quarta-feira, 23 de março de 2022

Japão - Escanção

 O Japão é uma nação muito particular. Seu hábitos e cultura, livros, séries, comida e tanto mais, hoje ocupam um espaço importante no imaginário popular e tem forte influência cultural em povos de todos os lados. Hoje consumimos cultura, comida e bebida japonesas, em grandes quantidades, diga-se de passagem.

Mas... e o vinho japonês?

Pois é, o Japão vai muito, muito além do Nihonshu (popularmente conhecido como Sakê), com uma rica e antiga produção vitivinícola, que data já de muito séculos, ainda que oscilando entre altos e baixos, por conta de diferentes correntes e opções políticas; vale citar, por exemplo, o período do Shogunato, quando senhores feudais controlavam o país e tudo o que vinha de fora, especialmente do então remotíssimo Ocidente, era visto como algo a ser evitado, incluso o vinho.

O Japão tem uma localização geográfica muito particular, exatamente entre a maior massa de água do planeta, o Pacífico, e a maior massa de terra, e Eurásia. Isso e outros fatores, fazem com que o clima local não seja exatamente convidativo à vitivinicultura, com frio intenso no inverno, chuvas torrenciais na primavera e a constante ameaça de tufões e tempestades. Some-se ainda a geologia local, com uma paisagem sobretudo montanhosa e íngreme, onde os poucos pedaços de terra relativamente plana e fértil são valorizados e disputados para a produção de alimentos.

Mas nada disso impediu que o Japão se desenvolve uma indústria do vinho hoje pujante e dinâmica, onde pesquisa e tecnologia caminham lado a lado com a tradição, na busca pela produção de mais e melhores vinhos.

A vitivinicultura moderna tem seu início ainda no final do séc. XIX, com os dois maiores nomes da produção de vinhos e bebidas nacionais, as centenárias Suntory e Mercian, surgindo nessa época. O “berço” e, ainda hoje, centro da produção nipônica é a prefeitura de Yamanashi, relativamente próxima de Tóquio, nos arredores do monte Fuji, mais destacado e reconhecido cartão postal do país. Aqui condições de clima mais seco e menos nublado permitem o cultivo de frutas, inclusive uvas, ainda em grande parte ainda consumidas in natura. Mas hoje a produção é muito mais difundida por todo o país, com vinícolas operando em 45 das 47 prefeituras que compõem o Japão.

O arquipélago que compõem o país tem grande extensão de Norte a Sul, o que faz com que haja uma grande variação climática. Adicione-se o relevo montanhoso a esta fórmula e temos os ingredientes para a composição de uma miríade de terroirs, cada qual com seu distinto microclima, do subtropical ao frio.

Hoje a segunda região de maior importância é Nagano, localizada ao Norte de Yamanashi e com similaridades climáticas. Até pela proximidade, além da menor suscetibilidade às chuvas intensas, a região tem atraído importantes investimentos. Outra região que chama atenção e merece destaque é Hokkaido; a ilha mais ao Norte do arquipélago.

Hokkaido a priori seria muito fria para o cultivo, porém as mudanças climáticas vêm permitindo cada vez mais a maturação adequada de uvas para vinho, até por conta do fato que sua localização reduzir muito a influência de tufões e chuvas. Assim, ainda que o número de horas sol anual seja 33% menor, é possível a maturação adequada, sobretudo de castas mais adequadas a clima frios, entregando vinhos frescos e de acidez vívida.

Mas falar em castas aqui no Japão é um capítulo à parte, tratando-se de um país onde não reinam, necessariamente, as castas viníferas mais conhecidas. Ainda que encontremos cultivos aqui de castas como Sauvignon Blanc, Chardonnay, Merlot, Pinot Noir, Cabernet Sauvignon e Franc, entre tantas outras, os cultivos mais expressivos são de castas híbridas ou de mesa, mais adaptadas aos rigores do clima local. Das uvas de mesa ocupam os postos principais nos vinhedos japoneses; a local Kyoho e a americana Delaware; que ainda que sejam direcionadas principalmente ao consumo in natura, são também utilizadas na produção de vinhos, mas simplórios.

A casta hibrida de melhores resultados é a Muscat Bailey A, criada aqui mesmo. Quando bem trabalhada produz tintos decentes, ainda que carentes de profundidade. Mas a principal uva daqui é uma Vinífera, a Koshu.

As menções a Koshu são antigas, de séculos, o que levou mesmo a afirmação que seria uma casta autóctone, surgida ali em território japonês; no entanto, pesquisas genéticas mais cuidadosas indicam que sua origem é europeia, ainda que não seja possível determinar com precisão de onde nem a partir de quais castas. A hipótese mais provável é que ela tenha sido trazida por mercadores, através da rota da seda, em um passado distante. Suas uvas de casca rosada são saborosas, grandes e doces, fazendo com que a Koshu tenha sempre sido muito cultivada como uva de mesa, mas o trabalho cuidadoso de tantos e tantos produtores têm permitido a produção de vinhos cada vez melhores, mais limpos e focados, com deliciosa acidez. Há versões com e sem madeira, além de versões cada vez mais frequentes maturadas sobre as borras finas, para maior complexidade e textura de boca.

