segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Cursos Sobre Vinhos em Agosto


Dentro de nossa parceria pra uso do espaço da Wine Senses, realizaremos duas atividades neste mês.
A primeira será no dia 20, sábado, com o curso Basicão de Vinhos, conforme a mídia abaixo.

Será um curso para aqueles que estão começando agora a busca por conhecimentos relativos à esta bebida. Degustaremos sete vinhos, e abordaremos temas fundamentais para sua compreensão no dia a dia.
Já na semana seguinte, do dia 22 ao dia 25, teremos a primeira edição do nosso curso de iniciação, com 10 horas/aula em 4 sessões, onde discutiremos variados temas e degustaremos quase 30 vinhos, conforme a mídia abaixo, que permitirão aos participantes compor um amplo panorama sobre o mundo do vinho, estabelecendo uma base sólida para futuros estudos de aprofundamento.

Os participantes ainda receberão, como parte do material didático, o livro "Sobre Vinhos", de J. Patrick Henderson e Dellie Rex, ótima fonte de consulta e estudo.
As vagas são limitadas, então não espere até o último momento!

terça-feira, 26 de julho de 2016

Enoturismo em Mendoza


Como parte de nossa nova parceria com a LATAM Travel Shopping Frei Caneca, teremos no mês de Novembro/2016 um imperdível tour por algumas das mais destacada vinícolas de Mendoza!
Mendoza já é, há algum tempo, um dos destinos favoritos dos brasileiros que buscam aliar turismo à bons vinhos e boa comida. Ao redor dessa charmosa cidade, encontramos muitas das mais importantes bodegas argentinas, com lindas paisagens e excelentes vinhos.
Em meio a tantos roteiros que já contemplam esse destino, nosso diferencial é oferecer visitas únicas e especiais, selecionadas por mim, em alguns casos diretamente com as vinícolas, para garantir aos que nos acompanharem as melhores experiências e degustações.
O grupo contará com meu acompanhamento em todas as atividades do roteiro, e aqueles que desejarem poderão fazer desta viagem, além de um momento agradável e lúdico, uma rica experiência de aprendizado.
Nosso roteiro começa no sábado, dia 26/11, quando partimos de Guarulhos com destino à Argentina, em voo da LATAM, via Santiago. Após nossa chegada em Mendoza, no final da tarde, nos hospedaremos no Park Hyatt Mendoza, charmoso hotel 5 estrelas, no coração da cidade; com localização privilegiada, próximo aos principais pontos turísticos urbanos, o Hyatt conta com instalações de alto nível e um dos melhores casinos de Mendoza. Nessa noite, teremos um jantar de boas vindas ao grupo, já incluso no roteiro, no ótimo Bistrô M, do próprio Hyatt, ou em outro bom restaurante local.
Salentein
 Dia 27/11, domingo, dedicaremos nosso dia a conhecer o Valle do Uco. Sub-região de Mendoza, localizada mais ao sul, o Valle do Uco caracteriza-se pela proximidade com os Andes, sem a presença da zona de transição que chamamos de pré-cordilheira, logo, apresenta clima mais fresco, maior altitude, e solos muito adequados a vitivinicultura de alto nível. Aqui visitaremos a Salentein, linda bodega, que tem também uma galeria com exposições de artistas locais e internacionais, além de um ótimo restaurante, onde almoçaremos. Dali, vamos à recém inaugurada Bodega Piedra Infinita, da Zuccardi, onde, além da moderna arquitetura, poderemos desfrutar de alguns dos inovadores vinhos do jovem enólogo Sebastian Zuccardi, e seguiremos para a Vines of Mendoza, projeto que inclui vinhedos privados, resort, spa e o restaurante Siete Fuegos,  do estrelado chef Francis Malmann, onde será o nosso jantar.
Zuccardi Piedra Infinita
Nosso terceiro dia, segunda feira, 28/11, começará com a mais premiada vinícola argentina, a Catena Zapata, nas belas instalações do vinhedo La Piramide. A Catena dispensa apresentações, e tem seu proprietário, Nicolas Catena, como o único latino reconhecido pela Decanter Magazine como "Man of the Year", um dos maiores reconhecimentos que a mídia especializada pode conceder a uma personalidade do vinho. Seguiremos para a Ruca Malen, em Lujan de Cuyo, para almoçar em seu belo restaurante, focado em produtos locais e sazonais. Visitaremos ainda a Pulenta, e retornaremos ao hotel para, mais tarde, jantarmos no Azáfran, casa contemporânea do talentoso chef Pablo Ranea, onde provaremos suas deliciosas criações.
Viñedo La Piramide - Catena Zapata
Terça feira, 29/11, visitaremos a Casa El Enemigo, espeço da Bodega El Enemigo, projeto de Adrianna Catena com o enólogo chefe da Catena Zapata, o talentoso Alejadro Vigil, seguramente dos mais talentosos enólogos da atualidade; ali provaremos os vinhos ousados e elegantes de Alejandro, com meu destaque particular para os especiais resultados obtidos com a casta Cabernet Franc. A seguir, trocamos a inovação pela tradição, e visitamos a Bodega López, produtor de vinhos em um estilo tradicional, com longo envelhecimento em tonéis, e que tem em sua loja uma invejável coleção de safras antigas de seus vinhos a venda, remontando a safra de 1938.

