Mostrando postagens com marcador Chile. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Chile. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de julho de 2012

Post nº 100!!! Degustando o Passado!

Aos trancos e barrancos, chego ao centésimo post deste blog! Agradeço aqueles que tem acompanhando este inconstante trabalho!
Para este post, havia eu já há algum tempo reservado um tema em particular, devido, principalmente, a enorme carga nostálgica e sentimental aqui envolvida. Sem deixar de falar de vinhos, este post, de forma singela, rende homenagem póstuma ao meu pai, António Carlos Arrebola, falecido em dezembro, e sua influência sobre minha escolha profissional.
Primeiramente, cabe esclarecer que o vinho não foi minha primeira escolha profissional, nem a segunda... E também que, embora minha família tenha raízes européias, não eram, nem meu pai, nem meu avô, consumidores habituais de vinho. No entanto, a primeira impressão positiva que tive a respeito desta bebida, e que carreguei comigo por muitos anos, surgiu a partir de um bate papo familiar, entre meu pai e meu avô  no distante ano de mil novecentos e qualquer coisa, quando eu tinha aí meus 10 anos de idade.
Nesta conversa, discutiam meu pai e meu avô os então recém descobertos benefícios do vinho a saúde, assunto que despertou-me o interesse. No dia seguinte, ao voltar da escola, repeti a um colega de classe todo o "conteúdo" absorvido na noite anterior. Ainda que de modo insipiente, este foi meu primeiro contato "técnico" com o mundo do vinho, e tudo aquilo que ele tinha a oferecer.
Outro aspecto que me influenciou foi a "adega" de meu pai. Coloco entre aspas, pois a referida adega nada mais era do que um móvel de madeira, no cômodo errado, recebendo os primeiros raios de sol da manhã, onde meu pai armazenava os vinhos que ele havia ganhado e adquirido ao longo dos anos. E é desta adega que saiu este pedaço do nosso recente passado enológico da foto aí embaixo.
Vinhos de outra época...
Ao limpar a adega, deparei-me com estes rótulos, que já há algum tempo me despertavam curiosidade; afinal, como teriam sobrevivido ao peso dos anos estes vinhos, relativamente simples em sua origem?
A oportunidade de colocá-los a prova veio por intermédio de um convite do Sr. Cristiano "Vivendo Vinhos" Orlandi, para participar de uma degustação para o Guia Brasil às Cegas, em fase de elaboração por ele e pelo Beto "Papo de Vinho" Duarte. A degustação deu-se no Espaço Rosso Bianco, do amigo Tiago Ribeiro, e ao final, aproveitei para colocar os meus velhinhos na mesa e partilhar o momento com os presentes.
Algumas boas surpresas! Para começar, embora nenhum dos vinhos estivesse em perfeitas condições, nenhum estava totalmente decrépito. Todos, inclusive os populares Santa Helena Reservado Cabernet Sauvignon 1995 e Almadén Cabernet 1996. Seguem minhas observações, segundo a foto da esquerda para a direita:
- Forestier Cabernet Franc 1996 (Brasil) : Ainda com alguns taninos e vivacidade, aromas francamente evoluídos, mas não desagradáveis.
- Cabernet San Carlos NV (Brasil) : Sei que esta garrafa é dos anos 80, embora não seja possível precisar a safra. Embora meio morto em boca, no nariz era o único a ainda apresentar evidentes notas frutadas.
- Baron de Lantier Cabernet Franc 1986 (Brasil) : Sempre citado como um exemplo da vitivinicultura de outros tempos, com rusticidade na medida e potencial de guarda. Era o melhor da série, ainda vivo, com taninos presentes e acidez agradável.
- Santa Helena Reservado Cabernet Sauvignon 1995 (Chile) : Bom, não era um grande vinho em 1995, e não o é agora, mas sobreviveu, e estava perfeitamente potável.
- Almadén Cabernet 1996 (Brasil) : Vale o texto acima. Apenas apresentava um pouco mais de corpo.
- Conde de Foucauld Cabernet 1986 (Brasil) : No nariz menos expressão que o Baron de Lantier, mas em boca igualmente agradável, com taninos ainda vivos.
- Marchesi di Pallavicini NV (Itália) : Também dos anos 80, este vinho vêneto apresentava acidez viva e um fim de boca elegante. No contra-rótulo não consta nome do produtor ou safra, apenas que era importado pela Expand...
- Corte in Poggio 2000 Vino da Távola (Itália) : Muito jovem, muito simples, mas agradável.
Fiquei feliz em observar a resistência, em especial dos mais antigos, que sobreviveram a quase 30 anos, armazenados inadequadamente, sendo transportados com alguma frequência, e sem nenhum controle de temperatura.
De minha parte, foi também um momento de introspeção, de agradecer aos incentivos que, ainda que inconscientemente, meu pai me deu, e que me trouxeram a este ponto de minha carreira como Sommelier. Obrigado pai, pela formação, pelos ensinamentos, pela constante presença, e também pela experiência proporcionada, nestas garrafas cheias de vinhos, histórias, memórias e lembranças...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Um Outro Chile, com MOVI

Participei nesta semana de uma degustação promovida pelo MOVI, em São Paulo, para apresentação de seus membros e vinhos.
O MOVI, Movimento das Vinícolas Independentes, é uma associação de vinícolas chilenas que atuam de forma diferenciada, em geral em pequena escala, e comprometidos com a qualidade de seus produtos, atenção esta que se inicia já no vinhedo. Segundo Felipe Garcia Reyes, proprietário da Bravado Wines, e vice-presidente do grupo, o principal pré-requisito para a participação de uma vinícola no grupo é que o proprietário esteja envolvido diretamente em TODO o processo, da plantação à venda.
Com o crescimento e profissionalização que a indústria vitivinícola chilena experimentou a partir dos anos 90, era natural o surgimento de grandes em empresas, e até conglomerados multinacionais, como é hoje a Concha y Toro, e em parte isso é positivo, pois globalizou o vinho chileno. Porém, é natural que haja, da mesma forma, profissionais preocupados com questões como sustentabilidade e tipicidade, dispostos a nadar contra a maré da padronização, produzindo vinhos únicos, que expressam não só a terra onde estão plantados, mas também a ação das pessoas envolvidas no processo produtivo, enfim, vinhos que expressem seu terroir.