Pronto para encontrar o Japão nas melhores cartas de vinhos muito em breve?


quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Grécia - Escanção

 

Quando olhamos para o mundo do vinho atual, são três os pilares de sua construção; França, Itália e Grécia, esta última o nosso tema de hoje.

A base moderna do mundo do vinho é sem dúvida a França; as castas, técnicas, regras e muitos dos conceitos fundamentais nos quais produtores de todo o mundo se baseiam vem de lá, com grande influência mesmo em países de grande tradição, como Portugal e Itália. Justamente a Itália é a outra base, afinal coube ao Império Romano a difusão e a organização de vitivinicultura por toda a Europa Ocidental e bacia do Mediterrâneo; influência essa que só se perdeu devido ao esfacelamento do Império e permanência da Itália desunificada até 1861.

E por fim, a Grécia; responsáveis em boa parte pela introdução da cultura do vinho na própria Itália, berço da cultura e da filosofia ocidentais, os gregos têm uma rica história na produção de vinhos, história essa que permeia de tradições e peculiaridades sua vitivinicultura presente.

Sempre brinco em minhas aulas que uma discussão boa é colocar um italiano, um português e um grego trancados em uma sala, discutindo qual seria o país com maior número de castas autóctones. Ainda que a Itália seja a líder nesse quesito (desculpem amigos portugueses, mas é), Portugal e Grécia contam com uma invejável lista de uvas só suas, sendo que a lista grega tem crescido com a recuperação e redescoberta de novas e antigas variedades a cada dia.

Durante boa parte do séc. XX a Grécia ocupou uma posição periférica no continente, ora sob o domínio Otomano, ora envolvida em disputas políticas e militares internas. Em uma história que não é tão diferente da Portuguesa, o ponto de inflexão dos modernos vinhos gregos vem a partir do ingresso na União Europeia. É a partir desse momento que a Grécia passa a ter mais fácil acesso a novos mercados, além de verbas para modernizar sua indústria. Soma-se a isso um momento em que novos e dinâmicos profissionais retornam ao país depois de estudos e experiências profissionais em outras zonas produtoras.

Outro momento importante na modernização dos vinhos gregos acontece, curiosamente, por conta da grande crise financeira que assolou o país a partir de 2008. As enormes dificuldades levaram muitos dos produtores a perderem o mercado interno, até então seu foco. Essa dificuldade forçou um foco nos mercados externos, com a produção de vinhos que reúnem muito daquilo que encanta o amante de vinhos, foco, frescor, tipicidade e variedades únicas, quase obscuras, que contam uma história de outras terras e outros climas.

Sendo a Grécia um país montanhoso e de solos pobres, as poucas terras planas e férteis são destinadas naturalmente a culturas mais rentáveis, restando às videiras (e oliveiras) as encostas de solos pouco nutritivos. Ali variedades como a Xinomavro, Agiorgitiko, Roditis, Savatiano, Malagousia, Limnio, Mavrotragano, entre outras, produzem vinhos particulares.

Especialmente a Xinomavro é um destaque especial. No norte grego, na Macedônia, encontraremos as denominações de Náoussa e Gouménissa, onde esta casta, cujo nome significa “tinta ácida”, produzo vinhos de bom corpo e elevada acidez, por vezes de coloração algo pálida e com grande potencial de guarda, sendo muitas vezes descrita como a Nebbiolo grega; de fato, os melhores exemplares de Xinomavro apresentam longevidade invejável e, na maturidade, caráter aromático e gustativo em pé de igualdade com os melhores Barolos.

Aquele que é, talvez o mais emblemático vinho grego também tenha passado por uma renovação. O Retsina, branco aromatizado com resina de pinho de Aleppo, remonta aos tempos antigos, quando essa resina era utilizada para vendar ânforas e acabava por afetar o vinho. Os exemplares mais comerciais são de fato demasiadamente intensos e desiquilibrados, porém exemplares mais modernos e cuidadosamente elaborados trazem uma intensidade, frescor e salinidades muito particulares.

Salinidade que é uma assinatura de outro vinho branco grego muito, muito especial; os Assyrtikos de Santorini. Nesta ilha vulcânica do mar Egeu vamos encontrar algumas similaridades com uma DOC portuguesa em particular, Colares. Embora os vinhedos aqui não estejam em areias, também estão próximos ao mar e são conduzidos bem próximos ao solo. Aqui a condução forma pequenos “cestos”, que protegem as uvas dos intensos ventos que sopram constantemente, da mesma forma que ocorre em Colares. Os vinhos são minerais e cítricos, deliciosos e instigantes. Também se produz aqui um intenso e untuoso vinho doce, Vinsanto de Santorini, que tem a Assyrtico como sua casta principal.