Ainda na terça, depois da Bodega López, seguimos para o aeroporto, com destino a Buenos Aires, onde nos hospedaremos no ótimo Hotel Intercontinental, um cinco estrelas no coração da capital porteña, e faremos nosso jantar de despedida em restaurante ainda a ser definido. Passamos a noite em Buenos Aires, e retornamos a São Paulo no dia seguinte.
Todas as visitas, passagens aéreas, hospedagens, atividades e refeições descritos acima, mais os devidos traslados, estão inclusos no pacote, que tem um valor de US$ 2.189,00 em apartamento duplo, ou US$ 2.689,00 em apartamento single. As formas de pagamento são flexíveis, incluindo aí pontos Multiplus, e os lugares são limitados; não faremos grupos muito grandes, para garantir que todos possam desfrutar da melhor forma possível desse momento.
Interessou? Entre em contato com o pessoal da LATAM Travel Frei Caneca, no telefone 11 3545 4377, ou fale com o Adilson pelo e-mail adilson.santos@agentetamviagens.com.br mencionando sempre o código DAAD072016


segunda-feira, 25 de julho de 2016

Novas Atividades

Já faz um tempo... aliás, um longo tempo que não publico nada aqui!
O fato é que, com uma série de outras demandas, o blog acabou ficando de escanteio, o que eu lamento. Pretendo, em breve, converter esse espaço em um web site, com informações referentes a minha consultoria, a Profissão Sommelier Consultoria e Eventos, potencializando o uso profissional, mas mantendo o blog como um espaço de comunicação.
A Profissão Sommelier oferece consultoria para restaurantes e importadoras, na seleção de portfólio, treinamentos, formação de profissionais e estruturação de setores, e também atua com eventos particulares e corporativos, cursos e suporte a diversas atividades ligados ao mundo do vinho. Destas atividades, algumas tem sido mais intensivas e recorrentes, e devo recorrer a este espaço como suporte para a divulgação das mesmas.
Das atividades mais relevantes, e continuas, podemos destacar:
- Cursos diversos oferecidos na Wine Senses, em São Paulo;
- Parceria com a Eno Cultura, integrando seu corpo docente nos cursos da WSET;
- Parceria com a LATAM Travel Shopping Frei Caneca, na elaboração de roteiros enoturísticos exclusivos, que, na maioria dos casos, contarão com meu acompanhamento e supervisão.
Nos próximos posts devo detalhar algumas destas atividades por aqui.
Abraços

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Diálogos Líquidos - O Café.

