quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Bebendo (BEM!) Nas Alturas!


"Já é fato consumado que empresas aéreas sempre disponibilizaram um sortimento de bebidas alcoólicas de primeira linha em suas classes executiva e primeira.  Neste contexto, o vinho muitas vezes ocupa um lugar de destaque, entretanto, para a classe econômica, também é cada vez maior a oferta de produtos de boa qualidade, em especial no caso de companhias de países tradicionalmente produtores.

 

Esta crescente demanda, gera uma constante preocupação em contar com consultores externos, e muitas vezes famosos, para a elaboração de suas Cartas de Vinhos. Entre os brasileiros, temos o Dr. Arthur Azevedo, da ABS São Paulo, há vários anos responsável pela seleção de vinhos da TAM, e o Chef e Sommelier ítalo-brasileiro Dânio Braga, responsável pela seleção da portuguesa TAP.

 

Embora as seleções de vinhos para classe econômica tenham uma melhora significativa em tempos recentes, são nos assentos mais caros onde encontramos os melhores produtos e o melhor serviço, com taças de verdade, que permitem uma adequada degustação. No que se refere à degustação é importante lembrar que, no ambiente de baixa pressão da cabine de uma aeronave, nossa percepção olfativa é alterada, o que só reforça a necessidade de bons vinhos e boas taças, a fim de garantir uma experiência prazerosa ao passageiro.

 

Em uma recente (e longa) viagem ao Japão, sobre a qual falarei um pouco mais em outro artigo, tive a sorte de por um gentil convite da Qatar Airways, desfrutar do conforto de sua premiada bussines class em um dos trechos de Doha até São Paulo, e partilho com vocês algumas impressões, em especial a respeito do serviço e da seleção de vinhos.

 

Como em geral e padrão em todas as empresas, aqui o serviço é feito em taças de verdade, e não de plástico, ou ainda copos baixos de vidro, como é comum. Isso, por si só, já enriquece significativamente a experiência de degustação. Aliado a isso, a Carta de vinhos trás uma seleção cuidadosa, com produtos escolhidos das melhores procedências, e ainda informações completas sobre cada um deles como uvas, safras e informações sobre os produtores. Existe uma preocupação em cobrir estilos variados, com vinhos do novo e velho mundo, versáteis o suficiente para adaptarem-se a uma variedade de pratos e paladares.

 

Entre meus destaques da Carta da Qatar Airways, ficam os seus dois Champagnes, Bollinger Brut Rosé e Lanson Vintage 1999, um belo branco alemão, o Erdener Treppchen Spätlese Riesling do produtor Dr. Loosen, um Brunello di Montalcino mais maduro, o Castel Giocondo 2003, da Frescobaldi, e um ótimo Porto Colheita 1974, cujo nome, por absoluto e imperdoável desleixo, não anotei. Além destes, ainda havia um Bordeaux 2006 Cru Bourgeois de ótima procedência, um belo Sauvignon Blanc neozelandês, entre outros.

 

Toda a equipe de bordo estava devidamente bem orientada em relação à liturgia particular do serviço dos vinhos, atentando para volume servido, reposição, troca de taças, temperatura e etc.

 

Com o constante aumento do mercado consumidor de luxo, em especial em países em desenvolvimento como o Brasil, apresentar uma ampla seleção de serviços e produtos diferenciados, é uma necessidade premente de todas as empresas aéreas que buscam fidelizar clientes em seus assentos mais caros. Nesta equação, o vinho, produto cada vez melhor compreendido e respeitado, ocupa, sem dúvida, uma posição de destaque."
 
Texto publicado originalmente no portal Gastrovia!
 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Canadá!

Segue texto publicado na edição nº19 da Classe A Magazine, com um pouco mais de informação sobre os vinhos do Canadá.

"Nos últimos tempos, tem surgido e, nossas prateleiras algumas opções de vinhos canadenses; mais até do que isso, o fluxo cada vez maior de brasileiros ao exterior tem permitido que muitos tenham contato com estes produtos, já não tão incomuns assim.

No entanto, ao pensarmos em Canadá, a primeira imagem que nos vem à mente é a de um país frio, quase polar, onde fica bem difícil imaginar a produção de vinhos finos. Esta é uma meia verdade! De fato, o Canadá tem um clima predominantemente frio, porém, as áreas mais próximas à fronteira com os Estados Unidos estão tão próximas do equador quanto à ensolarada Toscana. O clima, predominantemente continental, permite, em zonas específicas, verões suficientemente quentes e longos para permitir a maturação de uvas viníferas de boa qualidade.