O MOVI conta hoje com 19 membros, sendo que 17 estiveram com seus produtos presentes em uma série de eventos realizados em várias cidades brasileiras. A seguir, minhas notas de degustação dos 17 vinhos, e algumas informações sobre as vinícolas.

1 – Facundo 2006 – Bravado Wines
A vinícola pertence ao casal Felipe e Constanza, que desde 2006 investem em seu projeto pessoal, com vinhedos em Itata, Maule e Lolol. O vinho apresentado é um corte de Carignan, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot, fragrante, com muita fruta fresca, flores, ervas, caramelo e especiarias doces; em boca é fresco, levemente sápido, longo e com finos taninos. Só sobrou uma pontinha de álcool, mas nada que comprometa o conjunto final. Importado pela Terramatter.
4D

2 – Mantum 2007 – Bustamante
Com uma produção de pouco mais de 5000 garrafas, a Bustamante localiza-se no Valle de Maule, e possui vinhas com mais de 100 anos de idade. Este corte em particular, com as castas Cabernet Sauvignon, Carmenére, Syrah e Merlot, apresenta fruta mais contida, especiarias e um leve vegetal; é seco, com média acidez, discreto amargor e média persistência, além de um discreto toque químico no retro gosto. Importado pela La Charbonnade.
3D

3 – Erasmo 2006 – Reserva de Caliboro
Sociedade entre Andrés del Solar e o Conde Francesco Marone Cinzano (isso mesmo, o do vermouth...) é produzido e engarrafado no vinhedo. Com um corte de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, passa um ano em barricas francesas e mais um ano em garrafa. Apresenta notas florais, frutas vermelhas e negras frescas, discreto tostado e toques abaunilhados; bom corpo e frescor, macio, com taninos finos e longo final, com muita fruta. Importado pela Casa do Porto.
4D+

4 – Flaherty 2007 – Flaherty Wines
Pertencente ao casal Ed e Jen Flaherty, produz cerce de 1000 caixas a partir de vinhedos no Valle de Aconcágua. Este corte de Syrah, Cabernet Sauvignon e Tempranillo apresenta fruta madura, alcaçuz, e uma boca com bom frescor e fruta suculenta, bem agradável, com média/longa persistência. Importado pela Terramatter.
3D+

5 – Clos Andino Le Carménère 2010 – Clos Andino
Pertencente ao francês erradicado no Chile Jose Luis Martin-Bouquillard, o projeto Clos Andino foi iniciado em 2007. O foco neste vinho, que além da Carmenére leve pequenas partes de Cabernet Sauvignon e outras castas, é, a partir do terroir chileno, obter um vinho com a elegância e tipicidade peculiar dos vinhos franceses. Tem muitos aromas terciários, animais, como carne de caça e couro, além de um fruta negra discreta e um leve defumado. É fresco, com taninos finos, e um pequeno amargor final. Ainda sem importador no Brasil.
3D

6 – Lot #27 Old Vine Carignan Field Blend 2010 – Garage Wine Co.
Pertencente a Derek Moosmam, a vinícola faz, em suas origens, jus ao nome; começou em 2001, de forma irregular, na garagem da família em Santiago. As uvas são adquiridas de pequenos produtores, que cuidam de forma artesanal de suas frutas, e artesanalmente o vinho e produzido, sempre me pequenos lotes, e utilizando garrafas recicladas no engarrafamento. O Lot #27 em especial é um corte de Carignan e Grenache, plantadas juntas e misturadas já na colheita, produzindo um “field blend”, que homenageia, nesta safra 2010, a resistência dos lavradores do Maule, atingidos pelo terremoto daquele ano. Traz muita especiaria doce, como canela e cravo, fruta bem madura, quase geléia, e um marcado mineral. Tem bom frescor, é macio, vivo, suculento e longo. Importado pela Premium.
4D

7 – Gilmore Hacedor de Mundos Cabernet Franc 2007 – Gilmore
Pertencente a Andrés Sanchez e Daniella Gilmore, a vinícola fica instalada no Valle de Loncomilla, na cordilheira da costa. O fundador, Francisco Gilmore, instalou-se ali no fim dos anos 80, adquirindo vinhedos que pertenciam a centenária vinícola Tabontinaja. Com vinhedos da casta inferior País, já com mais de 80 anos de idade, Francisco aproveitou-se de suas raízes profundas e enxertou variedades francesas, como Cabernet Sauvignon, Merlot e Carignan. A Carignan em especial recebe uma atenção particular da vinícola, que faz parte do Club del Carignan. Já o Cabernet Franc degustado apresentava fruta madura, notas animais, balsâmico; em boca, bom corpo, muitos e finos taninos, com muita fruta e longa persistência. Pede mais alguns anos de garrafa. Importado pela Ana Import.
3D+

8 – I Latina Carmenére 2009 – i-Wines
Produzido a partir de vinhedos em Peumo, mais prestigiada região chilena para a produção de Carmenéres topo de gama, este vinho, que leva também uma pequena parte de Syrah, tem notas marcadas de chocolate amargo e tostado, evidenciando sua passagem por barricas, além de frutas em compota e um discreto herbáceo. Em boca é fresco, com o tostado mais marcado, bom corpo, macio, com média/longa persistência. Importado pela Berenguer Imports.
3D+

9 – Single Vineyard Limited Edition Syrah 2007 – Lagar de Bezana
Fundada em 1998 pelo empresário Ricardo Benzanilla Renovales, recentemente falecido, a Lagar de Bezana produz principalmente Cabernet Sauvignon e Syrah, buscando a máxima expressão do terroir do Valle de Cachapoal. Este Syrah 2007 em particular tem um nariz delicado, fino, com boa fruta madura e discreta nota de especiarias; boa presença de boca, taninos finos e abundantes e agradável retro gosto, com boa persistência. Importado pela Magnum.
4D

10 – Meli Reserva Carignan 2008 – Meli
Pequeno projeto familiar, conduzido pela enóloga Adriana Cerda e seus três filhos, que consiste em vinhedos de Riesling e Carignan, com uma média de 60 anos, plantados em Loncomilla, no Valle de Maule. A condução do vinhedo é orgânica, sem irrigação. O vinho degustado em especial apresentava aromas marcados de garapa, bala dura, fruta madura e especiarias doces; em boca, muito fresco, fino, de longa persistência, em uma palavra, instigante. Importado pela La Charbonnade.
4D