Harmonizações com café, em treinamento da Nespresso

"Aproprio-me aqui de um termo forjado pelo meu amigo Ensei Neto, dos maiores especialistas em café deste país, para tratar de temas que, por um motivo o por outro, abarcam o universo de duas bebidas, e me utilizo deste espaço, a priori dedicado ao vinho, para falar um pouco desta outra bebida tão consumida por nós, o café!Ou o melhor seria utilizar o plural, cafés, afinal, assim como no caso do vinho, o café tem uma gigantesca variedade de estilos, variedades, origens, métodos de processamento e, no final da cadeia, métodos de preparo. Não pense que todo café é igual, e que se não está bom basta adicionar mais açúcar, não é! Aliás, se o café for bom mesmo, o açúcar nem faz falta, mesmo que você, assim como eu, tenha o hábito de tomar café adoçado.São varias as espécies de café, e entre elas a que apresenta os melhores resultados para a produção de cafés de alta qualidade é a cofea arábica, a vitis vinífera dos cafés! A maior parte dos cafés comuns, aqueles que encontramos no mercado, já moídos em fardos com ou sem vácuo, são da espécie robusta, que gera cafés mais rústicos e amargos, por vezes até com um traço de tanino, enquanto que o arábica tende a gerar cafés mais equilibrados, com acidez e doçura agradáveis.E da mesma forma que o vinho, o café também pode ser harmonizado com uma miríade de alimentos, que vão muito além dos bolos e biscoitos que normalmente são servidos com ele.  Você já provou café com carne? E com peixe? Pois bem, eu já provei e posso dizer que é bom, muito bom! E por que não incluir o vinho nessa triangulação? Ou alguma outra bebida?Aprendi ao longo dos anos que harmonização não é algo que fazemos de forma técnica e criterioso no dia a dia; em geral, tudo o que as pessoas buscam ao selecionar uma bebida e tornar aquela experiência mais agradável. Nada mais chato do que um enochato chamando a atenção para o fato de que o vinho selecionado não é o adequando para aquele prato em particular... No entanto, só com o exercício criterioso e técnico da harmonização é que adquiri uma bagagem que me permite fazer esta escolha de forma mais simples, e ainda que eu não acerte em cheio, chego perto. Além disso, o exercício técnico da harmonização é um grande aprendizado sensorial, aprendo a prestar atenção no que gosto e no que não gosto e os porquês, aprendo a identificar com mais facilidade o que funciona e o que não funciona com determinado prato ou em determinada situação.No caso do café, vale o mesmo. No dia a dia, vale o seu cafezinho, como e quando lhe agrada, mas reservar algum tempo para experiências mais atentas trarão grande aprendizado, e permitirão que, ao longo do tempo, você consiga ampliar o prazer que você encontra no seu cafezinho de todo dia, você pode encontrar café que te agradam mais, estilos de preparo que resultam em uma bebida amis do seu agrado, ou ainda misturas improváveis entre café e comida que te agradem bastante. Eu, por exemplo, ainda não achei melhor acompanhamento para um bom café do que um queijo da Serra da Canastra.O bom café, de acordo com o seu perfil de torra e com o resultado desejado, pode ser preparado no coador de pano, num filtro Hario V60, na Aeropress, como Espresso, numa percoladora, e tantos outros, e com diferentes graus de moagem e tempos de infusão você pode extrair mais ou menos de determinadas características gustativas e aromáticas. Ao triangular a harmonização com um vinho, que você já saiba que ira bem com aquele prato em especial, você ganha mais um elemento de comparação, que permitirá que você analise as sensações que aquele café te causam, a até mesmo, porque não, a própria interação entre o vinho e o café.O mais importante e realizar esta experiência livre de noções pré-concebidas, aberto as novas sensações que você encontrará na sua xícara e na sua taça, e assim fazer deste um experimento agradável, e de grande aprendizado. Depois me chame para um cafezinho e me conte como foi!"
Texto publicado originalmente na edição nº5 da Revista Senhora Mesa.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Harmonizando Além da Comida