A vitivinicultura canadense é definida pela proximidade dos vinhedos com massas de água, como grandes lagos ou rios, que funcionam como um alívios às agruras do inverno. A maior parte da produção se concentra nas províncias de Ontário e British Columbia, respectivamente a leste e a oeste do país.

Em British Columbia, próximo ao estado americano de Washington, a produção está forte mente concentrada no Okananga Valley, cortado pelo rio homônimo. Em especial nos crescentes vinhedos do sul da região, uvas como a Cabernet Franc, Pinot Noir, Riesling, além de cepas normalmente plantadas em climas mais quentes, como Cabernet Sauvignon e Syrah, tem apresentado resultados promissores.

Já em Ontário, localiza-se a principal região produtora do país, a península de Niágara. Protegida do frio excessivo pelos lagos Ontário, ao norte, e Erie, ao sul, concentra a maior extensão de vinhedos, e tem obtido resultados surpreendentes e consistentes com castas como a Riesling, Pinot Noir e Cabernet Franc. Além das vantagens climáticas, o sucesso da península do Niágara se deve também a visão dos produtores, que no final dos anos 1980, foram os primeiros do Canadá a estabelecer regras definindo a qualidade e procedência de seus vinhos. Vinhos com a sigla VQA (Vintners Quality Alliance) são, em geral, uma garantia de boa qualidade.

Porém, ainda que a maior volume produzido seja de vinhos secos, é importante destacar aquele que talvez seja o mais conhecido produto canadense, em especial por sua ligação íntima a imagem que temos do Canadá como um país gelado, o Ice Wine, ou vinho do gelo.

Com um clima seco e invernos muito frios, o Canadá tem condições de produzir vinhos a partir de uvas congeladas todos os anos, diferente de regiões também consagradas por este produto na Alemanha e Áustria. A título de informação, o Ice Wine (ou Eswein, na Alemanha e Áustria) é um vinho produzido com uvas sobre maduras, que ficam nas parreiras até a chegada do inverno rigoroso, que as congelará, sendo então colhidas e prensadas ainda congeladas. Deste modo, boa parte da água se separa do restante do mosto, ficando este muito doce e concentrado. No caso específico do Canadá, a colheita só pode ser feita com temperaturas de -8 C°, e o vinho resultante deve ter não menos do que 100gr/l de açúcar residual. São vinhos sedutores, pelos quais é fácil se apaixonar.

Os melhores exemplares são obtidos com a Riesling, porém, e esta é outra particularidade canadense, vinhos muito bons são também produzidos com a casta híbrida Seyval Blanc. Os preços, lá no Canadá, podem variar entre boas ofertas até custos significativamente mais elevados. Em todo caso, são vinhos únicos, vibrantes, dos quais vale muito a pena ter-se a experiência de tê-los provado. Encontrando algum, aqui ou em sua próxima viagem, não perca a chance de conhecê-lo!"
Espero que tenham gostado. Grande abraço e até a próxima!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Um Negócio da China! Observações a Respeito do Crescente Mercado de Vinhos na China