11 – Peumayen Carmenére 2009 – Viña Peumayem
Pertencente ao casal Erika e Francisco Carevie, e Peumayem produz seus vinhos no Valle de Aconcágua. É um Carmenére com pequenas partes de Syrah e Petit Verdot, de bom corpo, com fruta bem madura, tostado intenso, macio, com um discreto amargor e média/longa persistência. Sem importador no Brasil.
3D

12 – Polkura Syrah 2007 – Polkura
O nome faz referência a uma colina no meio do vinhedo, em cujas encostas são produzidas as uvas que dão origem a este vinho, em Marchigüe, Colchagua. Trata-se de um Syrah com pequenas partes de Malbec, Viognier, Grenache, Tempranillo e Mourvedre, com evidentes especiarias, eucalipto, fruta madura, bom frescor, taninos finos e abundantes e longa persistência, com frutas e especiarias retornando no final. Importado pela Premium.
4D

13 – Rukumilla 2006 – Rukumilla
Apenas 5 acres no Valle de Maipo, cultivados organicamente e manejados pela família dos proprietários, Andrés Costa e Angélica Grove. É um corte de Malbec, Syrah, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, austero, com cassis e framboesa, especiarias e ervas; fresco, maduro, com taninos finos e longa persistência. Sem importação no Brasil.
3D

14 – Starry Night Syrah 2010 – Starry Night
Apenas 8 hectares, divididos entre Syrah e Pinot Noir, em Maipo Costa. Este Syrah 2010 em especial traz muita fruta negra fresca, além de especiarias em evidência; fresco, longo e típico, com uma sugestão floral em boca. Importado pela Vinoart.
4D

15 – Trabun Syrah 2009 – Trabun
Pertencente ao enólogo e baterista Sergio Avendaño, a Trabun produz nesta propriedade familiar em Cachapoal o Syrah ora degustado, que tem uma leve nota vegetal, além de uma boa dose de fruta e algo de noz moscada; em boca, médio/alto frescor, maciez e um discreto amargor, aliado ao intenso retro gosto a frutas maduras. Importado pela La Charbonnade.
3D+

16 – Tanagra Syrah 2009 - Villard
Localizada no frio Valle de Casablanca, é uma das maiores vinícolas do MOVI, mas afinada com as proposta e filosofia do grupo. Este exemplar em especial traz fruta evidente, mas austera, algo de pimenta negra e discreto tostado. Fresco, de médio a encorpado, longo, equilibrado e elegante. Importado pela Decanter.
4D

17 – Montelìg 2005 – Viña von Siebenthal
Pertencente ao advogado suíço Mauro von Siebenthal, os vinhedos tem condução orgânica, e todos os esforços são dirigidos a máxima expressão do terroir do Valle de Aconcágua. Este corte de Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Carmenére tem um nariz intenso, com muita fruta madura; enche a boca, e tem boa maciez, além de um agradável fim de boca. Importado pela Terramatter.
3D+

O nível geral de qualidade dos vinhos apresentados foi bem elevado, o que reforça a impressão positiva sobre os objetivos deste grupo. A maior parte da vinícolas já tem seus produtos no mercado brasileiro, e posso afirmar com tranquilidade que vale a pena garimpar nas prateleiras das lojas especializadas a sua procura.
Meus parabéns aos membros do MOVI pela bela iniciativa, e meu agradecimento a H3 pelo convite para tão especial degustação.

Espero que vocês tenham gostado, e animem-se a provar alguns destes vinhos. Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post “Degustações e Pontuações”.
Grande abraço e até a próxima.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Degustação - Viña Ventisquero

Olá a todos.
Conforme prometido no último post, seguem as notas de degustação dos vinhos da Ventisquero. Espero que gostem.

1 - Ramirana Reserva Chardonnay/Sauvignon Blanc 2008
Nova linha da Ventisquero, focada apenas em vinhos de corte, sob a responsabilidade do enólogo Alejandro Galaz. Este corte não muito comum, de Chardonnay (58%) e Sauvignon Blanc (42%), provém de vinhedos no vale de Casablanca, e apresenta uma brilhante coloração verdeal, aromas cítricos, florais, e um discreto vegetal. Na boca tem bom frescor, frutas, e uma persistência de ligeira para média.
3D

2 - Ramirana Grand Reserva Sauvignon Blanc/Gewurztraminer 2009
Falando em cortes pouco usuais, eis um bem diferente, com a leve e ácida Sauvignon Blanc (70%), atenuada e complementada pela intensa e condimentada Gewurztraminer (30%). A idéia e boa, mas o resultado ainda deixa um pouco a desejar. As uvas são provenientes do Valle de Rapel, próxima a Costa, porém mais quente que Casablanca, carecendo portanto de acidez e frescor. É um vinho aromático, de médio corpo e ligeiro.
2D

3 - Ramirana Grand Reserva Syrah/Carmenére 2007
Um bom vinho, com aromas complexos, frutas maduras e em geléia, especiarias, cacau e café, além de uma pequena nota vegetal de fundo. Na boca, boa acidez, taninos finos e média persistência.
3D

4 - Ramirana Premium 2007
Vinho principal desta linha, um corte de Syrah, Carmenére e Cabernet Sauvignon. Encorpado e complexo, com notas de tabaco, fruta madura, especiarias e tostado. Uma nota vegetal bem evidente da conta da participação da Carmenére neste blend.
4D

5 - Ventisquero Reserva Sauvignon Blanc 2009
Proveniente de Casablanca, apresenta muito frescor, com aromas cítricos e vegetais, alem de uma leve toque mineral. Na boca, muita acidez, leve, bem equilibrado, com média persistência.
4D

6 - Queulat Sauvignon Blanc 2009
Também de Casablanca. Semelhante ao anterior, com uma notinha cremosa na boca, e um retrogosto vegetal mais intenso. Um pouco mais de corpo e um pouquinho menos elegância.
3D

7 - Ventisquero Reserva Syrah 2008
Correto, com fruta madura, framboesa e especiarias. Bom frescor e taninos finos. Sobra uma pontinha de álcool.
3D

8 - Queulat Carmenére 2007
Um bom Carmenére, com frutas maduras, especiarias, e aquela notinha vegetal característica. Na boca é agradável, com taninos finos e boa persistência, mas um discreto amargor no final.
3D