Ainda caberiam muitas e muitas linhas apenas para introduzir, brevemente, uma fração da riqueza enológica da Grécia, com os saborosos Agiorgitikos do Peloponeso, os perfumados brancos de Malagousia, os frescos brancos tranquilos e espumantes de Debina, em Epirus, os muitos Muscats, doces e secos, do continente e das ilhas, os tintos fortificados da expressiva Mavrodaphne, ou ainda os muitos tintos e brancos de castas francesas, também cultivadas com sucesso em diferentes regiões, fora as castas obscuras e recém recuperadas, como a Sideritis, a Lagorthi, a Mavrostifo ou a Tinaktorogos, isso para citar apenas algumas poucas.

A mensagem central aqui é que a Grécia é um mundo por si só, com variedade e qualidade em todo seu território continental e ilhas, cheia de tesouros aguardando pelo degustador e pelo escanção mais atentos.

 

Alemanha em Tinto - Escanção

 

Há umas tantas edições atrás, utilizamos este espaço para introduzir os vinhos alemães, justificadamente entre os mais desejados por amantes do vinho em todo mundo, assim como queridinhos de escanções por todo canto.

O apelo do vinho alemão, sobretudo para o escanção, pode ser explicado em parte pela legislação alemão, muito particular e sempre uma pequena “diversão” na hora dos nossos estudos, além da forte presença da casta Riesling, rainha das brancas e preferida de tantos e tantos profissionais.

Mas hoje queremos direcionar nosso olhar para uma Alemanha de outras cores; vamos hoje falar de uma Alemanha em tinto. E não no geral, na produção nacional como um todo, mas de uma pequena e pitoresca região em particular, onde os vinhos tintos são maioria; o Ahr.

Nas últimas décadas, em função de mudanças climáticas e mudanças nas preferências do público, a produção de vinhos tintos cresceu em toda a Alemanha, passando de cerca de 11% na década de 1980 para algo por volta dos 33% nos dias de hoje, fenômeno semelhante ao ocorrido com a doçura, com uma migração dos vinhos doces ou adamados cada vez mais em direção aos secos. No entanto, falamos aqui de um fenômeno que abarca regiões como Pfalz, Baden e Württenberg, onde o clima vem permitindo cultivos maiores de variedades como Lemberger, Dornfelder e, claro, a Spätburgunder, nossa conhecida Pinot Noir.

Já no Ahr, PDO mais ao Norte do país, sempre reinaram as castas tintas, tendo a grande virada ocorrido substancialmente naquilo que se refere à qualidade dos vinhos ali produzidos. Hoje os tintos são mais de 80% da produção local e a produção de brancos segue em queda.

Localizada em um estreito vale formado pelo rio Ahr, que corre de Oeste para Leste, dos montes Eifel em direção ao rio Reno, essa região conta com temperaturas anormalmente quentes para uma latitude tão ao Norte, podendo contar com uma estação de cultivo de algo como 120 a 130 dias e temperaturas mediterrâneas que entram pelo mês de Outubro muitas vezes. Esse foi certamente um dos fatores que levou os romanos a instalarem-se aqui, fato corriqueiro em tantas e tantas regiões produtoras atuais da Europa onde Roma foi a responsável pelos primórdios da vitivinicultura.

Faltam no entanto indícios de que os Romanos cultivaram aqui a videira; as mais antigas menções a existência de vinhedos no vale do rio Ahr datam do ano 770 d.C. Apesar das dificuldades de produção na íngremes encostas do vale, o que ocasiona maiores custos produtivos, até bem pouco temo a produção local focava em tintos simples, frutados e até adocicados. Esse descompasso entre custo de produção e valor agregados dos produtos locais levou muitos produtores locais a imigrarem para a América no início do séc. XIX. Os que permaneceram foram responsáveis por fundar em 1868 a primeira cooperativa da Alemanha, com apenas 18 sócios então, chegando a 180 apenas 25 anos depois.

O cooperativismo ainda tem enorme importância na produção do Ahr, respondendo cerca de dois terços da produção local. Porém, foram pequenos e ousados produtores que mudaram a sorte dos vinhos locais quando, ainda na década de 1980, nomes como Deutzerhof, Jean Stodden e, principalmente, Meyer-Näkel, passaram a dar outro nível de atenção às uvas Pinot Noir que vinham de seus vinhedos, buscando pontos de maturação e técnicas de vinificação afinadas com as melhores práticas dos melhores vinhos da Bourgogne.

Os resultados não tardaram a chegar, colocando os vinhos do Ahr em posição de destaque rapidamente. Isso fui crucial para a sobrevivência de região como zona de produção de vinhos finos, pois afinal permitiu aos produtores locais maior foco na qualidade, com vinhos consequentemente de maior valor agregado, mais alinhados com as dificuldades e custos de produção inerentes à região; os melhores vinhos locais podem alcançar preços equivalentes aos de Premier Crus da Bourgogne, não devendo nada em qualidade para eles.