Nos últimos anos, a China tem se firmado como um dos mais importantes mercados no mundo do vinho. Em 2016, os chineses devem assumir o posto de segundo maior país consumidor, com 250 milhões de caixas, atrás apenas dos Estados Unidos, com uma previsão de 350 milhões de caixas.
O consumo per capita ainda é pequeno, cerca de 1,6 litro/ano por habitante, mas, quando multiplicamos este número pela população chinesa, fica fácil entender o grande interesse que este mercado desperta. Com uma crescente população urbana, uma classe média em ascensão, e um interesse cada vez maior em copiar os hábitos ocidentais, a China tornou-se, em relativamente pouco tempo, a resposta às preces dos produtores cada vez com mais dificuldades em escoar suas produções nos países consumidores tradicionais.
Com suas dimensões continentais, e um sexto da população mundial, a China tem uma história milenar com a viticultura, no entanto, a produção sempre foi mais voltada às uvas de mesa. O grande impulso a indústria do vinho veio a partir de 1979, quando o governo comunista estabeleceu condições que permitiam a entrada de produtos e investimentos estrangeiros. Rapidamente, o vinho adquiriu um posto de honra entre nos mercados chineses.
E não estamos aqui falando apenas das importações crescentes, mas também da produção local, muitas vezes com o apoio técnico e financeiro de empresas estrangeiras.  Já em 1980, a empresa francesa de bebidas Rémy-Martin estabeleceu a primeira joint-venture no país, iniciando a produção dos vinhos da linha Dinasty; em seguida veio a Pernod Ricard, que entre 1987 e 2001 produziu os rótulos Dragon Seal; já a Castel, gigante francês do setor, produz a linha Château Changyu-Castel; e mesmo o Château Lafite-Rothschild, dos mais afamados produtores do mundo, produz ali seu vinho local, na província de Shandong, logo ao sul da capital Beijing.
Em especial, o Château Lafite tem alcançado um sucesso fenomenal na China; há uma piada no meio de que a China é o maior produto mundial de Château Lafite 1982, tal o volume de falsificações que surgiram deste muito procurado vinho. Mesmo o segundo rótulo da vinícola, o Carruades de Lafite, alcança ali altos preços, o que levou a uma considerável alta dos preços destes dois vinhos em nível global. Daí a óbvia animação da Lafite para investir em Shandong.
Shandong, aliás, tem se firmado como a mais importante região produtora da China, tanto em termos de quantidade quanto de qualidade, com a maior parte das vinícolas sérias do país se estabelecendo ali. Shanxi, no centro, e Xingjian, no noroeste, também têm apresentado bons e importantes resultados, mas a região que despertou maior atenção recentemente é a província de Ningxia, ao norte. Foi de Ningxia que saiu o primeiro vinho chinês a receber uma importante distinção internacional; o Jia Bei Lan Cabernet 2009, da vinícola He Lan Qing Xue, foi premiado pela revista britânica Decanter como o melhor varietal bordalês abaixo de 10£ em 2011.
Em geral, as principais regiões exploradas apresentam como principal obstáculo os elevados índices de humidade, o que facilita o surgimento de fungos e pragas, e faz com que alguns produtores ainda priorizem castas locais como Long Yan (olho de dragão) e a Beichun, mas o maior crescimento, e os melhores resultados, são alcançados pelas tradicionais castas francesas, em especial Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Chardonnay. Com o crescimento da demanda interna, a tendência é que as empresas nacionais se movimentem para supri-la, o que sem dúvida levará a produção de grandes volumes de vinhos de qualidade duvidosa, mas levará também a investimentos e a procura de novos terroirs. Em um país tão grande como a China por certo haverá regiões propícias a produção de vinhos de grande qualidade, sendo apenas uma questão de tempo até a descoberta das mesmas.
Para nós, brasileiros, resta-nos explorar este potencial comercial, trabalho que, ainda que a passos curtos, nossos produtores têm feito, e também aguardar, para um futuro não tão distante, o desembarque de rótulos chineses em nossas prateleiras. Mas por favor, hein, os originais! Nada de cópias!
Abraços e até a próxima!
Este texto, de minha autoria, foi publicado originalmente no portal Gastrovia.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Vinhos do Leste Europeu

Vinhedos da costa da Dalmácia, Croácia, com a uva local Dingac
Segue texto que publiquei na edição de nº 18 da Classe A Magazine, com um pouco de informação sobre os atraentes vinhos do leste europeu. Espero que gostem!

"Os Tradicionais Vinhos Europeus (do leste)

Nestas páginas você já leram artigos sobre Espanha, França, Portugal, Itália, e até sobre a Hungria, mas nesta edição, minha proposta e ir um pouco mais a fundo na vitivinicultura dos países que, até o princípio dos anos 90, estavam do outro lado da cortina de ferro.

Estamos falando aqui de países como a própria Hungria, mas também Polônia, Romênia, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Croácia, Sérvia, Albânia, entre outros tantos. Uma característica partilhada por todas estas nações, além dos nomes de uvas e regiões quase impronunciáveis, é a marcada influência que o período comunista teve sobre seus vinhedos e os vinhos ali produzidos. Após a Segunda Guerra Mundial, o comunismo fez com que países que tinham uma rica e antiga história na produção de vinhos, vissem do dia para a noite todos os seus vinhedos e vinícolas passarem ao controle estatal.