9 - Queulat Pinot Noir 2008
Muito bom, com coloração típica, nariz fresco, com frutas maduras e canela. Na boca apresenta bom frescor, taninos muito finos e sedosos. Muito equilíbrio e média/alta persistência.
4D

10 - Grey Chardonnay 2008
Um Chardonnay um pouco mais maduro, do Valle de Casablanca, com frutas tropicais, baunilha, e maçã, além de um toque mineral. Boa acidez, com os aromas repercutindo na boca.
4D

11 - Herú 2007
Reproduzo aqui minhas observações sobre este vinho do post de fevereiro:
O vinho tem uma atraente coloração rubi, de média/baixa intensidade, bem típica de Pinots jovens. No nariz apresenta frutas vermelhas maduras, delicadamente entremeadas com especiarias, um perceptível toque mineral, e um agradável aporte de baunilha das barricas. Na boca ele é fresco, desdobrando-se em camadas de sabores e texturas, cremoso e sedoso. Muito equilibrado, não deixando transparecer em nenhum momento seus 14° de álcool.
5D

Espero que tenham gostado. Àqueles que ainda não conhecem, recomendo fortemente os bons vinhos da Viña Ventisquero.
Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Abraço e até a próxima.

sábado, 5 de junho de 2010

O Retorno! Com Viña Ventisquero!

Enfim, depois de um longo e tenebroso inverno, eis que consigo, finalmente, voltar a atualizar este blog! Aleluia!! E, conforme prometido, vou contar aqui um pouco de minha visita a Viña Ventisquero em novembro.

Fachada da Ventisquero
A visita ocorreu mediante um convite da Cantu, importadora responsável pela distribuição dos vinhos da Ventisquero no Brasil, e tinha, por parte da Ventisquero, o objetivo de apresentar melhor a proposta de trabalho da vinícola, sua cuidadosa pesquisa de microterroirs, e uma série de produtos presentes no mercado nacional.
Fundada em 1998, a Ventisquero é fruto dos investimentos do empresário Gonzalo Vidal, que já atua há algum tempo no ramo de exportação, e teve, desde o princípio, o objetivo de produzir vinhos de vanguarda, acessíveis aos mais variados mercados mundiais. Com vinhedos em Maipo, Casablanca, Colchagua, a Ventisquero produz vinhos em três linha principais, Yali, Ramirana e Ventisquero, e conta com a direção enológica de Felipe Tosso, e a consultoria do enólogo australiano John Duval, que auxilia na produção dos dois vinhos principais da vinícola, Pangea e Heru.
Após um voo tranquilo e uma noite de descanso no Hotel Holiday Inn, no aeroporto de Santiago, pegamos a estrada rumo ao Fundo Trinidad, onde ficam a maior parte dos vinhedos e a Bodega da Ventisquero. Numa visita conduzida pelo próprio Felipe Tosso, pudemos conhecer as instalações da bodega (que vocês podem ver nas fotos abaixo) e observar a preocupação com pesquisa e desenvolvimento.


Sala de Barricas e Equipamentos de separação e Desengace das Uvas

Cubas de Fermentação e Vinhedos de Trinidad

Uma curiosidade foi a foto abaixo, que mostra duas garrafas de Sauvignon Blanc deixadas ao sol, com o objetivo de estudar melhor os efeitos que a cor do vidro terão sobre o vinho e seu desenvolvimento. Conforme Felipe nos explicou, os mercados em geral pedem por vinhos brancos em garrafas transparentes, mas os resultados para o produto e sua conservação não costuma ser os melhores nesta situação... Mas como toda empresa precisa de lucro para sobreviver...



Após a visita degustamos uma série de vinhos, cujo os quais terão suas notas apresentadas em um próximo post, e seguimos para um almoço em meio aos vinhedos (nessas horas que eu odeio minha profissão...), com churrasco, saladas, choclos, e para a sobremesa chirimoias. Abaixo uma foto do terrível cenário onde ocorreu este almoço.



Com a hora já adiantada, seguimos para o Hotel em Santa Cruz, no vale do Colchagua, um belo hotel em estilo colonial, muito bem estruturado, (conta inclusive com cassino), que infelizmente sofreu sérios danos com o último terremoto. Nos acomodamos, jantamos, e no dia seguinte demos sequência a visita.
No dia seguinte, pela manhã, fomos ao Fundo Patacón, alguns dos vinhedos mais novos da Ventisquero, na região de Maipo Costa, mais próxima ao mar, e quase na "divisa" com o Vale de Colchagua. Os vinhedos de Patacón foram adquiridos, a princípio, para a produção de alguns dos vinhos mais simples da Ventisquero, o que pode ser verificado pelas parreiras conduzidas em 'latada' bem na entrada do Fundo. Porém, a qualidade do solo, e a brisa fresca que sopra continuamente do Pacífico mostraram que existe potencial para que, em breve, a Ventisquero possa produzir vinhos de alta classe a partir destes vinhedos. As fotos abaixo mostram um pouco destes vinhedos, e a última mostra o terraço onde degustamos alguns dos vinho ali produzidos. Destaque especial para uma amostra de barrica de um Merlot 2009, complexo, profundo e equilibrado, que faz parte do blend da linha Reserva, mas que em alguns anos, conforme os vinhedos envelheçam, deve passar a integrar o blend da linha de vinhos premium Grey.
Vinhedos de Carmenére em Patacón e Corte do Solo de uma videira de Merlot
Vista geral dos vinhedos de Patacón e Terraço para Degustação

Após um agradável almoço em um pequeno restaurante de culinária típica peruana, e um descanso de duas horas, nas quais dei um pulinho ao supermercado local em busca de chirimoias e Pisco (R$ 12,00 o Reserva), fomos conhecer os vinhedos da Ventisquero em Apalta, dos quais são produzidos seu vinho ícone, o Pangea, 100% Syrah. Antes de degustar o vinho principal, provamos amostras de barrica de quatro parcelas diferentes do vinhedo, todas syrah, todas dali de Apalta, e todas absolutamente diferentes umas das outras, o que nos permitiu verificar na prática o conceito de microterroirs. O Pangea em si é um Syrah profundo, complexo, cheio de nuances, e com bom potencial de guarda. Um vinho que vale a pena provar. Abaixo as fotos de Apalta, e do terraço onde degustamos e jantamos.