"Para começar, quero deixar muito claro que tenho uma boa dose de ceticismo em relação às experiências que mencionarei neste artigo. Não pensem que abraço estas novidades com o maior entusiasmo do mundo!
Isso posto, vamos ao tema! Tenho visto com frequência abordagens pouco usuais ao tema harmonização, buscando a harmonização do vinho, e de outras bebidas, não só com o alimento, mas também com momentos. Para mencionar algumas que vi por aí, estão harmonizações entre vinho e cinema, vinho e literatura, vinho e sexo (acreditem...), porém a mais comum sempre é vinho e música.
Meu entendimento a respeito destas experiências é que são atividades mais lúdicas do que sensoriais, e que, portanto, demandam uma certa dose de disposição e imersão na experiência por parte dos participantes. Afinal, mesmo o mais inexperiente e inculto dos degustadores é capaz de verificar e apreciar a interação privilegiada que se dá entre um Porto e uma torta de chocolate, ou entre um Riesling alemão e um leitão à Bairrada, por exemplo. Mas jamais um erudito apreciador de música clássica conseguiria, a primeira audição, apreciar a harmonização entre o mesmo Riesling alemão e algumas músicas do AC-DC...
Daí minha observação, de que se trata mais de um exercício intelectual, tecendo analogias entre um e outro, no caso do vinho e música, do que um exercício sensorial, onde se sente as semelhanças e contrastes, como acontece na harmonização entre vinho e comida. No entanto, acredito que é sempre interessante estimular os apreciadores a buscarem este tipo de experiência, que em última análise pode levar a um novo olhar sobre o vinho e sobre a música, reforçando o prazer que se pode buscar em ambos.
Neste sentido, no final de dezembro a Wines of Argentina, órgão responsável pela promoção dos vinhos argentinos pelo mundo, lançou em parceria com o canal WineBar (www.winebar.com.br), uma ação diferente para promoção dos seus vinhos. Vários blogueiros, eu incluso, receberam duas garrafas de vinhos argentinos, e foram convidados a degusta-los e harmonizá-los com uma música, de uma playlist previamente selecionada. A quem possa interessar, a play list está disponível no endereço http://www.rdio.com/people/MauricioTagliari/playlists/7509948/wines_of_argentina/
A ideia era que cada blogueiro encontrasse a música que melhor combinava com seus vinhos, explicasse esta harmonização e publicasse em seu blog até o dia 10 de janeiro. As escolhas seriam avaliadas e as melhores ganharam uma viagem pelas regiões produtoras da Argentina.
Como você está lendo este artigo em pleno mês de fevereiro, já dá para supor que perdi o prazo... Mas não perdi o interesse pelo tema, e decidi seguir com minha harmonização tardia!
Se você quiser dar uma espiadinha nos detalhes da ação, com a apresentação dos vencedores e os artigos de todos os blogs, você pode encontrar estes detalhes no site do WineBar, supramencionado.
Como vocês já viram em meu último artigo por aqui, eu gosto muito do óbvio bem feito! E fui contemplado com o óbvio muito bem feito, um belo Chardonnay do Valle de Uco, da vinícola Salentein, e minha escolha musical não foi menos óbvia; tango! Salentein Reserve Chardonnay e Adios Nonino, do grande Astor Piazzola, talvez o maior compositor do gênero.
Como eu já disse, trata-se mais de uma experiência intelectual, de deixar-se levar pelo clima e buscar analogias entre o vinho e a melodia. Assim como um Malbec encorpado casa muito bem com a voz macia de Sarah Vaugh, esse Chardonnay clama por tango, clama pelos compassos que vão e vem, sobem e descem, pela dança que seduz e afasta com uma delicadeza impar.
É um vinho de início limpo e intenso, brilhante, aromático, se mostra ao primeiro gole, assim como a música de Piazzola, que já se inicia igualmente intensa, para ao longo de seus compassos buscar aquela lentidão, aquela lamúria do bandonéon, que tanto caracteriza o tango argentino, o toque quase depressivo que lhe é peculiar. Da mesma forma, alguns minutos a mais com o vinho na taça nos trazem agradáveis surpresas; não trata-se de um Chardonnay óbvio, estão lá sim os frutos tropicais maduros, como o abacaxi, está lá sim o toque da madeira, com notas de baunilha e tostado, mas é muito mais do que isso, é um Chardonnay sutíl, balanceado, complexo, com mineralidade, equilíbrio entre os diversos elementos, não só olfativos, mas também gustativos, enfim, muito além de sua nacionalidade ou de sua casta, trata-se, antes de mais nada, de um bom vinho!
O tango de Piazzola complementa e enriquece a degustação, conduz, mostra o caminho para melhor compreender e desfrutar o momento, aliás, mais do que isso, Adios Nonino, lado a lado com o vinho, constrói o momento!