Cerca de 65% da produção local é da casta Spätburgunder/Pinot Noir, sem dúvidas a grande estrela local. Mas mesmo entre as tintas, o Ahr conta com seus pequenos segredos a serem descobertos, com especial destaque para uma casta que, ainda que representando apenas 6% dos vinhedos mostra aqui um ótimo potencial na produção de vinhos frescos, com um agradável toque herbal; falamos aqui da Frühburgunder, mutação de maturação precoce da Pinot Noir, conhecida na França como Pinot Madeleine. Apenas uma amostra do quanto há por se descobrir nos vinhos locais.

Evidentemente não poderíamos falar do Ahr sem citar as muitas notícias que vimos nos últimos meses na mídia e nas redes sociais, onde imagens tristes mostraram a grande destruição causada em vinhedos e vinícolas do Ahr pelas chuvas e inundações que ali ocorreram em Agosto. A safra 2021 no Ahr será virtualmente inexistente, sobretudos nos menores produtores, e o futuro da região permanece incerto, enquanto a estrutura local de tantos produtores afetados pela tragédia segue em reconstrução. O que é certo é que em breve grandes vinhos do Ahr voltarão a fluir das adegas locais.

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Ao Encontro do Novo - Escanção

 

Ao Encontro Do Novo

Ao longos dos últimos anos, temos sempre ocupado este espaço com diferentes regiões produtoras pelo mundo, sempre apresentando aos leitores novas fronteiras ou ainda zonas de produção já tradicionais porém menos conhecidas. Parte do que fascina no mundo do vinho é sua profundeza aparentemente sem fim, onde encontramos sempre novos temas e novas nuances.

O vinho sempre traz consigo novas descobertas, seja de aromas, sabores, sensações ou ainda de técnicas, histórias e informações. Desta forma, conhecer uma nova zona produtora é sempre uma aventura de descoberta e aprendizado.

Cada região tem sua história a ser contada; no Velho Mundo, via de regra, histórias de tempos já perdidos na memória, onde fatos, lendas e tradições combinam-se em um emaranhado onde nunca está claro onde começa uma coisa e termina outra, de forma que simplesmente aceita-se os fatos como estes são contados. No Novo Mundo, a história está um pouco mais bem documentada, por ser mais recente, então temos contos de pioneiros e desbravadores, mas ainda assim com um justa dose de distanciamento histórico.

Pois outra coisa fascinante no mundo do vinho é que ele não se encerra em suas linhas, como se estas estivessem já traçadas e delimitadas, novas fronteiras são sempre traçadas por aqueles que buscam novas formas e novos caminhos na produção de bons vinhos. Aqui no Novo Mundo, muito mais do que no Velho, estes limites são borrados, com novas regiões surgindo a cada dia, muitas vezes onde antes jamais se imaginaria que haveria um dia a produção de vinhos, quanto mais de vinhos de qualidade.

Uma rara oportunidade no mundo do vinho e poder vislumbrar o momento preciso em que uma nova linha é traçada, em que uma nova fronteira é desbravada. Essa rara oportunidade tive há pouco, visitando e entendendo melhor um novo terroir que começa a se desenhar aqui pelo Brasil.

Antes de mais nada já me adianto com o fato que tenho plena consciência que, para grande parte do mundo, o Brasil enquanto produtor não é um país de grande destaque, logo as sutilezas de nossas regiões produtoras não são exatamente o tema de maior interesse do escanção português. Mas esse não é o tema central dessa conversa e sim o nascimento de um novo terroir!

Estive há poucos dias na Chapada Diamantina, região localizada no interior do estado da Bahia, a cerca de 400km de sua capital, Salvador, no paralelo 13, bem acima do “limite” mágico da vitivinicultura, o paralelo 30. Ali encontrei uma região já de agricultura bem desenvolvida, com uma combinação de terrenos férteis com alta tecnologia e clima propício, onde plantações dividem espaço com paisagens naturais de tirar o fôlego.

No passado, por tratar-se de zona distante do litoral e de grandes centros urbanos, o que atraiu e incentivou a ocupação da região foi o garimpo, com extração principalmente de diamantes. Foi apenas nas últimas décadas que o potencial da região para a agricultura foi descoberto e é aqui que de certa forma começa a se desenhar a história recente do vinho ali.

Ainda que encontremos aqui culturas como a batata e a criação de gado, vicejaram também produtos como berries em geral, normalmente ligados à climas mais frescos, e cafés de alta qualidade, com grande produção orgânica e mesmo biodinâmica. Ocorre que mesmo tão próximo assim da linha do Equador e das regiões semiáridas do interior do Brasil, a Chapada conta com a altitude, acima dos 1.000 msnm, o que proporciona uma boa parte do ano com temperaturas baixas na noite, além de dias longos, ensolarados e secos.