Foi uma visita proveitosa e instrutiva, que sem dúvida permitiu um contato mais próximo com a industria vinícola, e a verificação, na prática, de muitos conceitos que em nosso dia-a-dia estão restritos aos livros e fichas técnicas.
Espero que tenham gostado deste breve relato. No próximo post, as notas dos vinhos degustados na Ventisquero.
Abraço e até lá.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Degustação - Grandes Vinhos Chilenos


Durante minha última visita ao Chile, por ocasião do Mundial de Sommeliers, tive a oportunidade de visitar a nova loja da El Mundo Del Vino, principal rede de lojas de vinho daquele país, e ponto de passagem obrigatório para eno-turistas, onde é possível encontrar uma variedade quase inacreditável de vinhos chilenos, didaticamente separados por castas.
A loja em questão fica no charmoso bairro de Las Condes, na Av. Isabel Goyenechea 3000, no mesmo edifício que abriga o também recem inaugurado Hotel W Santiago, o mais luxuoso da capital, onde foi realizado o Mundial de Sommeliers, e foi inaugurada recentemente, dois quarteirões adiante do antigo endereço.
Por intermédio de meu amigo Ariel Perez, competente sommelier da Casa do Porto e futuro candidato a presidência do Chile (acreditem, ele conhece TODOS os habitantes de Santiago), tive a oportunidade de degustar uma sequência de belos vinhos, na maioria dos casos vinhos ícones de cada vinícola, e minhas impressões desta degustação compartilho agora com vocês.

1 - Viña Maipo Limited Edition Syrah 2007
Principal vinho desta vinícola pertencente a Concha y Toro. Notas marcadas de especiarias, fruta em compota. Na boca, alcaçuz, muito frescor e taninos finos, longa persistência.
4D

2 - De Martino Single Vineyard Alto de Pedras Carmenére 2008
Fruta intensa e leve nota vegetal, taninos abundantes e finos, leve tostado, média/longa persistência.
3D

3 - House of Morandé 2005
Nariz muito atraente, com banana passa e figos. Na boca é fino, picante e longo.
4D

4 - Carmem Gold Reserve Cabernet Sauvignon 2005
Um pouco fechado, com fruta fresca, médio/encorpado, com muitos taninos, equilibrado, elegante e longo.
3D

5 - Casa Silva Microterroir de Los Lingues Carmenére 2006
O que menos impressionou. Notas verdes muito intensas, com fruta muito discreta. Off-dry, com compota e tostado na boca, agradável, porém com um nariz muito desequilibrado.
3D

6 - Santa Rita Triple C 2005
Nariz com notas doces, compota e geleia, tabaco, canela, goiabada e milho-verde. Fresco, longo e equilibrado.
4D

7 - Santa Rita Casa Real 2005
Um dos grandes Cabernets do Chile, com muita fruta madura, geleia, café, tostado e pimenta do reino. Ótima acidez, com taninos finíssimos, longa persistência e muito equilíbrio.
5D

Espero que tenham gostado.
Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Abraço e até a próxima.

sábado, 8 de maio de 2010

Vídeo-Degustação - Grey Chardonnay 2008


Olá a todos.
Primeiramente, me desculpem pela recente falta de atualização deste blog, mas os últimos dias foram bem corridos. Este será o mês do Chile neste blog. Tenho uma boa dose de assuntos relativos a nosso vizinho trans-andino, e no decorrer deste mês tratarei apenas destes temas.
Para começar, uma degustação diferente, em vídeo, que se encontra no You Tube no endereço http://www.youtube.com/user/GreyChardonnayemacao#p/a/u/0/lMvMDa5f0go. Mas vamos as explicações referentes a este formato diferenciado para apresentar minhas impressões a respeito deste vinho.
Durante minha primeira visita ao Chile, em novembro, já havia ouvido o comentário na Viña Ventisquero sobre esta ação de marketing para o lançamento do produto, e recentemente, eu, assim como outros sommeliers, jornalistas, críticos e blogueiros, recebemos um kit da Cantu, importadora da Ventisquero no Brasil, convidando-nos a degustar o vinho e partilhar nossas impressões através da internet. Os vídeos já postados encontra-se no Canal GreyChardonnayemacao
A iniciativa é inovadora, ao apresentar o vinho ao público a partir dos olhares de pessoas que não estão diretamente envolvidas com sua venda, e demonstra também segurança em ralação a qualidade do produto que está sendo oferecido a este mesmo público.
Já havia tido a oportunidade de degustar este vinho na Ventisquero, e esta segunda degustação apenas reforçou minha boa impressão em relação a qualidade do produto. O vinho apresenta uma atraente coloração amarelo-brilhante, com reflexos verdeais, agradáveis aromas de frutas tropicais maduras, como abacaxi e manga, entremeados pelas notas de baunilha e tostado, provenientes de sua passagem por barricas. Na boca é equilibrado, com boa acidez, untuoso e longo.
Um bom Chardonnay, que classifico como 4D.
Tentei colocar o vídeo abaixo, mas, anafalbeto digital que sou, não consegui... então ajudem meus "índices de audiência" assistindo direto pelo You Tube! O link, mais uma vez, é:
Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações o Pontuações".
Abraço e até a próxima.




sexta-feira, 30 de abril de 2010

Degustação - Viña Leyda


Numa degustação que foi também conduzida por Max Darraidou, uma vez que a Leyda e Tabalí pertencem ao mesmo grupo, foi possível apreciar com mais calma alguns vinhos desta que é a vinícola pioneira no Valle de Leyda, uma sub-região do Valle de Casablanca, e que conta hoje com sua própria denominação. Assim como na Tabalí, a tecnologia, aliada a pesquisa de ponta na identificação de micro-terroirs, permite a produção de vinhos frescos e de muito boa qualidade, sempre uma boa opção ao nosso cálido clima. Seguem os vinhos:

1 - Leyda Reserva Sauvignon Blanc 2009
Notas aromáticas marcadas de aspargos e cítricos, com muita acidez na boca, evocando tangerinas. Um vinho leve, de média/longa persistência.
3D

2 - Leyda Reserva Carmenere 2008
Um nariz muito interessante e atraente, com frutas maduras e um discreto toque vegetal. Boa acidez e frescor, com média persistência.
3D

3 - Leyda Single Vineyard Cabernet Sauvignon 2007
Frutas negras maduras, especiarias e baunilha, com bom corpo, acidez adequada, e taninos abundantes e macios. Média persistência.
3D