E você, qual sua música favorita? Já pensou em “degusta-la” com o seu vinho favorito também? Experimente, e construa você os seus momentos."
Texto publicado originalmente no Portal Gastrovia.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Quem Nos Guiará?


"No mercado brasileiro de vinho estamos à procura de guias! Pessoas que possam nos conduzir, mostrar o caminho; Que vinhos provar? Onde comprar? O quanto pagar? Comer com o que? Este é melhor do que aquele? E essa marca, vai impressionar meus convidados? Não são perguntas incomuns entre os apreciadores. Neste cenário, várias são as opções que encontramos, com livros, revistas, sites, blogs e mesmo artigos como este, que se propõem, de algum modo, a responder estas questões.
Como todo filão de oportunidade, este também desperta a curiosidade de muitos que, por inocência, ou até má fé, aproveitam-se para despontar como grandes conhecedores, guias cegos, tentando conduzir aqueles que ainda enxergam para sua cegueira. São inumeráveis, e em geral guardam como característica comum o profundo conhecimento do bem e do mal, e a infalível capacidade de forjar leis imutáveis com frases de efeito. Não preciso citar nomes, aliás, você já deve até ter pensado em alguns deles.
Antes de seguir adiante com o assunto, só quero deixar MUITO claro o seguinte: não me proponho a ser o guia de ninguém! Aproprio-me aqui da consagrada frase de para-choque: “Não me siga, também estou perdido!”
Essa categoria de guias cegos, é em geral composta por pessoas que, por conta de uma série de fatores, tiveram algum acesso a alguns bons vinhos, e/ou cursos de formação básica, que são justamente isso, básicos, mas que em um país onde o vinho ainda não faz parte da cultura popular, formam mestres e sommeliers todos os dias... Em geral, colocam o vinho em um pedestal, construído com vocabulário rebuscado e marcas de grande prestígio. Apenas aos iniciados é possível sorver todas as qualidades do néctar de Baco, e para que você se torne um destes iniciados, só precisamos do número do seu cartão de crédito!
Há também aqueles que se tornam “divulgadores” do vinho, escrevendo páginas e páginas de palavras vazias e clichês, atacando aqueles que demonstram mais competência que eles, e ocultando-se atrás de um véu de isenção “jornalística” quando na verdade o maior objetivo é obter convites para os melhores eventos, e provar os melhores vinhos, aqueles com os quais os reles mortais apenas sonham. Há os que buscam o tecnicismo, há os que buscam o popularesco, mas, no final das contas, o objetivo é o mesmo.
Porém deixo aqui um parêntese; há também, e são muitos, aqueles que de fato desejam divulgar e fazer crescer a cultura do vinho; podem não utilizar sempre os meios mais corretos, mas são autênticos em suas intenções, e tenho também certeza que você já pensou em alguns nomes aí.
Não temos um caminho a seguir, ou quem abra os caminhos, e dê os primeiros passos? Estamos perdidos em um país onde o vinho não faz e nem nunca fará parte de nossos hábitos culturais? Prefiro acreditar que não; aliás, recuso-me a pensar de outra forma! O vinho não é estudo, palavras bonitas e rótulos caros; não é status e renome; não é fonte de renda; ou é... Não sei... Mas não é só isso!
O vinho é cultura, é alegria, é amizade, é partilha, e principalmente, antes disso tudo, o vinho é uma bebida! Só isso, um líquido que ingerimos, durante ou fora das refeições, bom ou ruim, caro ou barato, mas é uma bebida! Não é sagrado, não é hermético, não é apenas para os merecedores; é para todos nós. É para pensar menos, e beber mais! Com moderação, é claro!

