos, da Importadora Tahaa. O anúncio foi feito segunda feira, em um evento para a imprensa no Consulado de Portugal em São Paulo.


Agora, seguem alguns dias a mais de estudo e preparação para a grande final, que será realizada em plena Expovinis, no dia 27/04, próxima quarta feira.


Espero poder contar com a torcida e apoio de vocês. Agora, com sua licença, mas eu preciso estudar...


Grande Abraço

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Expovinhoff e Expovinis, Uma Semana Agitada!!!


A semana que vem será das mais agitadas no mercado de vinhos, com a realização de duas feiras em São Paulo.


A primeira será no dia 25, segunda feira. Será a segunda edição do Encontro de Vinhos Off (Expovinhoff para os íntimos), que antecede a Expovinis e serve de vitrine para vários produtores e/ou importadoras que por várias razões decidiram ou não participar desta, ou participar de ambas as feiras.

A organização corre por conta dos blogueiros Daniel Perches (Vinhos de Corte), e Beto Duarte (Papo de Vinho), que escolheram como local do evento deste ano a Pizzaria Bendita Hora, em Perdizes. Um evento por certo imperdível. Maiores informações no site do Encontro de Vinhos.


Já a partir de terça feira, dia 26, começa a 15ª Expovinis, a maior feira de vinhos da América Latina, no Pavilhão da Expo Center Norte. São três dias, contando com a presença de muitos dos principais nomes do mercado nacional, além de várias associações nacionais e/ou regionais, além de produtores individuais.

A feira conta com uma ampla programação paralela de eventos, degustações e palestras, que podem ser encontrados no site da Expovinis.

Uma feliz coincidência entre as feiras, e que em ambas eu farei parte do corpo de jurados que selecionarão os melhores vinhos da cada uma delas. No caso do Encontro de vinhos, a seleção se dará no próprio dia do evento, e na Expovinis passei no último fim de semana por uma pequena maratona, degustando mais de 160 vinhos, totalmente às cegas, selecionando vinhos que eu, assim como vocês, só saberei quais são no primeiro dia da feira. Em um próximo post conto um pouco mais sobre esta experiência.

Marquem então em suas agendas, dia 25/04, Encontro de Vinhos na Pizzaria Bendita Hora, e dias 26, 27 e 28, Expovinis, na Expo Center Norte. No vemos por lá.

Até a próxima.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sesmarias 2008, o Ícone da Miolo


Tive a oportunidade de degustar este grande vinho recentemente.
Trata-se um projeto ousado da Miolo, que visa produzir um vinho brasileiro de classe internacional. O vinho é produzido a partir de dez castas, plantadas em parcelas dos vinhedos da Fortaleza do Seival, na Campanha Gaúcha. Após a vinificação em separado das dez, 100% em barricas, é feita a seleção das 6 castas que farão parte do corte final. O 2008 em especial é composto das castas Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot, Tannat, Tempranillo e Touriga Nacional, em percentagens não informadas, e passa por um estágio de 18 meses em barricas, já após o corte.
Trata-se de um vinho de coloração rubi profunda, ainda com notas violáceas. O nariz é intenso, concentrado e complexo, com frutas negras maduras, especiarias, e um tostado bem evidente. Em boca, é um vinho potente e razoavelmente equilibrado, mas com os taninos discretamente rugosos. No fim de boca as notas tostadas e especiadas voltam com intensidade.
Um vinho que classifico como 4D.
Agora um aparte. Vejam bem, eu gostei do vinho e o avaliei bem, no entanto, em nenhum momento senti que se tratava de um grande vinho brasileiro, mas apenas de um grande vinho. Um trabalho maravilhoso, de uma equipe de enólogos dos mais competentes, liderados por ninguém menos que Michel Rolland, mas mesmo assim (ou talvez por conta disso), um vinho de cantina, produzido com uvas de grande qualidade e com as mais avançadas técnicas, mas que em nenhum momento demonstra ser um vinho de terroir. Repito, o vinho é muito bom, e provavelmente, em uma degustação as cegas, receberia notas elevadas de minha parte, mas, até o momento, continuo ansioso por descobrir o verdadeiro caráter do terroir nacional.

Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações"
Grande abraço e até a próxima.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Antônio Saramago e Scancio em Campinas!!!

O "bombomzinho" de Antônio Saramago E

Faço aqui um convite muito especial para todos os apreciadores de bons vinhos. Dia 19/04 receberemos no Olivetto Restaurante o talentoso e reconhecido enólogo Antônio Saramago, para um Wine Dinner muito especial, onde ele apresentará ao público algumas de suas principais criações.e

Com o apoio da Importadora Viníssimo, poderemos degustar os vinhos Risco 2008, e Antônio Saramago Reserva 2005, ambos 100% Castelão, produzidos na Península de Setúbal, um sem e o outro com madeira, e que demonstram todo o potencial desta casta no terroir selecionado por Antônio Saramago.p

Além destes dois exemplares do portfólio da Antônio Saramago Vinhos, teremos também o lançamento dos vinhos Scancio Reserva 2008 e Private Selection 2005. Tratam-se de dois vinhos feitos em homenagem aos sommeliers, com o apoio do sommelier português José Carlos Santanita, e do especialista brasileiro Arthur Azevedo. Ambos são alentejanos, e como já tive a oportunidade de degustá-los, posso afirmar, são muito bons!p