4 - Leyda Single Vineyard Las Brisas Pinot Noir 2008
Um bom vinho, mas áquem de minhas expectativas. Off-dry, com o açúcar residual bem perceptível, frutado, fresco, mas um pouco encorpado demais para um bom Pinot. Repito, é um bom vinho, mas faltou um pouquinho de elegância.
3D

No próximo post encerramos com Feudo Macari, da Sicília.
Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Abraço e até a próxima

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Degustação Viña Tabalí


Pioneira na produção de vinhos de alta qualidade no Valle de Limarí, uma das regiões mais ao norte do Chile, onde a Tabalí instalou-se em 1993, esta empresa produz vinhos de elevada qualidade com grande concentração e foco, o que só é possível em uma região muito fria e seca como esta, já as portas do Deserto do Atacama. Além das castas disponíveis no mercado ( Chardonnay, Viognier, Sauvignon Blanc, Cabernet, Merlot, Syrah, Carmenere e Pinot Noir) A Tabalí conta com mais uma série de castas como Riesling, Pinor Gris e outras, plantadas ainda em caráter experimental, e que podem vir a apresentar bons resultados no futuro.
Durante o último Encontro Grand Cru de Sommeliers, o Export Manager da Tabalí, Max Darraidou, apresentou os seguintes vinhos:

1 - Reserva Especial Sauvignon Blanc 2009
Notas vegetais, com um pimentão verde evidente e um discreto cítrico. Boa acidez e frescor, com retrogosto médio/longo, evocando abacaxi e maracujá.
3D

2 - Reserva Syrah 2008
Denso, retinto, com frutas maduras e especiarias bem marcadas. Encorpado, macio e longo.
3D

3 - Reserva Especial Blend 2007 (Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah)
Fruta madura, cedro e pimenta do reino. Encorpado, enche a boca, um vinho carnudo, longo e equilibrado.
4D

A seguir, Vinã Leyda.
Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações"
Abraço e até a próxima.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Degustação - Don Melchor com Enrique Tirado


Participei recentemente de uma degustação das duas safras mais recentes deste ícone chileno, bem conhecido por aqui, e que se firmou no mercado internacional como referência em bons Cabernet Sauvignons do Chile. A degustação ocorreu na Cave Pavesi (Rua Maria Monteiro 59, Cambuí, Campinas-SP), e foi conduzida por ninguém menos que Enrique Tirado, enólogo responsável por esta pequena jóia da vinicultura chilena.

Tirado iniciou com uma breve apresentação sobre os vinhedos, localizados em Puente Alto, dentro do perímetro urbano de Santiago, lado a lado com os vinhedos de outro ícone, Almaviva. Don Melchor é produzido desde 1987, e até o ano de 1994 foi um vinho 100% Cabernet Sauvignon. Em 1995 uma pequena parte de Merlot foi acrescentada ao corte, porém, isso não voltou a ocorrer em safras posteriores. Desde 2001, entre 3 e 9% de Cabernet Franc são acrescentados ao vinho, mas, segundo Tirado, há cerca de 10 anos foram plantados clones superiores de Merlot no vinhedo, que no futuro podem voltar a fazer parte do assemblage.

As safras degustadas foram as mais recentes no mercado brasileiro, 2005 e 2006, e mostraram porque este vinho é hoje referência em qualidade em todo mundo. Já provei outras 6 safras deste vinho, e nunca me desapontei, muito pelo contrário. E aqui a situação não foi diferente...

O Don Melchor 2005 mostrou-se ligeiramente superior. Embora ainda fechado, com um discreto toque de menta, é um vinho fino, encorpado, longo, evocando frutas maduras e chocolate na boca, e demonstra ter ainda longos anos de garrafa pela frente antes de mostrar todo o seu potencial. Classifico este vinho como 4D.

Já o 2006, estava mais aberto, com aromas mais pronunciados de frutas negras e vermelhas maduras, e um agradável tostado. Apresentava taninos mais doces que o anterior, porém um pouquinho menos finos. Embora seja um vinho mais pronto, deve evoluir um pouquinho menos que o anterior. Classifico-o também como 4D.

Destaco porém, que, por tratar-se de vinhos ainda muito jovens, não revelaram por certo todo o seu potencial. Acredito que paciência e anos de adega podem levar estes vinhos a classificação 5D.

Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".

Abraço e até a próxima.

domingo, 18 de abril de 2010

Gerard Basset, o Melhor Sommelier do Mundo 2010


Conforme eu já havia adiantado, aconteceu no último dia 15, em Santiago do Chile, a final de mais um Concurso Melhor Sommelier do Mundo, organizado pela ASI desde 1969, e que desde 1983 ocorre a cada três anos. Esta 13ª edição da competição reuniu 52 participantes, de 48 países diferentes, que passaram por uma bateria de exames teóricos e práticos, até a definição dos três finalistas, anunciados ao vivo, quinze minutos antes da Grande Final. Foram eles, Paolo Basso (Suiça), David Birau (França) e Gerard Basset (francês de nascimento, mas representando o Reino Unido).

Além dos três finalistas, um fato que merece menção é que, entre os 12 semi-finalistas estavam 4 mulheres, fato inédito na história deste torneio. Eram elas Elyse Lambert e Véronique Rivest (Canadá), Merete Bø (Noruega), e Julia Gosea (Romênia), esta última também o primeiro representante de um país do leste europeu a chegar tão longe na competição.

Após um rápido sorteio, os candidatos deixaram o salão e retornaram, um por vez, na ordem acima para a Final. A prova final, conduzida pelo ítalo-brasileiro Dânio Braga, consistia no serviço de Champagne e coquetéis para uma mesa de 4 pessoas, sugestão de um menu harmonizado com os 6 vinhos escolhidos por uma mesa de três pessoas e decantação e serviço de uma garrafa magnun de um vinho tinto para uma mesa de 6 pessoas, a seguir, o candidato deveria descrever e indicar a procedência de 4 vinhos, e identificar oito destilados e/ou licores, passando então a correção de 10 itens de uma Carta de Vinhos fictícia e a identificação, por meio de fotografias, de cinco vinhedos do mundo.