E é dessa percepção que surgem os, até agora, três projetos de produção de vinhos ali existentes. Um deles, localizado no município de Mucugê, caminha para ser o mais emblemático dessa nascente região.

Quando lhes digo que temos aqui uma região nascente, quase embrionária, falo sério! O projeto em questão, a Vinícola Uvva, tem início com a implantação de vinhedos experimentais em apenas em 2012, já chegando hoje aos 52ha e seus vinhos só começarão a ser comercializados em alguns meses. A família proprietária já produz batatas, café e cria gado, com grande sucesso nos mercados interno e externo, mas percebeu em determinado momento que ali havia o potencial para algo mais.

O Brasil já tem a experiência da produção de vinhos na região Nordeste, inclusive com investimento português, no Vale do São Francisco, entre os estados da Bahia e de Pernambuco, onde o calor, o clima seco e a irrigação permitem o cultivo contínuo, com cinco colheitas a cada dois anos, mas na Chapada a busca foi por outro padrão de qualidade e fez-se aqui uma opção diferente.

Os vinhedos da zona utilizam um método já usual em outras áreas do Brasil, que é a dupla poda. Essa técnica recorre a uma poda agressiva no mês de janeiro, quando a videira está no momento da produção, forçando assim a produção e a colheita no nosso inverno, entre Junho e Agosto. No caso da Chapada Diamantina, justamente nesse época haverá condições propícias a produção de uvas de alta qualidade e com excelente sanidade, com dias quente e ensolarados, tempo seco e noites frias, com amplitudes térmicas que podem facilmente superar os 15° C de variação entre dia e noite.

Eu, já chegando em meus 20 anos de profissão, jamais esperaria encontrar ali a qualidade que encontrei. O fato é que uma série de condições orográficas criam um terroir muito especial, com solos de arenito profundos e de boa drenagem, muito luminosidade e proteção de ventos mais úmidos que podem chegar vindos do Atlântico. Todos os vinhos que provei, ainda que produzidos em uma adega com a mais alta tecnologia, eram vinhos sem intervenção além do básico, o uso de leveduras selecionadas e o controle de temperatura na fermentação. Aqui não há necessidade de correções, seja de acidez, de açúcar no mosto ou o que quer que seja.

Provei vinhos com álcool comedido, na casa dos 13° ABV, com acidez fresca e suculenta, taninos finos, equilibrados e persistentes, com especial destaque para as castas bordalesas, sobretudo a Cabernet Sauvignon e a Petit Verdot. Ainda que sejam os vinhos de um único produtor, a abordagem enológica de respeito ao que a natureza oferece me trazem o vislumbre do potencial dessa zona como um todo.

Das muitas experiências que essa profissão me proporcionou, presenciar os primeiros passos de uma promissora região produtora é algo verdadeiramente especial, que só reforça em mim o espírito de atenção que, acredito eu, deve estar sempre presente em todo escanção, a justa consciência que não importa o quanto conheçamos, sempre haverá o novo ali após dobrarmos a esquina. Hoje, no Brasil, o novo está na Chapada Diamantina.

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Índia - Escanção

 O Antigo Torna-se Novo

As fronteiras do mundo do vinho expandem-se a cada dia, abarcando novas regiões, estilos e castas. Mas o novo nem sempre é assim tão novo; há no Novo Mundo do vinho nações de tradições milenares, mas que apenas em tempos recentes reencontraram o caminho de suas já antigas tradições vitivinícolas.

Nosso destino de hoje é um destes, uma cultura milenar, riquíssima em história, aromas e sabores, inclusive no vinho, mas que só em tempos muito recentes veio juntar-se em sério aos países produtores; hoje vamos à Índia.

O registro objetivo de produção de vinhos no subcontinente está em tratados de medicina escritos entre os séculos XIII e XII a.C. nos quais são elogiadas as propriedades medicinais de vinhos produzidos em solo indiano. Ainda mais antigos são menções em livros sagrados do Hinduísmo, alguns datando de mais de 5.000 mil anos atrás. Porém foi apenas a partir da chegada dos invasores Persas, por volta do ano 1300 da era cristã, que se iniciou algum nível de produção em larga escala.

Porém mesmo com essa história tão antiga ainda assim elencamos hoje em dia a Índia entre os países do Novo Mundo. Por qual razão? O fato é que, seja por motivos religiosos, políticos, culturais e/ou econômicos, por séculos a vitivinicultura na Índia foi negligenciada. Chegamos ao fim do século XX com um enorme mercado ainda virgem, com produção importante de bebidas alcoólicas de baixa qualidade e baixo custo, inclusive vinhos baseados sobretudo em uvas americanas.