Visando atender a demanda interna do bloco comunista, passou-se a focar a quantidade em detrimento da qualidade, com vastas áreas de plantação em terrenos planos e férteis, aptos a mecanização. Cultivos tradicionais foram abandonados, ou, na melhor das hipóteses, relegados a um segundo plano, e tiveram que aguardar por décadas pelos primeiros sopros de renovação.

Com o fim do bloco comunista, no final dos anos 80 e princípio dos anos 90, lentamente começaram a surgir sinais de recuperação. Aos poucos, com os vinhedos e vinícolas voltando às mãos de proprietários privados, foi possível chamar a atenção de outros países, e buscar recursos externos para a modernização e reestruturação dos vinhedos. Num segundo momento, o ingresso de alguns destes países na União Europeia acelerou este processo, abrindo ainda novos mercados para os vinhos ali produzidos.

Falando um pouco sobre alguns destes países, vamos começar por aqueles que já estão presentes no mercado brasileiro. Inicialmente temos a Hungria, com vários rótulos em nosso mercado, e talvez a mais dinâmica nação do leste europeu em termos de atuação nos mercados externos. Isso se deve, em parte, a grande fama de seu principal produto, os vinhos doces da região de Tokaj-Hegyalja. Ainda antes do fim do comunismo a região já atraía investimentos estrangeiros, em função principalmente da fama que estes vinhos tinham na Europa. Porém, hoje podemos encontrar produtos de outras regiões e estilos, como por exemplo os ótimos tintos da região de Villany, no sul do país, de castas como a Cabernet Franc, Kékfrankos, Portugueiser, entre outras, além de alguns exemplares secos da própria região de Tokaj.

Encontramos também em nosso mercado alguns vinhos da Croácia e da Eslovênia. Esta, com maior participação de castas conhecidas fora de suas fronteiras, como a Pinot Noir e a Robola (Ribola Gialla, na Itália), enquanto que aquela nos apresenta sobretudo castas autóctones, ou seja, castas próprias daquele país, como a tinta Plavac Mali e a branca Posip, ambas da região de Peljesac.

Aliás, outra característica importante, já mencionada acima, é a nomenclatura das uvas e regiões, que nos brindam com nomes como Crljenak Kaštelanski, uva tinta croata, mais conhecida como Primitivo, ou Krk, pequena ilha produtora de vinhos no litoral croata, só para citar dois exemplos. Caso você esteja tentando pronunciar estes nomes, desista, sem conhecer o idioma não dá!

Alguns países em especial, como a Bulgária e a Romênia, já dispõem de um volume mais expressivo de vinhos de alta qualidade, e tem se feito presentes em diversos mercados externos. Deve ser só uma questão de tempo até que encontremos em nossas prateleiras uvas como Melnik e Mavrud, da Bulgária, ou regiões como Cotnari e Dealul Mare, da Romênia. Outros, como a Eslováquia, a República Tcheca, ou aqueles que compunham a antiga Iugoslávia, ainda tem um caminho a percorrer, mas não se surpreende se, em breve, suas garrafas de vinho tiverem muito mais consoantes nos rótulos!"
Grande abraço e até a próxima!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Profissão Sommelier no Portal Gastrovia


Desde semana passada, este blog está elencado no site Gastrovia, do qual, a partir de agora, sou também colaborador. Visitem o site, por este link, e acompanhem!
O Gastrovia é um portal que apresenta noticias e novidades sobre gastronomia e turismo, em textos sempre de muita qualidade. Recomendo!
Você pode também curtir a página do Facebook, clicando aqui.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Bacalhau e Vinhos Verdes no Desafio ao Vinho!


Olá a todos!
Semana passada, atendendo ao convite do amigo Daniel Perches, do blog Vinhos de Corte, participei de seu programa na TV Geração Z, em um gostoso bate papo sobre harmonização. Os alvos da vez foram pratos a base de Bacalhau e vinhos portugueses, da região dos Vinhos Verdes. O resultado você pode conferir nos dois vídeos abaixo.
Espero que gostem!