Descrevendo tudo assim, de forma sucinta, parece fácil, e, na verdade, até para quem está lá assistindo ao vivo não parece tão difícil assim, mas eu que já passei por isso durante o último Concurso Brasileiro posso afirmar, NÃO É!! Todos os candidatos que se apresentaram já tinham uma larga experiência, e já haviam passado por outras finais de competições de sommeliers anteriormente, mas visando manter os nervos dos candidatos a flor da pele, algumas mudanças foram providenciadas para a competição deste ano, como a necessidade de preparar e servir um coquetel (sim, isso faz parte do trabalho de um sommelier), e o fato de que não havia um menu para ser harmonizado com vinhos, e sim uma seleção de vinhos que deveriam ser harmonizados com pratos, o que acaba evidenciando também o conhecimento gastronômico do candidato. E é claro, tudo isso dentro de um tempo exíguo, 5 ou 6 minutos em cada mesa, 12 minutos para os vinhos, 3 para os destilados e 3 para a correção da Carta.

Já nas apresentações propriamente ditas, Paulo Basso se saiu muito bem, demonstrando segurança e preparo, mas ficou um pouquinho travado nas harmonizações, sugerindo opções corretas, mas sem grande variedade ou criatividade, e ultrapassou o tempo no serviço do vinho tinto, faltando servir um taça no final, mas, no geral, saiu-se muito bem, o que lhe garantiu o segundo lugar na competição.

Já o candidato francês, David Birau, demonstrou estar bem nervoso na final. Na preparação do coquetel ele quase utilizou a bebida errada, abriu o espumante de costas para o júri e estourou o tempo em quase todas as tarefas, porém, como ainda é jovem, pode vir a surpreender em futuras competições.

Por fim, o grande vencedor, Gerard Basset, foi impecável, servindo com precisão, sugerindo um menu harmonizado elaborado e criativo, descrevendo os vinhos de forma concisa e precisa (aliás ele foi o único que identificou corretamente um dos vinhos, um IceWine canadense), e encerrou sua apresentação sob os aplausos entusiasmados do público, que, em sua grande parte, torcia pela sua vitória.

Essa torcida toda tem um motivo, Basset, com 52 anos, já disputa o Mundial de Sommeliers desde 1992, e já esteve em 5 finais, tendo sido vice-campeão em 3 ocasiões. Nesta, que para muitos seria sua última chance, Basset se superou, e tornou-se a única pessoa no mundo a deter os títulos de Master Sommelier, Master of Wine e Melhor Sommelier do Mundo. Com tranquilidade e propriedade, Gerard Basset é, agora, O Melhor Sommelier do Mundo, conquista pela qual deixo aqui meu aplauso e reconhecimento, pela capacidade e determinação deste grande profissional do vinho.

Em breve conto outros detalhes desta proveitosa visita ao Chile. Grande abraço e até lá.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Reminiscências Enológicas: Degustação - Sta. Helena Seleccíon del Directório Cabernet Sauvignon 2007


Dia destes tive a oportunidade de degustar novamente o vinho chileno em questão, e, ao revirar meus alfarrábios, deparei-me com minhas notas de degustação, no já distante ano de 2005, da safra 2002 deste mesmo vinho.

Primeiramente, algumas palavras sobre a vinícola. Para todos nós, iniciados no mundo do vinho, já está bem marcada a imagem negativa da linha de entrada desta vinícola, com a malfadada alcunha de "Reservado", o que na prática não quer dizer nada para a legislação vinícola chilena; porém, á partir desta linha Selección del Directório (equivalente a um Gran Reserva), a Santa Helena apresenta vinhos de boa qualidade e relação preço/prazer.

Mas, vamos aos vinhos em questão. Em 2005, quando eu ainda iniciava meus passos no mundo do vinho, confesso que o Santa Helena 2002 em questão foi uma pequena revelação; tratava-se, então, do primeiro vinho tinto um pouco mais complexo que meus modestos rendimentos me permitiam provar no aconchego do lar, e, numa época em que eu ainda não tinha uma técnica de degustação das mais apuradas, e nem tampouco a "litragem" que eu tenho hoje, me chamou a atenção, de modo especial, evidentes notas de torrefação, provenientes da passagem por barricas, frutas em compota, e um aroma bem marcado de café, após alguns minutos na taça, o que muito me agradou, afinal, para todo iniciante é sempre um prazer especial quando conseguimos distinguir com clareza algum aroma no vinho.

Já nesta nova prova, agora da safra 2007 do mesmo vinho, além da coloração rubi com reflexos violáceos, denotando juventude, percebi um nariz com mais fruta, fores, um discreto vegetal, talvez de uvas não tão maduras, e um tostado muito leve, bem distante daquele café intenso de outrora. Na boca, tratava-se de um vinho correto, com o álcool aparecendo discretamente, médio corpo e média duração, com um retrogosto evocando um leve toque de compota.

Não tenho como classificar o vinho que provei em 2005, mas esta safra 2007 recebe em minha classificação a nota 3D.

A impressão que ficou é que a vinícola mudou seu estilo, passando de vinhos com mais madeira para vinhos mais frutados e acessíveis, porém mais ligeiros e menos marcantes. Um vinho mais adequado para o dia a dia, mas que dificilmente marcará outro neófito como aquela garrafa da safra 2002 me marcou.

Obviamente, tenho também consciência de que meus critérios mudaram, meu gosto e técnica se aperfeiçoaram, consequentemente, aquele mesmo Santa Helena 2002 talvez não me impressionasse de forma tão positiva hoje, porém, com o passar dos anos, o que ficou foi a agradável lembrança daquele vinho deliciosamente encorpado e tostado que tanto me chamou a atenção.

Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".

Em Tempo, amanhã estou de partida para o Chile, onde acompanharei as finais do Concurso Melhor Sommelier do Mundo, visando sempre um maior aprofundamento e aperfeiçoamento profissional, e, se a TAM ajudar, retorno sexta feira ao Brasil. Portanto, até lá devo deixar o blog sem atualizações, mas garanto que no meu retorno terei muitas novidades e notícias para partilhar aqui com vocês.