Somente no início da década de 1980 é que começa a ganhar força na Índia uma classe média economicamente relevante, com hábitos de consumo e estilo de vida ocidentalizados. Surgem então as primeiras iniciativas daquilo que é hoje a indústria do vinho indiana, com a fundação da Indage Vintners, em Pune, Maharashtra e Grover Zampa Vineyards, em Nandi Hills, Karnataka.

Estes dois são, aliás, o coração da indústria e os principais mercados consumidores do país. A Índia é um país de grandes dimensões territoriais, com uma população gigantesca e uma complexa organização social e política. Desta forma, os estados que compõem o país têm algum nível de autonomia na definição de suas legislações, o que torna a produção, venda e consumo de bebidas mais complexa em alguns lugares do que em outros.

Os grandes estados de Maharashtra e Karnataka, assim como a antiga colônia portuguesa de Goa, contam com incentivos e normas claras para produção, além de um ordenamento jurídico um pouco menos pesado para a venda em consumo, o que permitiu um crescimento acelerado do mercado nos primeiros anos do século XXI.

As principais regiões produtoras são Bijapur e Nandi Hills, em Karnataka, e Solapur e Nashik Valley, em Maharashtra, sendo Nashik Valley a mais importante e mais comentada, com cerca de 60% de toda a produção nacional. Além dos volumes produzidos esse sucesso também se deve, em grande parte, a presença aqui da maior vinícola indiana, Sula Vineyards, fundada em meados dos anos 1990 por Rajeev Samant, depois de uma temporada de estudos e trabalho no Silicon Valley, na Califórnia. Sula hoje é a maior referência do vinho indiano, com cerca de metade de toda a produção local e foco em uvas viníferas.

As castas mais cultivadas são as francesas, influência fundamentalmente dos muitos consultores aos quais recorreu-se nas primeiras décadas, entre os quais o francês Michel Roland, responsável ou corresponsável por vinhos nos cinco continentes. Destacam-se as brancas Chenin Blanc e Sauvignon Blanc e as tintas Syrah, Cabernet Sauvignon, Zinfandel e Merlot. Uma particularidade local é que o clima não permite que as videiras entrem em dormência, o que torna necessário duas podas extras, a fim de garantir um produção de melhor qualidade e no melhor período do ano, entre março e abril, quando tem-se pouca ou nenhum chuva e temperaturas oscilando dos 35° aos 15°C entre dia e noite.

A qualidade da produção local vem subindo a passos largos, entregando vinhos com tipicidade varietal, fato exemplificado pelo uso, por parte da ASI, de um Chenin Blanc indiano na prova final de degustação às cegas do Mundial de Sommeliers de 2013, varietal que foi corretamente identificado pelo campeão, Paolo Basso.

Soma-se a isso o aumento no número de pequenos produtores, ciosos da qualidade de seus vinhos e sempre em busca de melhorias. Entre os hoje pouco mais de 50 produtores encontraremos também importantes investimentos estrangeiros, de grupos como Pernod Ricard, Diageo e Möet-Henessy, que estão de olho não só no florescente mercado global, mas também na crescente busca do consumidor por vinhos de bom custo e com diferenciais importantes, sendo aqui o exotismo o principal.

Da mesma forma que produtores pelo mundo não podem ignorar o potencial da Índia como mercado consumidor, com a maior população jovem do planeta, também cabe ao escanção moderno estar atento aos vinhos ali produzidos e como estes impactarão o mercado global no futuro próximo.


quarta-feira, 12 de maio de 2021

Croácia - Escanção

 

O sempre crescente interesse do consumidor por novos vinhos, novas castas, novas origens e mais, já há muito tem sido o motor da expansão das fronteiras do mundo do vinho. Especialmente nos últimos 30 ou 40 anos vimos a emergência de novos e mais bem informados bebedores, interessados em melhor conhecer a origem e história daquilo que têm no copo.

Assim, de forma natural, o storytelling de um vinho passou a ser algo cada vez mais importante para a construção das marcas, o que acabou por dar espaço a categorias antes virtualmente inexistentes, do ponto de vista comercial, como os vinhos naturais, biodinâmicos e veganos, ou ainda vinhos de países antes pouco presentes nas prateleiras ocidentais.

Nesta última categoria, vêm marcar seu espaço os vinhos do Leste Europeu, de países que até o início dos anos 1990 estavam do lado de lá da Cortina de Ferro, com governos comunistas ditatoriais sob influência direta da então União Soviética. Dentro da lógica de controle centralizado do governo Soviético, não tão diferente do que ocorreu em Portugal durante os anos de Salazar, a produção da maioria destes países foi reorganizada, em sistema de cooperativas, com foco no volume em detrimento da qualidade.

Desta forma, foi apenas a partir da queda do Muro de Berlim e do fim da URSS é que a produção destes países voltou a se organizar, na medida em que estas nações passaram a ter maior acesso aos mercados internacionais, conquistando consumidores, em um primeiro momento, pelo exotismo de seus vinhos, feitos com castas autóctones desconhecidas, ou em regiões obscuras, ou ambos.