E nós, aqui, buscando nosso espaço nesse mundo tão amplo que é a cultura do vinho, desejosos de que mais e mais pessoas possam se juntar a nós, continuamos tateando, e perguntando-nos; Quem nos guiará? E continuaremos nos perguntando, até que um de nós, cansado de todo o resto, decida assumir essa posição, e guiar-nos ao boteco mais próximo, onde, na minha utopia, poderemos nos sentar, beliscar um petisco qualquer, e beber um bom vinho, por um preço civilizado..."
Texto publicado originalmente na edição nº 4 da Revista Senhora Mesa.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O Beaujolais Nouveau, de novo...


"Esta é a época do ano em que chegam aos restaurantes de todo o mundo, no mesmo dia, em uma verdadeira operação de guerra, as garrafas do Beaujolais Nouveau, uma bebida de pouco corpo, aromas lembrando fortemente chiclete de tutti-frutti, intensa coloração azulada, e um inegável apelo às massas consumidoras.

 

Um autêntico case de marketing, o Beaujolais Nouveau é um caso emblemático de uma marca, um conceito, que se tornaram muito maiores do que o produto em si, no caso, o vinho fresquíssimo, recém-saído das cubas de fermentação, e obtido com o emprego de processos que permitem ao produtor entregar um produto com elevado nível de drinkabilty.

 

É inegável que o marketing tem importância fundamental no mundo do vinho moderno, vendendo e apresentando marcas e conceitos, não só de vinhos, mas de países e regiões inteiras, mas essa não é uma atividade isenta de dores de cabeça. Basta citar o exemplo do Champagne, nome de uma região e dos vinhos espumantes ali produzidos, e que para muitos consumidores tornou-se sinônimo do próprio produto (vinho espumante); por conta disso, a CIVC, responsável pela “marca” Champagne, vive a turras com governos e produtores mundo afora que insistem em rotular seus produtos como Champagne, ou ainda variáveis como champanha, champaña e afins. Enfim, é o preço do sucesso...

 

O outro risco é quando um produto e/ou conceito inferior, ganham uma dimensão muito maior do que a própria região de onde vem o produto, prejudicando, de certa forma, os produtos de qualidade mais elevada que vem dali. Em algum grau, regiões como Prosecco e Cava tem sofrido esse efeito, e com Beaujolais não é diferente.

 

Beaujolais é uma região logo ao sul da Bourgogne, onde reina a uva tinta Gamay. A Gamay tem potencial para produzir vinhos carnudos, suculentos, com ótima fruta e boa presença de boca, e em alguns pontos privilegiados da região, os Crus de Beaujolais, produz vinhos de mais estrutura e qualidade. Há na região produtores que entregam vinhos dos mais variados estilos e níveis de qualidade, inclusive os muito bons, que fazem vinhos de fazer inveja a muitos produtores franceses de regiões mais incensadas pela mídia.

 

Porém, as massivas ações feitas na divulgação do Beaujolais Nouveau já há décadas, criaram no consumidor médio a imagem de que toda a produção da região se resume ao Nouveau, ou seja, vinhos jovens e descompromissados, que embora não sejam ruins (para alguns), não apresentam maiores predicado qualitativos. E não é assim!

 

Vale a pena descobrir os bons produtos desta região! Dê preferência para aqueles que trazem no rótulo o nome de sua vila de origem, sejam os (bons) Crus de Beaujolais, sejam os Beaujolais Villages, de produtores já consagrados. Como tudo nesse incrível mundo que é o vinho, a melhor tática é a experimentação; prove de tudo, e tenha as suas próprias opiniões; ou, prove, de novo, o Beaujolais Nouveau, e fique, de novo, com as mesmas opiniões..."

Texto publicado originalmente em 05/01/2013 no Portal Gastrovia.

Postagem em destaque

Enoturismo em Mendoza

Como parte de nossa nova parceria com a LATAM Travel Shopping Frei Caneca , teremos no mês de Novembro/2016 um imperdível tour por alguma...