Por fim, Antônio Saramago nos apresentará seu "bombomzinho", o JMS Moscatel de Setúbal Superior 1993, vinho exclusivíssimo, do qual foram produzidas apenas 1000 garrafas de 375ml, e com um preço acima de R$ 500,00 a unidade, grande "xodó" do enólogo.o

Como de costume nos Wine Dinners do Olivetto, os vinhos serão acompanhados por um menu cuidadosamente desenhado pelo Chef Fábio Amaral e por mim, visando a perfeita harmonização de todos os elementos. Um jantar imperdível.o

Maiores informações pelo telefone 19-3294-8133,ou pelo e-mail contato@olivettorestaurante.com.br o

Espero por vocês.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Fundação Eugénio de Almeida e o Pêra Manca 2007


Ok, sei que o vinho já está no mercado há alguns meses, mas só agora tive a oportunidade de escrever sobre o assunto...
Estive presente no início de novembro do ano passado, por meio de um gentil convite da Adega Alentejana, a um almoço no restaurante A Bela Sintra, em São Paulo, onde foi feito o lançamento da nova safra do Pêra Manca, vinho ícone da Fundação Eugénio de Almeida, e um dos grandes vinhos de Portugal, entre os mais apreciados aqui no Brasil. Tanto que o lançamento deu-se aqui antes de sua terra natal.
A Fundação, para quem não conhece, foi fundada em 1963, por Vasco Maria Eugénio de Almeida, conde de Vill'Alva, e não tem fins lucrativos, produzindo hoje uma variedade de vinhos, azeites e outros produtos agropecuários. Não vou me estender demais aqui, pois informações mais completas e precisas podem ser encontradas no site da fundação, http://fundacaoeugeniodealmeida.pt/
O Bela Sintra, como de costume, apresentou um serviço impecável, e a refeição transcorreu num agradável clima de informalidade, contando com as especiais presenças do Sr. Luis Faria Rosado, presidente de Fundação, e do Sr. Pedro Baptista, enólogo-chefe da vinícola. Ambos conseguiram apresentar seus fidalgos vinhos de forma simples e objetiva, sem perder a profundidade técnica esperada de tão ilustres anfitriões. Mas, vamos agora aos vinhos!

1 - Foral de Évora Branco 2009
Produzido com a casta Assario, nome da Malvasia Fina naquela região, é um vinho gostoso e muito agradável, com frutas amarelas e tropicais, boa acidez e estrutura, além de uma boa persistência. Fica melhor ainda com o preço! (R$ 48,10)
3D

2 - Pêra Manca Branco 2008
Em minha modesta opinião, um dos grandes brancos portugueses. Produzido com as castas Antão Vaz e Arinto, apresenta notas marcadamente minerais, aromas de frutas e flores, mel e cera, amêndoas e baunilha, bem integradas num conjunto que em boca mostra-se muito equilibrado, com bom frescor e corpo, além de um longo final.
4D

3 - Foral de Évora Tinto 2006
Um bom tinto, com frutas maduras, médio corpo, bons taninos e acidez. Bem agradável, apesar de uma pontinha de álcool.
3D

4 - Foral de Évora Tinto 2007
Este ainda não estava disponível no Brasil, e veio na mala com o pessoal da Fundação. Mais intenso que o 2006, com uma acidez mais balanceada e bem integrada. Vivo, com agradáveis notas florais.
3D
5 - Scala Coeli 2007
Vinho relativamente novo , tendo sido produzido a partir da safra 2005. A curiosidade é que o vinho é feito com diferentes castas a cada ano, com o objetivo de apresentar ao público a casta que melhor se expressou no terroir da Fundação naquele ano. O 2005 foi um Cabernet/Merlot, o 2006 um Syrah, e este 2007 100% Touriga Nacional. Trata-se de um vinho potente e complexo, com frutas maduras, figos, flores e especiarias, além de um leve toque mineral. Longo e equilibrado, mas ainda precisando de alguns anos de garrafa para mostrar o seu melhor. A quem possa interessar, o Scala Coeli 2008 será um Alicante Bouschet.
5D

6 - Pêra Manca 2007
Por fim, a grande estrela. Produzido pela Fundação Eugénio de Almeida desde 1990, o Pêra Manca tem uma história muito mais antiga, com registros que datam ainda do século XV. Era, inclusive, o vinho que Pedro Álvares Cabral trouxe em suas naus para o Brasil. O 2007 em especial ainda esta muito jovem, não sendo recomendável seu consumo imediato, mas já é uma vinho grandioso e memorável, com frutas passas, tostado, cacau, café e baunilha. Estruturado e polido, com finos e abundantes taninos, e um longo e agradável final.
5D

Todos os vinhos da Fundação Eugénio de Almeida são importados para o Brasil com exclusividade pela Adega Alentejana.
Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Abraço e até a próxima.

Postagem em destaque

Enoturismo em Mendoza

Como parte de nossa nova parceria com a LATAM Travel Shopping Frei Caneca , teremos no mês de Novembro/2016 um imperdível tour por alguma...