Desafio ao Vinho Parte 1


Desafio ao Vinho Parte 2


Grande abraço e até a próxima!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

"Você Conhece a Zweigelt?" na Classe A Magazine

Olá! Desculpem o longo e tenebroso inverno desde minha última atualização deste blog, mas os últimos meses tem sido de intensos estudos, visando so cconcursos de Sommeliers já disputados, e o Mundial ainda por vir!
Mesmo agora, faço uma atualização meio preguiçosa, compartilhando com vocês um texto que publiquei na edição nº 17 da Classe A Magazine, daqui de Campinas e região. Espero que gostem!
Grande abraço e até a próxima!

"Você conhece a Zweigelt?

Primeiramente, se você por acaso acompanha meu blog, o profissaosommelier.com, já deve ter visto por lá um post com este mesmo título. Mas este não é o mesmo texto, “copiei” de mim mesmo apenas o título, adequado ao tema aqui escolhido.

Nosso tema hoje são uvas, ou como nos referimos a elas no mundo do vinho, castas. Mas não quaisquer castas, e sim aquelas menos comuns, muitas vezes absolutamente desconhecidas do grande público, e que apresentam, comumente, os mais surpreendentes resultados.

Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Syrah e Pinot Noir são castas que produzem ótimos vinhos, na verdade, alguns dos melhores e mais caros do mundo! Porém, o que seria do amarelo se todos gostassem do vermelho?

Em um mercado cada vez mais padronizado, com produtores em busca de vendas fáceis, e apresentando vinhos dentro de um perfil dito “internacional”, a saber, vinhos de bom corpo, macios, frutados, e com uma sensível dose de madeira, é um mais do que bem vindo refresco quando encontramos nas prateleiras rótulos que ostentam nomes como Carignan, Mourvédre, Teroldego, Zweigelt, Bastardo, Caladoc, Vermentino, Plavac Mali, e etc. etc. etc...

Aqui, temos dois tipos diferentes de vinhos feitos com estas, e muitas outras, castas; aqueles feitos por enólogos criativos e ousados, dispostos a experimentar novos sabores em novos terroirs, e aqueles tradicionais, de regiões e/ou países pouco conhecidos nos mercados internacionais.

No primeiro grupo, encontramos principalmente vinhos do novo mundo, Chile, Argentina, Austrália, África do Sul, Nova Zelândia, Estados Unidos, Brasil e Cia., embora haja também curiosas experiências em nações mais tradicionais, como Portugal, Itália e Espanha. Estes são em geral vinhos de boa qualidade, modernos, e que buscam exprimir a tipicidade destas pouco usuais castas em terroirs específicos. São em geral bons vinhos, e que valem muito a pena pela oportunidade de provar diferentes expressões de países produtores já conhecidos.

Porém, é no segundo grupo que encontramos as opções mais curiosas e instigantes! Afinal, falamos aqui de castas cuja origem, estilo e cultivo estão intimamente ligados às suas respectivas regiões, vinhos autênticos, típicos, de personalidade. Delícias como as supracitadas Zweigelt (Áustria), Bastardo (Douro, Portugal), Vermentino (Sardegna, Itália) e Plavac Mali (Croácia), ou ainda Poulsard, Trousseau e Savagnin (Jura, França), Encruzado, Antão Vaz e Ramisco (Portugal), Mencía e Bobal (Espanha), Aglianico e Piedirosso (Itália), Agiorgitiko e Assyrtico (Grécia), Humagne Rouge e Petite Arvine (Suíça), e tantas outras, que não seria possível mencionar em dez artigos. Muitas destas castas perderam espaço nos vinhedos, por conta de questões comerciais, e de um público sempre em busca de nomes conhecidos nos rótulos. No entanto, com o crescimento do mercado consumidor, e, principalmente, com o aperfeiçoamento destes consumidores, o interesse pelo menos óbvio aumenta a cada dia. Regiões e vinícolas que antes atendiam apenas aos mercados internos, hoje se preocupam com exportações e a conquista de novos mercados; importadoras, antes focadas nos produtos mais conhecidos, reconhecem hoje a importância de contar com produtos particulares em seus catálogos.
Você, que assim como eu é, antes de qualquer coisa, um consumidor, valorize estes produtos, prove, deguste, divulgue, descubra. Todo novo vinho, todo novo sabor, toda nova casta é uma descoberta e um aprendizado. Encontrando um nome estranho e pouco usual nas prateleiras, compre sem medo, e partilhe esta experiência nova com seus amigos!  Nada contra o seu vinho do dia a dia, seja ele qual for, mas não está na hora de ampliar um pouco o repertório?"

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