Posição privilegiada na conquista destes novos consumidores acabou sendo ocupada pelo Croácia, parte da antiga Iugoslávia, fundamentalmente por uma série de laços de sua história vitivinícola com a Itália, logo do outra lado do Mar Adriático; a costa croata foi parte do território Veneziano no passado e o interior do país é tradicional fornecedor de carvalho para os botti tão utilizados na produção de vinhos do país da bota.

Hoje a Croácia é um destino turístico dos mais disputados, com belezas naturais estonteantes e uma coleção de cidadezinhas pitorescas. Neste cenário, o vinho do país também conquista mais adeptos a cada dia. Podemos grosseiramente dividir o território nacional em dois; as áreas costeiras, à oestes dos Alpes Dináricos, e a Croácia continental, com produção de vinhos em zonas mais ao Nordeste. Oficialmente, desde 2018 temos 4 regiões produtoras, duas no interior (Bregovita Hrvatska e Slavoniji i Podunavlje) e duas no litoral (Istra i Kvarner e Dalmacija).

No interior temos já um importante laço com o restante do mundo do vinho, já mencionado. Vem da Eslavônia o carvalho tão valorizado na produção de barricas, especialmente tonéis e pipas. Aliás, não é incomum a tradução equivocada de muitas publicações e sites para o português, que trocas Eslavônia por Eslovênia, fato ao qual há de se estar sempre atento; recipientes de carvalho são feitos com madeira da Eslavônia. A produção de vinhos aqui no interior está concentrada em áreas mais próximas às fronteiras com Hungria e Eslovênia, não sendo a região de maior destaque, ainda que produza vinhos interessantes a partir de castas internacionais e locais. Talvez o maior destaque aqui seja a casta branca Graševina, mais conhecida como Welschriesling ou Riesling Itálico, apesar de não ter qualquer parentesco com a Riesling. O destaque é mais pela ampla difusão dessa casta por outros países da região, bem como pelo Brasil, e por tratar-se da casta mais cultivada em todo o país.

No mais, os vinhos do interior reúnem uma ampla coleção de castas locais e internacionais, em uma variedade de estilos, em geral com maior foco nos exemplares de boa relação custo/benefício.

Já nas zonas costeiras é que encontraremos a regiões de maior destaque, bem como as castas mais reconhecidas internacionalmente, as castas locais, que fique claro. Nessa parte do país encontraremos com maior frequência uvas autóctones que são inclusive reconhecidas fora das fronteiras croatas. Entre estas a mais popular é a tinta Crljenak Kaštelanski, também conhecida como Tribidrag.

Certamente você já leu sobre essa casta croata e há uma grande chance que você inclusive já tenha provado vinhos feitos com ela e não se impressione se você não se recorda. O mais provável é que você a conheça por outro nomes. Essa casta de nome quase impronunciável é nada mais nada menos que a Zinfandel californiana, também cultivada na região italiana da Puglia, como Primitivo.

Durante décadas considerada uma casta autóctone californiana, pesquisas da UC Davis determinaram que era geneticamente a mesma Primitivo italiana e mais alguns anos de pesquisa levaram a identificação de sua origem croata. Aqui na Croácia a tinta que recebia maior atenção era a Plavac Mali, que se chegou a suspeitar seria a Zinfandel mas hoje sabe-se ser um cruzamento entre esta e a também autóctone Pošip. Apenas após essa descoberta é que essa tinta, até então relegada ao segundo plano e cultivada em pequenas quantidades no interior do país, voltou a crescer e vem entregando belos exemplares.

Ao longo da costa, da Ístria até o sul da Dalmácia, o litoral recortado e cheio de ilhas entrega uma variedade de solos e microclimas, que combinados com as diferentes tradições locais geram uma miríade de vinhos a serem descobertos, desde brancos frescos e aromáticos, passando por tintos cheios de caráter, até vinhos laranja, de longa maceração pelicular e maturados não em carvalho mas em acácia. Ou seja, vinhos para todos os gostos, ocasiões e gastronomias.

Dos mais interessantes países produtores que vem ganhando destaque globalmente, merecedor da atenção de consumidores e escanções.

domingo, 7 de março de 2021

Jerez - Escanção

 

Não se nega a primazia de Portugal como terra de grandes vinhos generosos. Com o trio formado por Porto, Madeira e Moscatel de Setúbal, de grande fama por todo o Mundo, ainda complementados por generosos raros, especiais e regionais, como o Carcavelos, o Moscatel do Douro ou outros tantos mais.

Ainda que tais vinhos tenham surgido a partir de tradições mais antigas e locais, é a grande sede dos britânicos por esta categoria que dá o grande impulso necessário para que estas e ainda outras denominações de firmem como referência de vinhos generosos de qualidade para o grande público amante do vinho. Em Portugal, as apelações supracitadas foram as que maior influência sofreram, fato facilmente constado pela ainda expressiva penetração destes vinhos no mercado britânico, além das muitas famílias vindas de lá e hoje profundamente envolvidas com o negócio do vinho em Portugal.