Grande abraço e até a próxima.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Degustação - Sucre Reserva


Provei por estes dias dois vinhos desta linha, o Cabernet Sauvignon e o Carmenére, ambos da safra 2008. A linha Sucre é um projeto desenvolvido no Chile pela Ângela Mochi, proprietária da Wine Company Importadora e pessoa das mais simpáticas no ramo.
A linha Sucre começou há coisa de três anos, com tintos varietais, Cabernet e Carmenére, depois ganhou um Sauvignon Blanc, e neste ano foram lançados os reserva.
Os vinhos são provenientes do Valle del Maule, e, embora provenientes de vinhedos muito jovens, já demonstram potencial. São vinhos que tenho provado desde a primeira safra, e a evolução e sensível, o que com certeza nos anima para o futuro.
Os dois vinhos, propriamente ditos, estavam bem gostosos. O Cabernet Sauvignon tinha aromas interessantes de fruta madura, com toques de especiarias e côco, além de uma notinha de pimenta vermelha. Na boca é um vinho off-dry, com boa acidez, muita fruta e médio corpo. Para mim faltou um pouco de tanino, mas a boa persistência compensa um pouco. É um vinho saboroso, e que classifico como 3D.
Já o Carmenére, em minha opinião é superior, com aromas mais complexos, notas de couro e café, além daquele toque herbáceo. Na boca é um vinho equilibrado, macio, mas só escorrego no retrogosto, que não é muito longo. De qualquer forma, é um vinho que também classifico como 3D.
Fica a certeza de que, com o tempo, os vinhos Sucre só ganharão em qualidade, mas sem perder, espero eu, sua privilegiada relação preço/prazer.
Dúvidas subre meu sistema de pontuação? Leia o post "Degustações e Pontuações".
Grande Abraço e Até a Próxima

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Degustação - Herú 2007


Ok, sei que já é a terceira degustação seguida, mas prometo que no próximo post abordo um assunto novo.
Agora vamos ao nosso vinho de hoje. O Herú é produzido pela Viña Ventisquero no Valle de Casablanca, região chilena reconhecida pela qualidade de seus brancos e tintos à base de Pinot Noir, qualidade esta que se deve principalmente ao clima mais frio da região, que se localiza bem próxima ao Oceano Pacífico.
A Ventisquero em especial é uma vinícola relativamente jovem (foi fundada em 1998), e extremamente preocupada com a qualidade de seus produtos. Nestes 12 anos de existência a Ventisquero tem feito um trabalho meticuloso de pesquisa de terroirs, buscando as melhores áreas para a produção de cada casta, e foi este trabalho que levou ao surgimento deste vinho. O Herú é produzido de uma parcela específica do mesmo vinhedo do qual a Ventisquero produz seu Pinot Noir Gran Reserva, o Queulat, mas ao longo dos anos foi observado que aquela parcela específica do vinhedo produzia um vinho de qualidade superior, até chegar um ponto em que a qualidade era tão visivelmente superior, que não era mais possível adicionar aquele vinho ao Queulat, era preciso engarrafá-lo como um outro rótulo.
Daí o Herú 2007 que ora degustamos: O vinho tem uma atraente coloração rubi, de média/baixa intensidade, bem típica de Pinots jovens. No nariz apresenta frutas vermelhas maduras, delicadamente entremeadas com especiarias, um perceptível toque mineral, e um agradável aporte de baunilha das barricas. Na boca ele é fresco, desdobrando-se em camadas de sabores e texturas, cremoso e sedoso. Muito equilibrado, não deixando transparecer em nenhum momento seus 14° de álcool.
Ainda jovem, o Herú já demonstra grande complexidade, que acredito eu, deva aumentar com mais 3 ou 4 anos de garrafa. Um vinho que vai muito bem com carnes delicadas, como o vitelo, ou apenas com bons amigos.
Dentro de minha escala de avaliação dou a este vinho a classificação 5D.
Dúvidas sobre meu sistema de pontuação? Leia o Post "Degustações e Pontuações".

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Degustação - Carpe Diem Gran Reserva Cabernet Franc 2005


Como sommelier, sempre me atraiu a idéia de fugir do lugar comum. Não só ao selecionar rótulos para uma Carta de Vinhos ampla e variada como a do Olivetto, mas também no meu dia-a-dia, ao escolher os vinhos que vou beber. Como profissional, aprecio e recomendo muitos bons Cabernets e Carmeneres chielenos, ou Malbecs argentinos, mas como consumidor, procuro sempre que possível o diferente, e daí o vinho degustado hoje.

A Cabernet Franc é uma das castas tradicionais de Bordeaux, próxima geneticamente da cabernet sauvignon, porém com características bem distintas. Enquanto esta costuma produzir vinhos mais encorpados, com taninos firmes, notas de frutas negras e especiarias, e não mais do que um discreto toque vegetal, aquela já traz abundância de frutas vermelhas, notas vegetais mais marcadas, taninos sedosos e uma acidez mais viva.

Por uma questão de adequação climática, a Cabernet Franc nunca é majoritária nos vinhos bordaleses, salvo uma excessão das mais honrosas, o grande Chateau Cheval Blanc, que leva cerca de 55% desta casta. Em outros terroirs, como o Vale do Loire, já é possível permitir a Cabernet Franc alçar voos solo.

E não é surpresa encontrar bons exemplares desta casta no Novo Mundo, onde os terroirs ainda estão sendo descobertos. A Vinos de Sur, projeto de José Esturrillo e Francisco Gillmore, se vale de vitivinicultura sustentável na produção deste vinho, a partir dos mais antigos vinhedos de cabernet franc do chile. Um belo achado, importado pela Casa do Porto. Vamos ao vinho...

De um belo rubi, sem reflexos, e já demonstrando alguma maturidade, esta criança mostra deliciosos aromas de frutos vermelhos frescos, ervas, flores e um discreto toque de especiarias e baunilha, fruto de seus 18 meses em barricas de carvalho francês. A surpresa na parte aromática fica por conta do fato de que, mesmo com tão longo estágio em barricas de 1º uso, as mesmas não contribuem senão com um discreto toque na complexidade aromática deste vinho. Na boca ele se mostra fresco, direto, com taninos presentes, mas sedosos, saboroso, medianamente encorpado e com boa persistência. Só sobra uma pontinha de álcool, mas sem comprometer o resultado final.

Dentro de minha escala de pontuação, classifico este vinho como 3D

Dúvidas sobre meu sistema de avaliação? Leia o post "Degustações e Pontuações".

Postagem em destaque

Enoturismo em Mendoza

Como parte de nossa nova parceria com a LATAM Travel Shopping Frei Caneca , teremos no mês de Novembro/2016 um imperdível tour por alguma...