Mas entre os grandes vinhos generosos do mundo encontramos um em particular com história e tradições tão ricas quanto os exemplares clássicos lusitanos, produzido há poucas centenas de quilômetros de Portugal, nas cálidas terras andaluzes; são estes os vinhos de Jerez!

A apelação reconhece o nome em diferentes idiomas, Jerez, Xerez ou Sherry. Aqui utilizaremos o nome local, em respeito à região e suas tradições. O Jerez é fruto de uma terra de passagem, onde muitos foram os povos que ao longo da história ali habitaram. As tradições, gastronomia, arquitetura e viticultura locais são, então, fruto direto da influência de Fenícios, Gregos, Cartagineses, Romanos, Muçulmanos, entre outros.

Porém, os vinhos ali produzidos e tão apreciados hoje em dia sofreram uma significativa influência das necessidades do mercado, especialmente o mercado britânico e sua demanda por vinhos fortificados. Este aliás era o estilo local já nos séculos XVII e XVIII, com vinhos jovens e de elevado teor alcoólico, cujo envelhecimento antes da exportação não era permitido. É apenas no início do século XIX que começa a tomar forma a Jerez que conhecemos hoje, quando a chegada de várias famílias de comerciantes estrangeiros e de outras regiões de Espanha levam a mudanças nas normas locais, que por fim levam a produção de vinhos de maior qualidade.

Hoje, ainda que Jerez produza vinhos de grande qualidade em estilo oxidativo, o grande fator distintivo da enologia local são os vinhos de envelhecimento biológico, que maturam e evoluem sob influência da flor, uma camada de leveduras que se formam sobre o vinho, não tão diferente do que acontece com os Vin Jeaune do Jura, na França. Aqui nos solos esbranquiçados ricos em calcário, chamados albarizas, a casta branca Palomino Fino produz vinhos com as condições ideais para que estas leveduras se desenvolvam.

Claro, é necessário o “apoio” do produtor; a fortificação dos vinhos base não pode ultrapassar os 15,5° e as botas, barris onde o vinho envelhece, não podem ser completamente cheias, deixando espaço para a formação da camada de flor. A flor bloqueia a entrada de oxigênio, consome qualquer resquício de açúcar ainda presente, glicerina e produz uma série de substâncias químicas do grupo dos acetaldeídos, conferindo a estes vinhos seus aromas típicos de amêndoas e notas salinas.

O vinho produzido deste forma é o Jerez Fino, podendo também ser denominado Manzanilla caso seu envelhecimento aconteça na cidade de Sanlúcar de Barrameda, mais próxima ao mar, na foz do rio Guadalquivir. Para que tenha as características de delicadeza e frescor que lhe são peculiares, a origem ideal são os solos de albariza que já mencionamos. Essa distinção é importante, pois temos ainda na região solos arenosos e argilosos, as arenas e barros, que entregam vinhos com mais corpo e estrutura, mais adequados para os estilos com maior oxidação e mais álcool, o Oloroso e o Amontillado. Aquele é feito com vinhos base fortificados à 18°, evoluindo desde o início de forma oxidativa, enquanto este inicia sua maturação sob a flor, sendo após alguns anos refortificado para que a flor morra e siga sua maturação de forma oxidativa.

Outra prática distintiva da produção de Jerez é o uso quase que generalizado do sistema de solera, que basicamente consiste em nunca esvaziar as barricas no momento do envase, completando as mesmas com barricas um ano mais jovens, e estas com vinhos de barricas ainda um ano mais jovens e assim sucessivamente, até que se complete as barricas que contêm apenas vinho do ano anterior com o vinho do ano atual. Desta forma, o vinho engarrafado é sempre uma mistura de todas as safras desde o início daquela solera, o que confere maior complexidade ao produto, mas também constância de estilo e qualidade.

Encontramos ainda outros estilos menos conhecidos, de produção limitada, como a Manzanilla Pasada e o Palo Cortado, além dos estilos doces, com a casta Pedro Ximenez, carinhosamente chamada de PX, ou com a Moscatel, bem menos comum. Serão vinhos igualmente instigantes, complexos e apaixonantes.

Jerez é uma região muito rica em história e tradições e além disso produz um dos mais instigantes vinhos, com uma versatilidade ímpar para harmonização rivalizada por pouquíssimas regiões ou estilos. Conhecer a fundo esta região e seus vinhos é um caminho sem volta, seja pelo lado do escanção, que invariavelmente mergulha nos meandros dos muitos estilos e sabores que aqui encontram-se, seja pelo lado do consumidor, que terá uma fonte de muitos sabores, sensações e possibilidades.

 

 

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